Minerais Críticos: O novo elo estratégico entre a mineração e a transição energética no Brasil

Com foco em lítio, terras raras e cobre, setor mineral se reposiciona para atender à demanda global por tecnologias de baixo carbono; ABM aponta a “licença social” como motor de competitividade até 2029.

A mineração brasileira atravessa, em 2026, um momento de inflexão estrutural. O setor, que historicamente foi base da balança comercial via minério de ferro, agora se reposiciona como peça-chave da segurança energética global. Impulsionada pela demanda por minerais críticos, a indústria nacional entra em um novo ciclo onde a “Mineração 4.0” e os critérios ESG (Environmental, Social, and Governance) deixam de ser opcionais para se tornarem pilares de sobrevivência e atração de capital.

Nesta nova fase, a eficiência operacional e a integração com as cadeias de baterias e energias renováveis definem a competitividade das mineradoras que operam no país.

Mineração 4.0 e o gargalo do capital humano

A digitalização das operações, baseada em Inteligência Artificial e automação remota, já redefiniu os padrões de segurança e produtividade em grandes projetos. Entretanto, a velocidade da transformação tecnológica esbarra em um desafio antigo: a formação de mão de obra qualificada.

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Ao analisar a urgência dessa transição digital nas plantas de extração, a coordenadora técnica de mineração da ABM, Vânia Lúcia de Lima Andrade, destaca o descompasso entre tecnologia e capacitação: “Automação, inteligência artificial e digitalização vão ganhar protagonismo, mas ainda enfrentamos um desafio importante: a necessidade de mão de obra qualificada para acompanhar essa transformação”.

O Brasil no epicentro da economia de baixo carbono

A corrida global por lítio, cobre e terras raras, insumos fundamentais para veículos elétricos e infraestrutura de rede, coloca o Brasil em uma posição privilegiada. Contudo, o setor elétrico e o mercado de capitais observam com lupa a capacidade do país de ir além da exportação de commodities brutas.

A necessidade de verticalização industrial é um dos pontos focais para que o Brasil capture o valor da transição energética. Sobre essa janela de oportunidade, Andrade enfatiza a importância de uma estratégia de valor agregado: “Estamos muito bem posicionados em termos de recursos naturais, mas ainda precisamos avançar na criação de uma cadeia de valor mais robusta, com maior agregação industrial”.

Licença Social: O novo “rating” de investimento

Em 2026, a viabilidade de um projeto mineral não é mais medida apenas pelo teor do minério, mas pela sua aceitação social e impacto territorial. O conceito de “licença social para operar” tornou-se o ativo intangível mais valioso, influenciando diretamente o custo de capital e o acesso a financiamentos verdes.

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Ao avaliar a mudança de paradigma na relação entre mineradoras e comunidades, a especialista da ABM reforça que o futuro da atividade depende de um novo pacto de confiança: “Nesse cenário, surge um conceito cada vez mais central: a licença social para operar, um pacto baseado em confiança, transparência e mitigação de impactos criado entre comunidade e mineradoras. O grande motor da mineração no futuro será a licença social. Não basta recuperar ambientalmente, é preciso devolver o território com um novo uso que gere valor para a sociedade”.

Escassez de talentos e a visão de longo prazo

O déficit de profissionais em áreas de mineração e metalurgia surge como um risco ao ritmo de crescimento projetado até 2029. A dificuldade em atrair jovens talentos para o setor é vista como um gargalo estrutural que pode limitar a inovação aberta e a implementação de novos projetos de transição.

A coordenadora da ABM alerta para a urgência de reposicionar a imagem da indústria perante as novas gerações: “Hoje, a formação de profissionais ainda é insuficiente. Precisamos tornar o setor mais atrativo para os jovens e mostrar as oportunidades que estão surgindo”.

Apesar dos desafios regulatórios e da necessidade de fortalecimento da Agência Nacional de Mineração (ANM), o setor mantém um viés otimista. A integração entre o potencial geológico brasileiro e a demanda por energia limpa cria um ambiente favorável para um ciclo de investimentos inédito.

“Eu sou otimista. Estamos na antessala de um grande momento da mineração. Fomos presenteados pela natureza com recursos estratégicos, cabe a nós transformar esse potencial em oportunidade”, finaliza Vânia Lúcia de Lima Andrade.

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