MME aciona distribuidoras e atinge cobertura total no fornecimento de GLP social

Estratégia logística expande alcance do programa para 15 milhões de famílias e atende 735 municípios por meio de ações complementares de distribuidoras.

O Ministério de Minas e Energia (MME) consolidou a universalização do acesso ao Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) para a população de baixa renda no Brasil. Por meio de uma estratégia que combinou a capilarização da rede varejista tradicional e planos de contingência logística desenhados pelas companhias distribuidoras, o programa Gás do Povo atingiu a meta de 100% de cobertura geográfica, eliminando os vazios de atendimento que afetavam as regiões periféricas e o interior do país.

A política pública foi desenhada para dar cumprimento às metas de erradicação da pobreza energética estabelecidas no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 7 da Organização das Nações Unidas (ONU). O fechamento do circuito de abastecimento ocorre em um momento de consolidação de dados de segurança alimentar, após relatórios da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU) chancelarem a manutenção do Brasil fora do Mapa da Fome.

Logística de capilaridade e atendimento a municípios isolados

O desenho operacional do programa baseia-se em um modelo de credenciamento direto que hoje mobiliza uma rede de mais de 26 mil revendas independentes de GLP. Essa estrutura comercial garante o fornecimento regular em 4.836 municípios, cobrindo de forma direta 86% das cidades brasileiras. Nesses centros urbanos estão concentradas 14,7 milhões de famílias elegíveis, universo que absorveu o grosso das cerca de 15 milhões de recargas distribuídas desde o início da iniciativa.

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O principal desafio para a universalização da política, contudo, residia em uma franja de 735 municípios que não apresentavam pontos de venda formalmente credenciados. Nessas localidades, que abrigam cerca de 365 mil famílias (o equivalente a 2,4% do público-alvo total), o fluxo de abastecimento corria o risco de sofrer interrupções ou inviabilidade econômica por barreiras de frete.

Para contornar o gargalo geográfico, o MME coordenou junto às empresas distribuidoras de GLP a formatação de planos de atendimento alternativos. Essas rotas de suprimento complementar funcionam como redes de distribuição ativa, mobilizando unidades móveis de entrega ou postos temporários de retirada para assegurar que o benefício físico chegue às localidades desprovidas de varejo fixo.

Ao detalhar o impacto da governança logística sobre os indicadores de vulnerabilidade social, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ressaltou o papel da capilarização dos combustíveis sociais: “Não basta criar um programa social, é preciso garantir que ele chegue até o último brasileiro que precisa dele. Hoje, com 100% de cobertura, podemos dizer que nenhuma família elegível ficará de fora do Gás do Povo, em nenhum canto do país.”

Recortes de gênero e combate à pobreza energética

A modelagem cadastral do Gás do Povo também apresenta um forte componente de foco em gênero. Das famílias atualmente atendidas pelo programa, 14 milhões têm mulheres registradas como chefes e responsáveis pela unidade familiar. O número representa 93% dos domicílios totais auxiliados pela medida governamental.

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Especialistas do setor de energia e infraestrutura apontam que a substituição do GLP por combustíveis rudimentares, como lenha, carvão vegetal ou resíduos agrícolas, prática comum em cenários de forte inflação energética, gera impactos severos na saúde pública devido à poluição interna nos domicílios, afetando predominantemente mulheres e crianças. A garantia de fornecimento contínuo de GLP atua de forma direta na mitigação desses riscos e na redução do tempo despendido no trabalho doméstico não remunerado.

Com a consolidação da malha de atendimento e a inclusão das últimas cidades remanescentes pelas distribuidoras, o Gás do Povo passa a figurar nos monitoramentos internacionais como um dos maiores programas de transferência de energia e combate à pobreza energética do mundo, balizando a infraestrutura de refino e distribuição nacional para a manutenção desse patamar de abastecimento contínuo.

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