Projetos em Pernambuco e na Bahia validam tecnologias emergentes de armazenamento (BESS), geração híbrida, planta de alta concentração e infraestrutura para data centers
O avanço da transição energética e a necessidade de conferir flexibilidade operativa ao Sistema Interligado Nacional (SIN) ganharam um laboratório de peso no Nordeste. A AXIA Energia concluiu a implantação de um polo de inovação tecnológica estruturado ao longo da bacia do Rio São Francisco, com ativos estratégicos em Petrolina (PE), Casa Nova (BA) e Sobradinho (BA).
O complexo demandou aportes que superam a marca de R$ 200 milhões, majoritariamente viabilizados por meio do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Focado no mapeamento real da intermitência das fontes limpas, o polo reúne sistemas de cogeração (eletricidade e calor), armazenamento em baterias (BESS) e cargas digitais controladas.
HCPV em Petrolina: a evolução da concentração solar e térmica
O projeto de maior complexidade de engenharia do complexo foi instalado no Centro de Referência de Energia Renovável de Petrolina (CRESP), em Pernambuco. Trata-se da Planta Solar Fotovoltaica de Alta Concentração de Torre Central (HCPV – High Concentration Photovoltaics), iniciativa que recebeu R$ 74 milhões em investimentos, sendo R$ 67,9 milhões oriundos do projeto de P&D nº PD-00048-0419/2020.
Diferente do arranjo fotovoltaico convencional, o projeto representa uma evolução das tecnologias de concentração solar (Concentrated Solar Power – CSP). A usina utiliza uma torre central de 40 metros de altura circundada por um campo de 247 heliostatos, espelhos que rastreiam automaticamente a posição do sol e direcionam o fluxo luminoso para o topo da estrutura. Ali, módulos fotovoltaicos de alta eficiência convertem a radiação concentrada.
O arranjo possui capacidade nominal de 1 MW para geração elétrica solar e, de forma simultânea, captura 2,2 MW de energia térmica por meio de circuitos fechados de água e sistemas avançados de resfriamento. Ao avaliar o horizonte de desenvolvimento comercial e científico aberto pela operação, o vice-presidente de Tecnologia e Inovação da AXIA, Juliano Dantas, contextualiza o papel da planta como um vetor para novos mercados: “A companhia vê o complexo de Petrolina como uma plataforma para testar novas aplicações energéticas. Entre elas estão o armazenamento térmico, a refrigeração industrial e a operação de data centers de alta eficiência. Este projeto é hoje referência para o desenvolvimento de soluções que integrem geração renovável, armazenamento de energia e infraestrutura digital no Brasil.”
Planta híbrida em Casa Nova mapeia comportamento da rede com BESS e Data Center
Na Bahia, no município de Casa Nova, o foco da companhia se voltou para a integração de fontes e a resposta dinâmica do sistema elétrico. Sob o projeto de P&D nº PD-00048-0217/2020, a AXIA investiu R$ 85 milhões na implantação da Planta Híbrida Inteligente. O laboratório opera de forma integrada ao parque eólico que a empresa já possui na região.
A configuração técnica foi desenhada para analisar o ciclo completo de geração e consumo. O arranjo conecta:
- Geração: Uma planta fotovoltaica de 1 MW associada a um aerogerador de 1,5 MW.
- Armazenamento: Um banco de baterias de lítio (BESS) com 1 MW de potência e 1,4 MWh de capacidade de armazenamento.
- Consumo de carga: Um data center de 1 MW atuando como carga de teste modular.
O objetivo central é quantificar cientificamente os impactos da intermitência eólica e solar na rede de distribuição, avaliando como o amortecimento por baterias melhora a qualidade da energia injetada. O vice-presidente de Tecnologia da AXIA reforça a relevância global da escala obtida no sertão baiano: “Esse conjunto faz da Planta Híbrida de Casa Nova uma das maiores unidades de pesquisa em energia renovável a céu aberto do mundo, permitindo estudos inéditos sobre integração de fontes, armazenamento, qualidade de energia e novos modelos operacionais.”
Sobradinho recebe solar flutuante e conectividade IoT
Fechando o cinturão tecnológico do Vale do São Francisco, a AXIA implementou no espelho d’água do reservatório da Usina Hidrelétrica de Sobradinho (BA) uma planta piloto de geração solar flutuante operada em conjunto com sistemas de baterias. O ativo flutuante tem potência instalada de 0,8 MWp e estimativa de geração média anual de 1,3 GWh.
A operação visa validar em escala real o comportamento mecânico e a degradação de flutuadores e módulos fotovoltaicos submetidos a condições severas de umidade e taxas de evaporação. Para garantir a precisão dos dados, a estrutura foi equipada com sensores baseados em Internet das Coisas (IoT) para monitoramento de variáveis ambientais em tempo contínuo. O sistema conta ainda com acoplamento elétrico inteligente na rede de média tensão local, atuando de forma estratégica no controle de flutuações e na otimização do despacho energético regional.



