Plano Decenal de Expansão de Energia prevê crescimento de 110 GW na capacidade instalada até 2035 e incorpora temas como transição energética justa, pobreza energética e resiliência climática.
O Ministério de Minas e Energia (MME) oficializou nesta quinta-feira (2) a aprovação do Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 (PDE 2035), principal instrumento de planejamento energético de médio prazo do país. Publicado por meio de portaria no Diário Oficial da União (DOU), o documento elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estabelece as diretrizes para a expansão da oferta e da demanda na próxima década e sinaliza investimentos de aproximadamente R$ 3,5 trilhões em toda a cadeia do setor.
A nova edição do plano reforça a estratégia brasileira de consolidar uma matriz de baixo carbono. O relatório expande o escopo tradicional do setor para colocar em pauta dilemas socioambientais urgentes, funcionando como uma bússola para decisões de investimentos privados, formulação de políticas públicas e desenvolvimento da infraestrutura necessária para sustentar o crescimento econômico do país.
Demanda de energia cresce e renováveis ampliam protagonismo
As projeções da EPE apontam para um crescimento médio anual de 1,8% no consumo final de energia até 2035, impulsionado pela expansão da atividade econômica e pelo avanço do consumo nos segmentos de transporte, indústria, comércio, serviços e setor residencial.
Para atender a essa demanda, a oferta interna de energia deverá avançar a uma taxa média de 2,3% ao ano. Mesmo com a robusta expansão do sistema, o Brasil manterá uma das matrizes mais limpas do planeta: a participação das fontes renováveis deverá atingir 51% da oferta interna de energia em 2035, percentual significativamente superior à média mundial.
No segmento elétrico, a liderança limpa é ainda mais expressiva. O PDE estima que mais de 85% da geração de energia elétrica do país continuará sendo proveniente de fontes renováveis, com destaque para a expansão da geração solar, da energia eólica e da geração distribuída.
Capacidade instalada deve avançar para 367 GW
O planejamento prevê uma expansão de aproximadamente 110 GW na capacidade instalada de geração elétrica ao longo da próxima década. O parque gerador brasileiro deverá saltar dos atuais 255 GW para cerca de 367 GW no fim do período projetado.
O crescimento será liderado por projetos de geração renovável, consolidando o país como um dos principais mercados globais para atração de capital verde e fortalecendo sua posição na transição energética internacional. Os aportes estimados abrangem os diversos segmentos, incluindo geração, transmissão, combustíveis, infraestrutura logística e tecnologias voltadas à descarbonização.
Na avaliação do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o novo plano amplia o papel do planejamento como instrumento de desenvolvimento econômico e social: “O plano projeta a expansão da oferta de energia com forte protagonismo das fontes renováveis, ao mesmo tempo em que incorpora temas essenciais como segurança energética, inclusão social, combate à pobreza energética e adaptação às mudanças climáticas. Trata-se de um instrumento fundamental para orientar investimentos, fortalecer a competitividade do país e garantir que o desenvolvimento do setor ocorra de forma sustentável, justa e resiliente.”
Transição energética incorpora dimensão social
Pela primeira vez, o PDE examina de maneira estruturada os impactos sociais da transformação energética. O documento está alinhado à Política Nacional de Transição Energética (PNTE) e ao Plano Nacional de Transição Energética (Plante), incorporando análises relacionadas à geração de empregos verdes, requalificação profissional e desenvolvimento regional.
O planejamento também dedica atenção especial à questão da pobreza energética. Embora o acesso físico à eletricidade esteja praticamente universalizado no Brasil, o documento reconhece que ainda há desafios relacionados ao acesso econômico à energia, especialmente entre famílias de baixa renda. A nova diretriz busca assegurar que os benefícios da transição sejam distribuídos de forma equilibrada, reduzindo desigualdades regionais.
Planejamento participativo reforça legitimidade do PDE
A elaboração do PDE 2035 teve início no fim de 2024 e foi submetida à Consulta Pública nº 214/2026, realizada entre fevereiro e março deste ano. O processo recebeu 846 contribuições de 62 instituições de diversos segmentos da sociedade, incluindo agentes do setor elétrico, associações empresariais, entidades acadêmicas e organizações da sociedade civil.
As sugestões foram analisadas pelas equipes técnicas da EPE e resultaram em aperfeiçoamentos na versão final do plano. Além do relatório principal, o processo contou com a publicação de 15 cadernos temáticos e uma plataforma interativa contendo os principais indicadores e projeções do planejamento energético brasileiro, servindo como um sólido norte de previsibilidade para o mercado global.



