Home Óleo e Gás Biocombustíveis Safra de cana eleva oferta de etanol e derruba paridade com a...

Safra de cana eleva oferta de etanol e derruba paridade com a gasolina para 67,9% em junho

Safra de cana eleva oferta de etanol e derruba paridade com a gasolina para 67,9% em junho

Indicador Veloe/Fipe atinge o menor patamar desde março de 2024; biocombustível interrompe ciclo de alta, enquanto derivados de petróleo acumulam pressões no primeiro semestre.

A dinâmica de preços dos combustíveis no mercado brasileiro registrou uma importante inversão de tendência no encerramento do primeiro semestre. Impulsionado pelo avanço da moagem de cana-de-açúcar na região Centro-Sul, o etanol hidratado recuperou competitividade e voltou a ser a opção mais vantajosa para os proprietários de veículos flex.

Os dados constam no Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe, desenvolvido com suporte técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O levantamento aponta que a paridade média nacional entre o biocombustível e a gasolina comum recuou para 67,9% em junho, cruzando a linha psicológica e técnica dos 70%, utilizada como referência para a tomada de decisão econômica nos postos de abastecimento. Este é o menor patamar registrado pelo indicador desde março de 2024.

Nas capitais e grandes centros urbanos, o movimento de acomodação seguiu trajetória semelhante, com a relação média fixada em 68,5%. O resultado interrompe um período prolongado de pressão sobre o biocombustível, cujos preços vinham flutuando próximos ou acima do limite de viabilidade financeira.

Retração de preços e o impacto do pico da safra no Centro-Sul

A melhora no custo-benefício do etanol foi ancorada por uma retração de 4,7% no preço médio do hidratado na comparação mensal com maio. Essa foi a deflação mais expressiva mapeada pelo Monitor entre todos os combustíveis acompanhados, posicionando o preço médio do litro nacional em R$ 4,265, enquanto a média ponderada nas capitais fechou o período em R$ 4,425.

Esse recuo acentuado é explicado pelo ciclo de oferta. O progresso da safra de cana-de-açúcar ampliou a disponibilidade física do combustível renovável nas usinas e distribuidoras, forçando uma redução repassada na ponta final da cadeia de suprimentos.

Por outro lado, as variações registradas nos combustíveis fósseis concorrentes foram sensivelmente mais modestas. A gasolina comum apresentou recuo mensal de apenas 0,3%, com preço médio negociado a R$ 6,727 por litro, mesmo percentual de queda verificado na gasolina aditivada, que encerrou junho cotada a R$ 6,866.

Nos demais derivados de petróleo, a tendência deflacionária também deu o tom do mês, embora motivada por variáveis distintas. O diesel comum recuou 2% em junho, atingindo o preço médio de R$ 6,988 por litro, enquanto o diesel S-10 registrou queda de 1,4%, comercializado a R$ 7,111. A única contratendência do período foi o GNV (Gás Natural Veicular), que se valorizou 1,4%, com preço médio de R$ 4,654.

Balanço do semestre: diesel lidera altas acumuladas e mercado internacional arrefece

Apesar do alívio pontual verificado nas bombas ao longo de junho, o acumulado do primeiro semestre ainda impõe custos elevados para as frotas logísticas e consumidores. Os combustíveis derivados de petróleo carregam o impacto dos reajustes acumulados nos primeiros meses do ano. O óleo diesel, principal insumo do transporte rodoviário de cargas, consolida-se como o combustível de maior volatilidade e alta no ano: o tipo S-10 acumula valorização de 15,1% no primeiro semestre, acompanhado de perto pelo diesel comum, com alta de 14,1%.

A gasolina comum acumula avanço de 7,1% no período, enquanto a versão aditivada sobe 6,8%. Em contrapartida, o etanol hidratado configura-se como o único energético a registrar saldo negativo no acumulado dos primeiros seis meses do ano, com retração de 4,7%.

Ao analisar as forças macroeconômicas que atuaram sobre a formação de preços no encerramento do trimestre, o superintendente de Negócios B2B da Veloe, Mauro Kondo, pondera sobre a sustentabilidade do atual patamar de preços: “O comportamento dos preços em junho consolida um processo de acomodação iniciado no mês anterior, mas ainda não reverte integralmente as pressões acumuladas ao longo de 2026. A principal mudança ocorreu no etanol, cuja maior oferta elevou sua competitividade frente à gasolina, enquanto os derivados de petróleo continuam condicionados tanto ao cenário internacional quanto à dinâmica doméstica de repasses.”

O Monitor Veloe/Fipe detalha que o alívio nos preços internacionais do barril de petróleo refinado ocorreu em função de um ambiente geopolítico menos tensionado. A redução parcial dos prêmios de risco no exterior foi impulsionada pela normalização e retomada de parte do fluxo de embarcações de carga pelo Estreito de Hormuz.

Contudo, os analistas técnicos do relatório ressaltam que a velocidade dos repasses negativos ao consumidor final no mercado doméstico segue amortecida pelo nível aquecido da atividade econômica interna. O forte ritmo do transporte rodoviário mantém a demanda por combustíveis fósseis em patamares elevados, atuando como um piso de sustentação para os preços locais.

Comparativo interanual: o cenário frente a doze meses atrás

Quando confrontados com os dados registrados em igual período do ano anterior, os preços do segmento de transporte expõem a persistência da inflação de custos no setor de óleo e gás. O diesel S-10 e o diesel comum sustentam variações positivas expressivas de 16% e 15% em 12 meses, respectivamente. A gasolina comum acumula alta de 6,6% e a aditivada exibe variação de 6,2% na mesma base de comparação.

O contraponto de longo prazo permanece com os combustíveis alternativos e de transição. O etanol hidratado amarga uma deflação acumulada de 0,9% em doze meses, confirmando o ganho de eficiência da cadeia sucroenergética. O GNV, por sua vez, registra o recuo mais acentuado do indicador em base anual, com deflação consolidada de 3,4% frente a junho do ano passado.