Neoenergia registra EBITDA de R$ 3,55 bi no 2T26 e eleva RAB de distribuição para R$ 47,3 bi

Lucro líquido de R$ 900 milhões reflete base atípica de 2025; grupo aportou R$ 3,7 bilhões em redes no semestre e renovou concessões por mais 30 anos

A Neoenergia (NEOE3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido atribuível aos controladores de R$ 900 milhões, resultado 45% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apesar da retração, a companhia destaca que a comparação é impactada por uma base excepcionalmente elevada em 2025, quando o balanço incorporou um efeito tributário não recorrente decorrente do reconhecimento de indébitos fiscais.

Desconsiderando esse fator extraordinário, os indicadores operacionais e financeiros do grupo mostram continuidade na expansão dos negócios, sustentada principalmente pelo desempenho da distribuição de energia. O trimestre foi marcado pelo crescimento do EBITDA, aumento da margem bruta, ampliação da base de clientes e um forte ciclo de investimentos concentrado na modernização das redes elétricas.

Ao mesmo tempo, a renovação das concessões da Neoenergia Coelba, Neoenergia Cosern e Elektro por mais 30 anos reforça a previsibilidade dos ativos regulados da companhia e consolida uma estratégia voltada para expansão da infraestrutura de distribuição em um cenário de aumento da demanda por eletricidade e digitalização das redes.

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Lucro recua por efeito extraordinário, mas geração operacional avança

Entre abril e junho, a Neoenergia registrou receita líquida de R$ 12,57 bilhões, redução de 2,3% em relação aos R$ 12,86 bilhões apurados no segundo trimestre de 2025. O principal destaque financeiro ficou por conta do EBITDA, que alcançou R$ 3,55 bilhões, crescimento de 11% na comparação anual. A evolução evidencia o fortalecimento da geração operacional de caixa da companhia, mesmo em um ambiente de receitas relativamente estáveis.

Outro indicador que reforça esse desempenho foi a margem bruta, que avançou 5% no período, atingindo R$ 4,64 bilhões. No acumulado do primeiro semestre, o lucro líquido chegou a R$ 2,18 bilhões, redução de 17% frente aos seis primeiros meses de 2025, mantendo o impacto da elevada base de comparação provocada pelo reconhecimento extraordinário de créditos tributários registrado no ano anterior.

Distribuição concentra investimentos e amplia base regulatória

O segmento de distribuição permaneceu como principal foco estratégico da companhia ao longo do semestre. Dos R$ 4 bilhões investidos entre janeiro e junho, aproximadamente R$ 3,7 bilhões foram destinados à expansão, modernização e reforço das redes elétricas das distribuidoras controladas pelo grupo.

Como consequência, a Base de Remuneração Regulatória (RAB) atingiu R$ 47,3 bilhões, fortalecendo um dos principais indicadores de valor das concessionárias de distribuição e ampliando a capacidade futura de geração de receita regulada.

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Esse movimento ocorre em um momento em que o setor elétrico intensifica investimentos voltados à digitalização das redes, automação, integração da geração distribuída e aumento da resiliência dos sistemas diante do crescimento do consumo e da maior incidência de eventos climáticos extremos.

Mercado consumidor mantém trajetória de expansão

Os indicadores operacionais divulgados pela Neoenergia mostram que a companhia continua ampliando sua presença no mercado brasileiro de distribuição. Ao final de junho, a empresa atendia 17,2 milhões de unidades consumidoras, crescimento de 2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A energia injetada no sistema, incluindo a geração distribuída, alcançou 22.653 GWh, alta de 3% na comparação anual. Já a energia efetivamente distribuída totalizou 19.559 GWh, avanço de 1%. Em seu balanço, a companhia atribuiu o desempenho ao crescimento contínuo da base de consumidores, que compensou os efeitos das temperaturas mais amenas registradas durante o trimestre: “A energia distribuída foi de 19.559 GWh no 2T26 (+1,0% vs. 2T25) em razão da maior base de clientes que compensou as menores temperaturas.”

O resultado evidencia que, mesmo diante de fatores climáticos menos favoráveis ao consumo residencial, o aumento do número de consumidores sustentou a expansão da carga distribuída.

Renovação das concessões fortalece estratégia de longo prazo

Entre os principais acontecimentos do trimestre está a renovação antecipada, por mais 30 anos, das concessões das distribuidoras Neoenergia Coelba, Neoenergia Cosern e Elektro.

A extensão dos contratos reforça a previsibilidade regulatória da companhia e cria condições para a continuidade dos investimentos em expansão e modernização das redes de distribuição, segmento considerado estratégico para a transição energética brasileira. A manutenção das concessões também preserva uma parcela relevante dos ativos regulados do grupo, garantindo estabilidade para futuros ciclos de investimento.

Estrutura financeira permanece sólida

Mesmo com o elevado volume de investimentos realizado no semestre, a Neoenergia manteve uma estrutura financeira considerada robusta. A relação entre dívida líquida e EBITDA encerrou junho em 3,48 vezes, ligeiramente acima das 3,41 vezes registradas ao final de 2025, refletindo o ritmo de expansão do plano de investimentos.

Outro indicador relevante foi a manutenção da classificação de risco corporativo “AAA” pela agência S&P, reforçando a percepção positiva do mercado sobre a capacidade financeira da companhia e seu perfil de crédito.

Além dos resultados financeiros, a Neoenergia destacou como principais marcos do trimestre o crescimento de 3% da energia injetada, incluindo geração distribuída, o controle das despesas operacionais e a renovação das concessões de distribuição, fatores que sustentam sua estratégia de crescimento no longo prazo.

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