Alessandra Davolio assume direção do CEPETRO com foco em transição energética e modernização de gestão

Primeira mulher a liderar o centro de pesquisas da Unicamp assume mandato 2026-2030; instituição gerencia R$ 189 milhões em novos aportes de P&D para projetos de óleo, gás, CCUS e hidrogênio.

O Centro de Estudos de Energia e Petróleo (CEPETRO) da Unicamp, uma das principais infraestruturas de pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico (P&D) voltadas ao setor de óleo, gás e novas energias no Brasil, formalizou uma mudança histórica em sua governança. Pela primeira vez desde a sua fundação, em 1987, a instituição será liderada por uma cientista mulher. A pesquisadora Alessandra Davolio Gomes tomou posse nesta quinta-feira (2/7) para o mandato correspondente ao quadriênio 2026-2030, assumindo a missão de gerenciar a expansão física e orçamentária do centro diante das exigências da transição energética global.

A nova diretora assume o cargo chancelada por uma trajetória que integra a academia à cadeia produtiva de alta complexidade. Com mais de duas décadas de atuação na área de engenharia de reservatórios, simulação numérica e sísmica 4D, Alessandra é egressa da própria Unicamp, onde concluiu toda a sua formação de pós-graduação. Antes de consolidar sua carreira de pesquisa no CEPETRO, acumulou experiência corporativa no mercado de operadoras, incluindo um período de quatro anos de atuação técnica na Petrobras.

Expansão da carteira de P&D e diversificação da matriz de projetos

A transição na liderança coincide com um ciclo de crescimento acelerado dos indicadores operacionais da instituição. Amparado pelas cláusulas de investimento obrigatório em P&D dos contratos de concessão e partilha de produção da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o CEPETRO registrou o início de 36 novos projetos de pesquisa apenas em 2025, captando um montante de R$ 189 milhões em novos aportes privados.

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Atualmente, a estrutura gerencia uma carteira ativa de 91 projetos de cooperação tecnológica, mobilizando um corpo técnico de mais de 700 profissionais, entre pesquisadores, engenheiros de dados e bolsistas, além de integrar 80 docentes distribuídos por dez unidades acadêmicas da Unicamp.

Embora o núcleo histórico do centro esteja ancorado na exploração e produção (E&P) em águas profundas e ultraprofundas, a governança para o próximo quadriênio prevê o adensamento de pesquisas voltadas a tecnologias de descarbonização e vetores energéticos limpos, tais como a captura e armazenamento de carbono (CCUS), hidrogênio de baixa emissão, combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), mobilidade elétrica e algoritmos de inteligência artificial aplicados à eficiência de redes elétricas.

Ao detalhar as diretrizes programáticas para o reposicionamento do portfólio tecnológico da instituição frente às metas globais de sustentabilidade, Alessandra Davolio Gomes aponta o peso atual dessas frentes de trabalho: “Hoje, cerca de 20% dos novos projetos do Centro já estão relacionados a esses temas. Nosso objetivo é fortalecer essas frentes de pesquisa, ampliar parcerias e posicionar o CEPETRO cada vez mais como uma referência em soluções para os desafios energéticos do futuro.”

Governança institucional, políticas públicas e eficiência interna

A complexidade do portfólio financeiro e a diversificação de laboratórios demandam uma reestruturação dos processos administrativos da entidade. Além de focar na excelência da pesquisa, a nova direção estabeleceu como prioridade a modernização dos mecanismos internos de compliance e a formação de equipes de apoio operacional, visando reduzir o tempo de resposta na execução de convênios assinados com grandes companhias internacionais de energia. O plano visa ainda ampliar a inserção dos relatórios técnicos produzidos na universidade nos fóruns de debate sobre segurança energética e na formulação de políticas públicas setoriais.

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Ao analisar as metas administrativas de longo prazo e a interface com o mercado e as agências reguladoras, a diretora enfatiza a necessidade de calibração estrutural da entidade: “O crescimento do CEPETRO exige que avancemos também na modernização da gestão e na organização interna. Precisamos garantir que nossa estrutura acompanhe a expansão das atividades de pesquisa, criando condições para que pesquisadores, estudantes e equipes técnicas possam atuar com ainda mais eficiência. Ao mesmo tempo, queremos fortalecer a integração entre universidade, indústria e sociedade, ampliar parcerias nacionais e internacionais e buscar novas fontes de financiamento para pesquisa.”

A nova gestão será composta também pela pesquisadora Vanessa Cristina Bizotto Guersoni no cargo de vice-diretora. A composição de uma liderança integralmente feminina na cúpula do CEPETRO é vista como um marco de representatividade para o segmento de ciências exatas e engenharias (STEM), onde a participação de mulheres em postos decisórios ainda enfrenta barreiras estruturais.

Ao avaliar o impacto de sua nomeação no cenário da engenharia e a relevância de ambientes plurais para o desenvolvimento científico, Alessandra Davolio Gomes defende a meritocracia pautada na inclusão: “Mais do que uma conquista individual, espero que isso ajude a mostrar que existe espaço para as mulheres ocuparem posições de liderança em áreas tradicionalmente masculinas. O fundamental é que as pessoas sejam reconhecidas por sua competência, dedicação e trajetória profissional, em ambientes cada vez mais diversos e inclusivos.”

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