Com a assinatura de novos contratos de 30 anos, companhia eleva investimentos em 32% e foca na resiliência climática e modernização das redes em MT, MS, PB e SE.
O Grupo Energisa consolidou, nesta sexta-feira (8), um marco decisivo para sua estratégia de longo prazo no mercado brasileiro de distribuição. Em cerimônia com o Ministério de Minas e Energia (MME), a holding assinou a renovação antecipada, por mais 30 anos, das concessões operadas em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba e Sergipe. O novo ciclo regulatório é acompanhado pelo anúncio de um plano de investimentos de R$ 18 bilhões para o quinquênio 2026-2030, atendendo a uma base de 5,7 milhões de clientes.
A assinatura dos aditivos contratuais encerra um período de incerteza regulatória e estabelece metas mais rigorosas de desempenho. Em média, os aportes previstos para os quatro estados apresentam um crescimento de 32% em relação ao ciclo anterior, com destaque para a Paraíba (+41%) e Mato Grosso (+38%).
Segurança Jurídica e Amadurecimento Regulatório
A antecipação dos contratos é vista pela companhia como um mecanismo fundamental para a previsibilidade do setor e a manutenção da qualidade do serviço em um cenário de transição energética.
Ao avaliar o novo arcabouço contratual estabelecido pela Aneel e pelo MME, o CEO do Grupo Energisa, Ricardo Botelho, destaca o fortalecimento institucional do segmento: “Ao viabilizar a assinatura antecipada dos contratos, o governo federal, poder concedente, por meio do Ministério de Minas e Energia, e a Aneel, órgão regulador, definiram e regulamentaram as condições essenciais para elevar o padrão de desempenho do setor, fortalecer a segurança jurídica e ampliar a capacidade de planejamento e de investimento de longo prazo das distribuidoras.”
Segundo o executivo, as novas diretrizes incorporam elementos cruciais para a operação moderna, indo além dos indicadores tradicionais de continuidade: “As diretrizes do novo contrato refletem o amadurecimento regulatório e a evolução dos instrumentos contratuais, que passam a incorporar metas mais rigorosas de qualidade, maior atenção à resiliência das redes diante de eventos climáticos extremos e estímulos claros à inovação e à modernização tecnológica. Isso significa energia mais confiável, segura e compatível com as necessidades de um país em transformação, tanto na sua economia quanto na sua sociedade.”
Mato Grosso: O Centro do Plano de Expansão
Mato Grosso receberá a maior fatia do capital anunciado, com R$ 9,3 bilhões projetados para o ciclo 2026-2030. Desse montante, R$ 6,4 bilhões serão destinados exclusivamente à expansão da rede, acompanhando o vigor do agronegócio e a expansão populacional do estado. O impacto desses investimentos é sentido diretamente na ponta, transformando a realidade de municípios que antes dependiam de sistemas isolados.
Relembrando a evolução do sistema no estado, Ilza Leonardi, aposentada e uma das fundadoras de Nova Maringá (MT), relata a mudança estrutural: “Eu vivi a época em que a energia vinha de motor a diesel. Há cerca de 30 anos, chegou a energia elétrica. De uns anos para cá, a qualidade do fornecimento vem melhorando e, com isso, minha qualidade de vida também. A esperança agora é ver a cidade crescer com as ampliações que estão sendo feitas na rede de energia da região.”
Foco Regional: MS, Paraíba e Sergipe
Em Mato Grosso do Sul, a Energisa planeja investir R$ 4,4 bilhões no novo ciclo, com foco na ligação de 120 mil novos consumidores e no aumento de 30% do nível de automação da rede. Na Paraíba, onde a renovação foi antecipada em cinco anos, o aporte de R$ 2,8 bilhões visa sustentar o crescimento impulsionado pelo turismo e construção civil.
Para além dos indicadores técnicos, o papel social da distribuidora em comunidades vulneráveis é reforçado pela líder comunitária Adeilda da Silva, conhecida como Tia Boneca, de João Pessoa: “Energia significa acesso e mais dignidade. Aqui na comunidade do Aratu, em João Pessoa, a regularização da rede elétrica trouxe muitos benefícios para os moradores. Além de contar com energia regular e de mais qualidade, a comunidade também passou a ter acesso à Tarifa Social de Energia. Das 385 famílias que vivem aqui, mais da metade recebe o benefício e muitas delas têm a conta zerada.”
Já em Sergipe, a companhia prevê R$ 1,69 bilhão para ampliar a confiabilidade do sistema e criar condições para a atração de novos negócios industriais no estado.
Inovação e Resiliência
O plano de R$ 18 bilhões prioriza a digitalização e a resiliência climática, preparando as redes para suportar a integração de recursos energéticos distribuídos e garantindo a modicidade tarifária por meio de uma operação cada vez mais eficiente e automatizada.



