Leilão da Aneel destrava projetos paralisados e reforça segurança regulatória na transmissão, avalia Thymos Energia

Certame relicita quatro lotes que tiveram concessões interrompidas, atrai deságio médio de 53,2% e viabiliza R$ 1,76 bilhão em novos investimentos em São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul

A segunda sessão do Leilão de Transmissão nº 001/2026, realizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na última sexta-feira (3/7), na B3, marcou a retomada de empreendimentos considerados estratégicos para a expansão da Rede Básica. O certame relicita quatro lotes originalmente concedidos nos leilões de 2020 e 2021, cujas obras não avançaram após o descumprimento dos contratos pelos antigos concessionários.

Com investimentos estimados em R$ 1,76 bilhão, os projetos contemplam 61 quilômetros de linhas de transmissão e 2.400 MVA de capacidade de transformação, distribuídos entre os estados de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O leilão registrou deságio médio de 53,2%, o terceiro maior percentual observado desde 2017, além de uma economia estimada em R$ 4,2 bilhões para os consumidores ao longo da vigência das concessões.

Na avaliação da consultoria Thymos Energia, o principal resultado do certame vai além da competição tarifária. A relicitação encerra um processo regulatório que se arrastava há vários anos e devolve ao cronograma obras consideradas importantes para a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).

- Advertisement -

Certame redistribui empreendimentos que estavam paralisados

Os quatro lotes ofertados correspondem a ativos cujas concessões haviam sido licitadas anteriormente, mas não chegaram à fase de implantação. Após o descumprimento dos cronogramas pelos concessionários originais, a Aneel recomendou ao Ministério de Minas e Energia a caducidade das concessões, dando início ao processo que culminou na nova licitação.

A Axia Energia venceu os lotes 8, 9 e 10, apresentando deságios entre 51,8% e 59%. Já o Consórcio Olympus XX, formado por Alupar e Infra 2 Invest, conquistou o lote 7, o maior da licitação, que concentra investimentos de aproximadamente R$ 1,09 bilhão. Entre as principais obras previstas está a implantação de linhas subterrâneas em 345 kV, destinadas ao reforço do abastecimento elétrico da Região Metropolitana de São Paulo e do ABC Paulista.

Solução negociada permitiu relicitação dos ativos

O processo de retomada dos empreendimentos envolveu uma negociação entre os órgãos reguladores e os antigos concessionários.

O diretor de Consultoria da Thymos Energia, Fillipe Soares, explica que a solução foi construída após análise do Tribunal de Contas da União (TCU): “Após análise do TCU, foi aprovada uma solução consensual: a devolução dos quatro relicitados hoje, a manutenção de apenas um ativo com a empresa e a aplicação de multas de cerca de R$ 38,5 milhões.”

- Advertisement -

O acordo permitiu encerrar o impasse regulatório e viabilizar a realização de um novo leilão para os empreendimentos que permaneciam sem execução.

Atraso adia expansão da rede em até quatro anos

Embora a relicitação permita a retomada dos investimentos, a interrupção das concessões produziu impactos relevantes sobre o cronograma de expansão da transmissão.

Segundo Fillipe Soares, o intervalo entre a recomendação de caducidade e a realização do novo leilão retardou significativamente a entrada em operação dos empreendimentos: “Todo o processo – da recomendação de caducidade à relicitação – adiou em pelo menos quatro anos a entrada em operação dos empreendimentos e as obras agora têm entrega prevista para dezembro de 2029, no caso dos lotes da Axia, e até setembro de 2031 para o lote do Consórcio Olympus XX.”

Esse atraso postergou reforços considerados importantes para o atendimento da demanda elétrica, especialmente em regiões com crescimento do consumo e necessidade de ampliação da capacidade de transformação.

Encerramento do processo fortalece previsibilidade regulatória

Para a Thymos Energia, a conclusão da relicitação representa um avanço institucional ao estabelecer uma solução definitiva para ativos que permaneceram paralisados durante vários anos. Na avaliação da consultoria, o encerramento do processo reduz incertezas para investidores e reforça os mecanismos regulatórios aplicáveis aos contratos de transmissão.

Ao analisar os desdobramentos da licitação, Fillipe Soares destaca os efeitos para o planejamento da expansão do sistema: “A conclusão do processo traz maior segurança regulatória, dá um direcional a projetos que haviam sido interrompidos após o descumprimento dos contratos originais, permitindo o avanço de obras essenciais ao fortalecimento da infraestrutura de transmissão.”

Além de reativar investimentos, a relicitação restabelece o cronograma de obras que integram o planejamento da expansão da Rede Básica e contribuem para aumentar a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional.

Destaques da Semana

MPTCU sugere solução consensual no TCU para impasse da Enel São Paulo

Movimentação ocorre enquanto Aneel avalia recomendar a caducidade da...

MME cobra da Aneel ponto focal para plano sobre continuidade da Enel SP

Ministério dá cinco dias para agência indicar responsável por...

CMSE encerra período seco com armazenamento de 61% no SIN, 5 pontos acima de 2025

Reservatórios fecharam setembro em condição mais favorável que no...

ANP arremata sete blocos do Pré-Sal e registra maior número de áreas vendidas na OPP

4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha movimentou R$...

ANEEL adia decisão sobre caducidade da concessão da Enel SP após pedido de vista

Diretor Gentil Nogueira interrompe julgamento e aponta necessidade de...

Artigos

Últimas Notícias