Cervejaria gaúcha adota matriz 100% renovável e integra agenda ESG à estratégia de expansão industrial e internacionalização de portfólio.
A indústria de bebidas brasileira avança na descarbonização de suas cadeias produtivas com cases de alta eficiência operacional. A Salva Craft Beer, sediada no Vale do Taquari (RS), formalizou nesta terça-feira (05/05/2026) os resultados de sua estratégia de sustentabilidade energética. Por meio da migração integral para fontes renováveis, a companhia evitou a emissão de 78,814 toneladas de CO₂ equivalente desde agosto de 2024, consolidando um modelo de gestão que alia responsabilidade ambiental à competitividade industrial.
Desse montante total, 53,514 toneladas são provenientes exclusivamente da otimização do consumo elétrico em seu parque fabril. Para mensurar o impacto, o volume de gases de efeito estufa mitigado corresponde ao plantio de 1.479 mudas de árvores ou à retirada de circulação de 532 veículos leves a gasolina em trajetos médios de 500 km.
Gestão no Mercado Livre de Energia e Matriz Incentivada
A viabilização dessa performance ambiental foi estruturada através da parceria com a Ludfor, consultoria especializada na gestão de energia no Ambiente de Contratação Livre (ACL). A estratégia consistiu na aquisição de energia proveniente de fontes incentivadas, incluindo eólica, solar, biomassa e centrais hidrelétricas (PCHs e CGHs),, que garantem baixo impacto ambiental e rastreabilidade por meio de certificações.
O fundador e CEO da Salva Craft Beer, João Luís Giovanella, destaca a visão de longo prazo que fundamenta a escolha pela matriz limpa: “A decisão de utilizar energia renovável está diretamente ligada ao nosso compromisso com eficiência e responsabilidade ambiental. Não se trata apenas de reduzir emissões, mas de estruturar uma operação mais inteligente, com menor impacto e maior previsibilidade de custos no longo prazo.”
Expansão da Capacidade e Rigor Técnico
O reposicionamento energético ocorre simultaneamente a um ciclo de investimentos em infraestrutura. A planta industrial da Salva conta atualmente com 2.500 m² e capacidade produtiva de 500 mil litros por mês, patamar que permite à empresa buscar a padronização de processos e o controle microbiológico exigidos por mercados internacionais.
A diversificação do portfólio também ganha relevância técnica com o uso de tecnologia enzimática para a produção de cervejas sem glúten e o desenvolvimento de rótulos sem álcool.
O diretor e mestre cervejeiro da Salva, Thiago Wild, projeta que a evolução dessas categorias transcende as tendências de consumo:“Hoje, essas bebidas deixam de ser apenas alternativas e passam a competir em qualidade e experiência com as versões tradicionais. A tecnologia também contribui para ganhos operacionais, como redução de perdas, maior eficiência produtiva, estabilidade microbiológica e controle de oxigênio dissolvido, fatores que impactam diretamente no shelf life dos produtos.”
Liderança em Premiações e Internacionalização
A solidez técnica tem se traduzido em reconhecimento global. Em 2025, a Salva consolidou-se como a cervejaria mais premiada do mundo, acumulando 111 distinções oficiais. Entre os destaques, a conquista do título de melhor American Pale Ale (APA) do mundo no World Beer Awards, em Londres, e a eleição de Thiago Wild como o melhor mestre cervejeiro do Brasil.
Ao comentar o impacto dessas conquistas no posicionamento de mercado da marca, Wild reforça a importância da integração operacional: “As premiações têm um papel fundamental na consolidação da Salva no cenário nacional e internacional, pois validam a consistência do nosso trabalho e a qualidade dos nossos produtos. Mas nenhum desses resultados seria possível sem o esforço coletivo da nossa equipe. Cada colaborador, em sua área, contribui de forma sincronizada para que a operação funciona com excelência, da produção ao controle de qualidade, da logística ao comercial. É essa integração que sustenta nosso crescimento e nos permite competir em nível global.”
Com a iminente abertura de um canal próprio de e-commerce e o início do plano de exportações, a cervejaria sinaliza que a eficiência energética e a inovação produtiva são os pilares para capturar valor no segmento premium global.



