ISA e Hitachi Energy instalam primeiro reator de 460 kV a óleo vegetal da AL

Projeto instalado na Subestação Bauru combina controle de tensão, redução de emissões e aumento da segurança operacional no Sistema Interligado Nacional

A transição energética brasileira começa a avançar também sobre a infraestrutura pesada de transmissão. Em um movimento considerado inédito para o setor elétrico latino-americano, a ISA Energia Brasil e a Hitachi Energy iniciaram a instalação do primeiro reator shunt de 460 kV da região equipado com óleo vegetal como fluido isolante e refrigerante. O empreendimento, localizado na Subestação Bauru, em São Paulo, marca a entrada de tecnologias de menor pegada de carbono em ativos críticos do Sistema Interligado Nacional (SIN).

O projeto recebeu investimento de R$ 18 milhões e representa um dos primeiros casos de aplicação em larga escala de fluidos biodegradáveis em equipamentos de altíssima tensão, segmento historicamente dominado pelo óleo mineral derivado de petróleo devido às exigências extremas de isolamento elétrico, estabilidade térmica e confiabilidade operacional.

A iniciativa integra o ciclo de modernização da rede de transmissão impulsionado pelos reforços autorizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), em um momento em que o setor elétrico amplia a pressão por ativos mais resilientes, eficientes e alinhados às metas de descarbonização.

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Reatores shunt ganham papel estratégico na modernização do SIN

Os reatores shunt são equipamentos essenciais para a estabilidade do sistema elétrico, especialmente em redes de transmissão de longa distância e cenários de baixa carga. Sua principal função é absorver potência reativa excedente, evitando sobretensões que possam comprometer a segurança operativa do SIN.

Na Subestação Bauru, o projeto contempla quatro unidades monofásicas de 66,67 MVAr cada. Ao todo, os equipamentos utilizarão quase 60 mil litros de fluido vegetal biodegradável. Além da instalação dos reatores, a subestação passa por um amplo programa de reforços e melhorias que soma R$ 190 milhões em investimentos. As obras também devem gerar mais de 100 empregos diretos e indiretos ao longo da execução.

Ao analisar o papel estratégico do projeto dentro da agenda corporativa da companhia, o diretor-executivo de Projetos da ISA Energia Brasil, Dayron Urrego, afirma: “A substituição do insumo derivado de petróleo por uma alternativa vegetal, de origem renovável, reforça o compromisso da ISA ENERGIA BRASIL com iniciativas que impulsionam a transição energética de forma limpa e está alinhada plenamente à nossa Estratégia 2040. Esse projeto inédito é a demonstração de que é possível evoluir a infraestrutura do setor elétrico aliando confiabilidade operacional e sustentabilidade”.

Aplicação em 460 kV exigiu redesenho global de engenharia

O desenvolvimento do equipamento representou um desafio técnico relevante para a indústria global de transformadores e reatores de potência. O óleo vegetal possui características físico-químicas distintas do óleo mineral tradicional, incluindo maior densidade e comportamento térmico diferenciado, exigindo adaptações estruturais no equipamento.

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Para viabilizar a operação em 460 kV, a Hitachi Energy mobilizou equipes multidisciplinares para redesenhar componentes internos, adequar processos fabris e revisar a logística de transporte. Segundo a companhia, o projeto alcançou uma redução de 20% na pegada de carbono associada aos materiais utilizados na fabricação e uma diminuição de 11% nas emissões totais ao longo do ciclo de vida do ativo.

O Hub Latin America Manager da unidade de negócios Transformers da Hitachi Energy, Alexandre Malveiro, destaca a dimensão tecnológica do fornecimento: “As quatro unidades monofásicas são os maiores reatores shunt já fornecidos globalmente pela Hitachi Energy. O uso de óleo vegetal nesse nível de tensão representa um avanço significativo na colaboração entre a ISA ENERGIA BRASIL e a Hitachi Energy, e reforça o compromisso de ambas as empresas com um futuro mais sustentável para o desenvolvimento das redes elétricas”.

Óleo vegetal amplia segurança operacional e reduz impacto ambiental

Além do avanço ambiental, o projeto traz ganhos operacionais relevantes para subestações de alta criticidade. O fluido vegetal utilizado apresenta biodegradabilidade de 99% em apenas dez dias, reduzindo significativamente os riscos ambientais em caso de vazamentos. Outro diferencial está no ponto de fulgor superior ao do óleo mineral convencional, característica que aumenta a resistência a incêndios e reforça a proteção patrimonial em instalações energéticas estratégicas.

O equipamento possui certificação FM Global, referência internacional em segurança industrial e mitigação de riscos operacionais. A adoção da tecnologia também se conecta à estratégia climática da ISA Energia Brasil, que estabeleceu meta de Net Zero até 2050. Entre 2022 e 2025, a companhia reduziu em 22% suas emissões diretas de Escopo 1 por meio de iniciativas ligadas à eficiência operacional e substituição de materiais fósseis.

Tecnologia pode abrir novo ciclo de inovação em transmissão

A entrada de fluidos vegetais em equipamentos de altíssima tensão é vista pelo setor como um potencial divisor de águas para a modernização sustentável da infraestrutura elétrica brasileira.

Especialistas avaliam que a validação operacional do projeto em Bauru poderá acelerar a adoção da tecnologia em outras subestações do SIN, especialmente diante da crescente pressão regulatória e financeira por ativos de menor intensidade de carbono.

O avanço ocorre em paralelo à expansão das fontes renováveis intermitentes, que elevam a complexidade operacional da rede e ampliam a necessidade de equipamentos mais robustos para controle de tensão e estabilidade sistêmica.

Ao unir descarbonização, segurança operacional e inovação tecnológica em ativos de transmissão, o projeto da ISA Energia Brasil e da Hitachi Energy inaugura uma nova frente de transformação para o setor elétrico brasileiro.

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