Factorenergia chega ao Brasil apostando em IA e baterias para disputar abertura do mercado livre de energia

Grupo espanhol inicia operação no país em parceria com a Path Investimentos e mira pequenas e médias empresas com soluções integradas de energia, armazenamento e inteligência artificial

A espanhola Factorenergia iniciou oficialmente suas operações no Brasil em um momento estratégico para o setor elétrico nacional. Com a perspectiva de ampliação do mercado livre de energia para consumidores de menor porte nos próximos anos, a companhia aposta em inteligência artificial (IA), armazenamento de energia por baterias (BESS) e plataformas digitais para conquistar pequenas e médias empresas (PMEs) e se posicionar para a futura abertura total do mercado.

Em parceria com a Path Investimentos, a empresa pretende atuar como uma plataforma integrada de soluções energéticas, oferecendo comercialização de energia elétrica e gás natural, geração distribuída, eficiência energética, gestão inteligente do consumo e armazenamento de energia.

Com mais de 26 anos de atuação na Europa e na América Latina, a Factorenergia avalia que sua experiência em mercados já liberalizados poderá ser um diferencial competitivo no processo de transformação do setor elétrico brasileiro.

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Inteligência artificial está no centro da operação

A tecnologia é um dos pilares da estratégia global da companhia. Atualmente, a Factorenergia administra mais de 350 mil pontos de fornecimento de energia e gás em diferentes países, operando com uma estrutura de aproximadamente 400 colaboradores.

O COO da Factorenergia Brasil, Gabriel Barreto, destaca que a inteligência artificial já desempenha papel relevante nas operações internacionais da empresa: “Cerca de 74% do nosso atendimento ao cliente já é realizado por inteligência artificial desenvolvida por uma equipe dedicada na Espanha. A tecnologia faz parte do DNA da companhia e está integrada praticamente em todos os nossos processos.”

As plataformas digitais utilizadas pela empresa estão sendo adaptadas às particularidades regulatórias, tributárias e operacionais do mercado brasileiro, com o objetivo de permitir a expansão da base de consumidores à medida que o mercado evoluir.

Pequenas e médias empresas são prioridade no Brasil

Embora tenha capacidade para atender consumidores de diferentes perfis, a Factorenergia enxerga nas PMEs um dos principais vetores de crescimento do mercado livre de energia no país. A companhia avalia que parte significativa desse segmento ainda enfrenta dificuldades para compreender e operacionalizar a migração para o Ambiente de Contratação Livre (ACL), criando oportunidades para modelos mais simplificados e digitalizados de gestão energética.

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Ao abordar o potencial da abertura do mercado, Gabriel Barreto afirma que a proposta da empresa vai além da comercialização de energia: “A abertura representa uma mudança estrutural. Nosso objetivo é simplificar toda a gestão energética do cliente e oferecer soluções completas, reduzindo custos e aumentando competitividade.”

O modelo de negócios da empresa segue o conceito de one stop shop, permitindo que os consumidores concentrem em um único fornecedor diferentes soluções voltadas à gestão energética.

Armazenamento por baterias integra estratégia de crescimento

Os sistemas de armazenamento por baterias também ocupam posição estratégica no plano de expansão da companhia no Brasil.

Segundo estudos desenvolvidos pela própria empresa, consumidores com contas mensais de energia entre R$ 15 mil e R$ 20 mil podem obter economias entre 17% e 25% ao combinar contratos no mercado livre com sistemas BESS. Além da redução de custos, a tecnologia pode contribuir para melhorar a qualidade do fornecimento e aumentar a flexibilidade operacional dos consumidores.

Os primeiros projetos-piloto já estão sendo desenvolvidos nos estados da Bahia e do Pará, integrando soluções de armazenamento a contratos de longo prazo no mercado livre de energia.

Regulação será determinante para o avanço do mercado

Apesar das perspectivas positivas, a expansão do mercado livre para consumidores de menor porte ainda depende da definição de diversos aspectos regulatórios. Entre os temas considerados prioritários pela companhia estão a regulamentação do Supridor de Última Instância (SUI), os critérios de contratação dos consumidores, a implantação dos medidores inteligentes (smart meters) e os modelos de faturamento entre distribuidoras e comercializadoras.

Na avaliação do executivo, a experiência internacional demonstra que a abertura dos mercados varejistas de energia ocorre de forma gradual: “A experiência internacional mostra que a abertura não acontece de forma instantânea. É um processo que normalmente leva entre cinco e dez anos até atingir maturidade.”

A modernização da infraestrutura de medição também é apontada pela empresa como um dos elementos fundamentais para garantir maior eficiência operacional e competitividade ao novo ambiente de contratação.

Brasil torna-se mercado estratégico após aquisição pela Marubeni

A chegada da Factorenergia ao Brasil ocorre em um momento de fortalecimento internacional do grupo. Recentemente, 85% do capital da companhia foram adquiridos pela SmartestEnergy, empresa controlada pelo conglomerado japonês Marubeni Corporation, ampliando sua capacidade financeira e tecnológica.

A empresa avalia que o posicionamento antecipado no mercado brasileiro poderá representar uma vantagem competitiva diante das mudanças regulatórias previstas para os próximos anos: “Estar preparado antes da abertura efetiva do mercado nos permitirá iniciar esse novo ciclo com uma estrutura já consolidada para atender dezenas de milhares de consumidores.”

A operação brasileira inicia suas atividades com escritórios em São Paulo, Recife e Goiânia, oferecendo um portfólio voltado à gestão integrada de soluções energéticas para o mercado corporativo.

A estratégia da companhia reflete uma tendência observada nos mercados mais maduros de energia, nos quais a competição deixa de estar concentrada apenas no preço da energia e passa a incorporar serviços de gestão do consumo, digitalização, armazenamento e soluções voltadas à transição energética.

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