Regulação em Foco: Fernando Mosna assume relatoria de recurso da Enel SP contra caducidade

Sorteio extraordinário na Aneel define relator em meio a embate jurídico entre diretor e distribuidora; Sandoval Feitosa nega efeito suspensivo imediato ao processo

O processo administrativo que avalia a caducidade da concessão da Enel São Paulo ganhou um novo e complexo capítulo regulatório. Em sorteio extraordinário realizado na noite desta terça-feira (28), o diretor Fernando Mosna foi designado relator do recurso interposto pela concessionária contra a abertura do processo punitivo na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A escolha de Mosna adiciona um componente de tensão institucional ao caso. A distribuidora move, atualmente, uma ação judicial contra o próprio diretor, pleiteando uma indenização de R$ 600 mil por danos morais. O sorteio ocorre em um momento crítico, onde a governança da agência reguladora e o cumprimento dos indicadores de qualidade do serviço na maior metrópole do país estão sob intenso escrutínio público e governamental.

Negativa de efeito suspensivo mantém rito processual

Antes da definição da relatoria, o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, proferiu uma decisão preliminar de impacto direto no cronograma do processo. Feitosa indeferiu o pedido de efeito suspensivo solicitado pela Enel SP, que visava paralisar automaticamente a tramitação do processo de caducidade até que o mérito do recurso fosse julgado.

- Advertisement -

Com a negativa, a instrução processual para analisar o possível fim do contrato da distribuidora segue o rito ordinário. A agência busca avaliar se as falhas recorrentes no restabelecimento do fornecimento de energia, observadas em eventos climáticos recentes, configuram descumprimento contratual grave o suficiente para justificar a retomada da concessão pelo Poder Concedente.

Implicações para o Setor de Distribuição

O caso da Enel SP é observado de perto por todo o setor elétrico brasileiro, servindo como termômetro para a rigidez da fiscalização regulatória em contratos de longa duração. A discussão sobre a caducidade envolve não apenas aspectos técnicos de engenharia e operação de rede, mas também a solvência jurídica das decisões da agência.

A tramitação agora sob a responsabilidade de Fernando Mosna deverá passar pelo crivo do colegiado, onde a neutralidade técnica será confrontada com o histórico de embates entre a reguladora e a concessionária. O desfecho deste recurso será fundamental para determinar se a Aneel avançará com a recomendação de extinção da concessão ao Ministério de Minas e Energia (MME) ou se haverá espaço para um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) ou outras sanções administrativas.

Destaques da Semana

Mercado livre registra 811 migrações em agosto, com avanço do varejo simplificado

CCEE contabiliza 470 adesões pelo modelo simplificado, que já...

ANP arremata sete blocos do Pré-Sal e registra maior número de áreas vendidas na OPP

4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha movimentou R$...

CCEE divulga lista de usinas elegíveis à compensação por cortes de geração

Relação reúne empreendimentos eólicos e solares que manifestaram interesse...

CMSE encerra período seco com armazenamento de 61% no SIN, 5 pontos acima de 2025

Reservatórios fecharam setembro em condição mais favorável que no...

Petrobras supera R$ 700 bilhões em valor de mercado após descoberta no Amapá

Estatal ganhou R$ 20,9 bilhões em um único pregão...

Artigos

Últimas Notícias