ANA abre consulta pública da Agenda Regulatória 2027-2028 com foco em tarifas de saneamento e segurança de barragens

Proposta prevê novas normas para drenagem urbana, resíduos sólidos, cobrança pelo uso da água e gestão de infraestruturas hídricas da União

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) aprovou a abertura da consulta pública da proposta de Agenda Regulatória para o biênio 2027-2028, documento que define as prioridades regulatórias da autarquia para os próximos dois anos. A iniciativa contempla temas estratégicos para os setores de saneamento básico e recursos hídricos, incluindo a elaboração de novas normas de referência para tarifas de drenagem urbana e manejo de resíduos sólidos, além da revisão de regras relacionadas à segurança de barragens e à gestão de infraestruturas hídricas federais.

A consulta pública ficará aberta por 45 dias e faz parte do processo de participação social conduzido pela agência para subsidiar a definição das ações regulatórias que serão desenvolvidas ao longo do período.

A proposta reforça o papel da ANA na uniformização da regulação do saneamento básico no Brasil, atribuição estabelecida pelo novo marco legal do setor, ao mesmo tempo em que amplia o debate sobre instrumentos voltados à gestão dos recursos hídricos de domínio da União.

- Advertisement -

Tarifas de drenagem urbana e resíduos sólidos entram na agenda regulatória

Entre os principais temas incluídos na proposta está a elaboração de Normas de Referência (NRs) voltadas à regulação tarifária dos serviços de drenagem e manejo de águas pluviais urbanas, além do manejo de resíduos sólidos urbanos.

A expectativa da agência é iniciar as discussões técnicas sobre esses temas entre o segundo semestre de 2027 e o início de 2028. As futuras normas deverão estabelecer diretrizes nacionais para estrutura tarifária, mecanismos de reajuste e revisão tarifária, bem como critérios para cobrança dos serviços.

A iniciativa busca ampliar a previsibilidade regulatória para municípios, operadores privados e companhias de saneamento que atuam em projetos de concessão e parcerias público-privadas (PPPs). Além da modelagem tarifária, a agenda contempla a elaboração de normas relacionadas à subdelegação dos serviços públicos de água, esgoto e resíduos sólidos, bem como à padronização da contabilidade regulatória aplicada ao manejo de resíduos urbanos.

Cronograma regulatório é ajustado para o próximo biênio

A proposta da ANA também promove ajustes no cronograma regulatório previamente estabelecido para alguns temas considerados prioritários.

- Advertisement -

As discussões sobre padrões e indicadores operacionais dos serviços de drenagem urbana e manejo de águas pluviais, inicialmente previstas para ciclos anteriores, foram reprogramadas para o segundo semestre de 2027. Já os debates relacionados aos critérios de elegibilidade das Entidades Reguladoras Infranacionais (ERIs) e às etapas do programa Pró-Saneamento deverão ser iniciados apenas no segundo semestre de 2028.

Ao todo, a Superintendência de Regulação de Saneamento Básico da ANA definiu sete temas prioritários para orientar as atividades regulatórias do período, refletindo a necessidade de ampliar a harmonização das regras aplicáveis ao setor em âmbito nacional.

Segurança de barragens e recursos hídricos ganham destaque

Além das iniciativas voltadas ao saneamento básico, a Agenda Regulatória 2027-2028 dedica espaço relevante à gestão dos recursos hídricos e à segurança de infraestruturas sob responsabilidade da União. Entre as medidas previstas está a regulamentação das outorgas para barragens destinadas a usos múltiplos da água, excluindo os empreendimentos hidrelétricos, além da revisão da resolução que estabelece critérios de segurança, inspeção e monitoramento dessas estruturas.

Os temas possuem impacto direto sobre setores econômicos intensivos no uso dos recursos hídricos, como abastecimento público, agricultura irrigada e atividades industriais. No âmbito da infraestrutura hídrica federal, a ANA pretende regulamentar sua atuação nos processos de coordenação e supervisão da descentralização das atividades de operação e manutenção dos ativos pertencentes à União.

A proposta também inclui estudos voltados à redução da inadimplência no pagamento da cobrança pelo uso dos recursos hídricos em corpos d’água de domínio federal, tema considerado relevante para a sustentabilidade financeira dos instrumentos de gestão hídrica.

Gestão de bacias hidrográficas integra prioridades da ANA

A agenda regulatória ainda prevê a revisão do marco regulatório do Sistema Hídrico Armando Ribeiro Gonçalves-Mendubim e a elaboração das diretrizes para o marco regulatório integrado da bacia hidrográfica do Rio Carinhanha, localizada na divisa entre Minas Gerais e Bahia.

As iniciativas fazem parte do esforço da agência para aperfeiçoar os mecanismos de governança dos recursos hídricos em sistemas considerados estratégicos para o abastecimento e o desenvolvimento regional.

A abertura da consulta pública representa mais uma etapa do processo de consolidação das atribuições regulatórias conferidas à ANA pelo marco legal do saneamento básico. Ao estabelecer prioridades para o próximo biênio, a agência busca ampliar a segurança jurídica, promover maior uniformidade regulatória e fortalecer a gestão sustentável dos recursos hídricos no país.

Destaques da Semana

CNPE convoca reunião extraordinária para votar regras dos leilões do gás da União

Conselho deliberará sobre as diretrizes para comercialização do gás...

Setor elétrico forma frente unitária contra “jabutis” no PL 5.017 no Senado

Nove entidades de toda a cadeia do setor elétrico...

EUA e Arábia Saudita fecham acordo nuclear que pode redefinir equilíbrio energético e geopolítico no Oriente Médio

Pacto permite enriquecimento de urânio com tecnologia norte-americana sem...

ANEEL nega efeito suspensivo e mantém desligamento da 2W Comercializadora da CCEE

Diretoria colegiada rejeita pleito de comercializadora em recuperação judicial...

Artigos

Últimas Notícias