Companhia implementa planos em 14 usinas hidrelétricas, que concentram 76% de sua capacidade instalada, e amplia gestão de riscos climáticos com foco em infraestrutura, biodiversidade, operação e comunidades
A adaptação às mudanças climáticas deixou de ser uma agenda restrita às políticas de sustentabilidade e passou a integrar a estratégia operacional das empresas do setor elétrico. Diante da maior frequência de eventos meteorológicos extremos e da necessidade de garantir a confiabilidade do sistema, geradoras e transmissoras vêm incorporando critérios de resiliência climática ao planejamento de seus ativos.
Nesse contexto, a AXIA Energia anunciou a implementação de planos de adaptação climática em 14 hidrelétricas consideradas prioritárias. As unidades representam 76% da capacidade instalada da companhia e passam a contar com diretrizes voltadas à redução de riscos operacionais, fortalecimento da infraestrutura, preservação ambiental e relacionamento com as comunidades localizadas nas áreas de influência dos empreendimentos.
A iniciativa integra o caderno Clima e Natureza, publicado pela empresa no fim de maio, e amplia a incorporação de critérios ESG à gestão dos ativos de geração e transmissão.
Hidrelétricas passam a incorporar gestão climática à operação
Os planos foram estruturados para preparar as usinas diante dos impactos das mudanças climáticas sobre os regimes hidrológicos, a ocorrência de chuvas intensas, períodos prolongados de estiagem e outros fenômenos que afetam diretamente a operação hidrelétrica. Entre as principais medidas previstas estão a modernização da infraestrutura, o aperfeiçoamento da gestão de cheias, o monitoramento contínuo dos níveis dos reservatórios e ações voltadas à manutenção da disponibilidade hídrica em diferentes períodos do ano.
A estratégia também incorpora instrumentos para apoiar decisões operacionais em cenários climáticos mais complexos, reduzindo a exposição dos ativos a interrupções e aumentando sua capacidade de resposta.
Ao apresentar a iniciativa, a vice-presidente de Governança e Sustentabilidade da AXIA Energia, Camila Gualda, destaca que a diversidade geográfica dos empreendimentos exige uma abordagem integrada de gestão de riscos: “Possuímos um portfólio amplo, presente em diversas regiões do país e sujeito a diferentes condições meteorológicas e a eventos extremos. Nesse contexto, desenvolvemos um plano de adaptação climática com o objetivo de fortalecer a integração entre natureza, estratégia e gestão de riscos para apoiar a tomada de decisões da companhia em nossos ativos.”
Soluções baseadas na natureza ganham espaço na estratégia
Além das intervenções voltadas à infraestrutura, o programa amplia o papel da conservação ambiental na gestão dos empreendimentos. Entre as ações previstas estão projetos de reflorestamento em áreas consideradas estratégicas, mapeamento dos serviços ecossistêmicos das bacias hidrográficas e iniciativas destinadas à preservação dos recursos naturais que contribuem para a manutenção da disponibilidade hídrica.
A proposta segue uma tendência crescente no setor elétrico, que passou a considerar soluções baseadas na natureza como instrumentos complementares para reduzir riscos climáticos, fortalecer a segurança hídrica e ampliar a sustentabilidade operacional das usinas.
Comunidades e Defesa Civil integram estratégia preventiva
Outro eixo do programa concentra-se na preparação para eventos extremos e na articulação institucional. Os planos contemplam o aprimoramento dos sistemas de alerta em conjunto com a Defesa Civil, maior participação nos comitês de bacias hidrográficas e o fortalecimento das ações de relacionamento com as comunidades do entorno das hidrelétricas.
A inclusão desses elementos busca ampliar a capacidade de resposta em situações críticas e consolidar mecanismos permanentes de diálogo entre a empresa, os órgãos públicos e a população das regiões onde os empreendimentos estão inseridos.
Linhas de transmissão e subestações também entram no plano
A estratégia climática da AXIA Energia não se limita aos ativos de geração. As linhas de transmissão e subestações operadas pela companhia também passarão a incorporar ferramentas de monitoramento meteorológico e revisão dos critérios de engenharia para enfrentar eventos extremos. Entre as medidas previstas estão a utilização de modelos de previsão climática para acompanhamento de ventos intensos e descargas atmosféricas, permitindo decisões operacionais mais rápidas e maior previsibilidade sobre riscos à infraestrutura.
O plano inclui ainda revisões de projetos com base em cenários climáticos futuros, reforços estruturais, adoção de soluções tecnológicas para reduzir vulnerabilidades e programas de manutenção preventiva alinhados aos riscos meteorológicos identificados em cada região.



