Com investimento de R$ 78 milhões, companhia aposta em GeoBIM e Digital Twin para elevar eficiência operacional, reduzir intervenções em áreas energizadas e criar base para centro avançado de engenharia digital
A transformação digital das redes de transmissão de energia ganhou uma nova escala no Brasil. A AXIA Energia anunciou a ampliação do projeto EletroBIM, iniciativa voltada à digitalização de subestações por meio de tecnologias GeoBIM e Digital Twin, consolidando uma estratégia que combina automação, segurança operacional e inteligência de ativos em larga escala.
Lançado em outubro de 2024, o programa já modelou digitalmente 51 subestações, o equivalente a cerca de 5,7 milhões de metros quadrados de ativos digitalizados. Agora, a companhia prepara uma nova fase do projeto, com previsão de investimento de R$ 78 milhões até 2029 para integrar 269 subestações ao ecossistema digital da empresa.
O movimento posiciona a AXIA entre os grupos de transmissão que avançam na adoção de engenharia digital aplicada à gestão de infraestrutura crítica, em um momento em que o setor elétrico brasileiro amplia investimentos em modernização de redes, resiliência operacional e automação.
Digital Twin avança como ferramenta estratégica no setor elétrico
A adoção de gêmeos digitais deixou de ser apenas uma tendência tecnológica e passou a ocupar papel central na gestão de ativos elétricos. No caso da AXIA Energia, o EletroBIM conecta captura de realidade em campo, modelagem BIM paramétrica georreferenciada, padronização técnica e um Ambiente Comum de Dados, formando uma base única para engenharia, operação e manutenção.
Na prática, a tecnologia cria uma réplica virtual completa das subestações, permitindo que equipes realizem inspeções, análises e validações sem necessidade constante de deslocamentos físicos em áreas energizadas.
Os resultados operacionais já começam a aparecer. A companhia registrou redução de 25% nas inspeções presenciais em ambientes energizados, indicador que impacta diretamente a segurança das equipes de campo e reduz exposição operacional.
Além disso, os modelos digitais passaram a melhorar a previsibilidade das obras e a compatibilização de projetos. A empresa afirma que o sistema garante aderência integral aos cronogramas e acelera entre 30% e 50% o desenvolvimento de projetos executivos, ao antecipar conflitos de montagem, acessibilidade e interferências ainda na etapa de engenharia.
Ganhos financeiros reforçam viabilidade da engenharia digital
O avanço do EletroBIM também evidencia o potencial econômico da digitalização no segmento de transmissão. Segundo estimativas da AXIA, a utilização dos modelos digitais pode gerar economia entre R$ 200 mil e R$ 1 milhão por empreendimento, dependendo do porte do ativo.
A redução de retrabalho, a menor necessidade de visitas técnicas e a automatização das listas de materiais estão entre os fatores que sustentam os ganhos de eficiência. Outro ponto relevante envolve a gestão de suprimentos. As listas quantitativas extraídas diretamente dos modelos GeoBIM alcançaram assertividade total, reduzindo desperdícios e otimizando compras para implantação de obras e reforços de rede.
Para Luciana Martins, diretora de Desenvolvimento de Pipeline e Engenharia da AXIA Energia, o projeto consolida uma mudança estrutural na forma como a companhia administra seus ativos: “A iniciativa demonstra a viabilidade e a escalabilidade do uso de modelos digitais 3D GeoBIM e Digital Twin, além da integração com outras iniciativas estratégicas. O retorno se traduz em ganhos de eficiência, automação e qualidade dos processos de Engenharia, otimização da gestão de obras e ativos, e maior governança da informação dos empreendimentos da AXIA Energia”.
Automação e manutenção preditiva ganham protagonismo
O uso estruturado de dados também amplia a capacidade analítica das áreas de operação e manutenção. Com as informações dos ativos integradas ao ambiente digital, incluindo TAGs, histórico de intervenções e dados operacionais, a companhia consegue antecipar potenciais falhas e aprimorar o planejamento de manutenção.
Esse modelo reduz paradas não programadas e fortalece a confiabilidade da infraestrutura de transmissão, um fator cada vez mais estratégico diante da expansão das fontes renováveis e do aumento da complexidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).
O setor elétrico brasileiro vive um ciclo acelerado de digitalização impulsionado pela necessidade de maior previsibilidade operacional, integração de ativos distribuídos e resposta mais rápida a eventos extremos. Nesse contexto, soluções baseadas em inteligência digital tendem a ganhar espaço não apenas na transmissão, mas também em distribuição, geração renovável e armazenamento de energia.
Expansão mira hidrelétricas, eólicas e linhas de transmissão
A próxima etapa do EletroBIM prevê a expansão da metodologia para outros empreendimentos do portfólio da AXIA Energia, incluindo usinas hidrelétricas, parques eólicos e linhas de transmissão.
A estratégia faz parte da construção do futuro Centro de Engenharia Digital da companhia, que deverá integrar automação, gestão inteligente de ativos e ferramentas avançadas de engenharia em um único ambiente operacional.
O reconhecimento do mercado já começou a refletir esse posicionamento. Em abril deste ano, a empresa recebeu o Prêmio Inovainfra 2026, promovido pela revista O Empreiteiro, na categoria Energia, pelo desempenho do projeto em inovação e eficiência aplicada à infraestrutura.
Com a expansão do EletroBIM, a AXIA Energia reforça uma tendência que vem ganhando força globalmente: a convergência entre infraestrutura elétrica e inteligência digital como vetor de competitividade, segurança operacional e redução de custos no setor de energia.



