Com alta de 15% no orçamento de manutenção e foco em ativos de distribuição, companhia busca consolidar trajetória de queda no DEC após atingir recorde histórico em 2025.
A Cemig oficializou um robusto plano de investimento para a sustentabilidade operacional de sua rede em 2026. A concessionária mineira irá destinar R$ 438 milhões exclusivamente para ações de manutenção preventiva em 774 municípios de sua área de concessão. O montante representa um incremento de 15,2% em relação aos R$ 380 milhões aportados no ciclo anterior, sinalizando uma estratégia de longo prazo voltada à mitigação de falhas e à proteção da receita.
Este aporte em manutenção integra um pacote de investimentos ainda mais amplo: a companhia projeta injetar R$ 4,9 bilhões em obras de melhoria e expansão do sistema elétrico mineiro até o final deste ano. O foco está na modernização de ativos e no reforço da confiabilidade para uma base que supera os 9,5 milhões de consumidores.
Manutenção preditiva e tecnologia de campo
O plano de ação para 2026 combina intervenções físicas tradicionais com o uso intensivo de tecnologias de monitoramento. A Cemig planeja a execução de mais de 900 mil podas de árvores e a limpeza de faixa em 50 mil quilômetros de linhas, atacando uma das principais causas externas de interrupções: o contato da vegetação com a rede.
No campo da digitalização, o uso de drones e câmeras de termovisão será intensificado para vistorias em redes de média e alta tensão, permitindo a identificação de pontos de calor e fadiga de materiais antes que resultem em blackouts. O cronograma inclui ainda a substituição estrutural de milhares de componentes, como cruzetas, postes, isoladores e para-raios.
A relevância da transição para um modelo focado na antecipação é analisada pelo gerente de Ativos e Planejamento da Manutenção da Distribuição da Cemig, Flavio Henrique Martins Vieira: “Esse volume de investimento reforça uma mudança importante na atuação da Cemig, que tem priorizado cada vez mais a prevenção. Ao antecipar intervenções na rede, conseguimos reduzir falhas, melhorar a qualidade do fornecimento e aumentar a resiliência do sistema, especialmente diante de eventos climáticos mais intensos.”
Estratégia sazonal e eficiência operacional
Para garantir a execução das metas, a distribuidora aproveita a janela climática favorável do estado. O planejamento busca maximizar a produtividade das equipes em campo durante os meses de estiagem, minimizando riscos e otimizando o tempo de resposta.
A lógica por trás do aproveitamento do calendário meteorológico é detalhada por Flávio Vieira: “O período seco é o momento ideal para intensificar as ações de prevenção, já que permite a execução de manutenções com maior eficiência e menor impacto operacional. Nesse intervalo, a Cemig reforça os mutirões e amplia o uso de equipes especializadas, incluindo trabalhos com linha energizada, preparando a rede para o período chuvoso.”
Reflexos nos indicadores de continuidade (DEC/FEC)
O reforço financeiro anunciado para 2026 ocorre após a Cemig registrar o melhor desempenho regulatório de sua história. Em 2025, a companhia conseguiu reduzir em 11,4% o tempo médio de interrupção percebido pelos clientes, garantindo o fornecimento em 99,84% do tempo.
O DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) fechou o ano passado em 14,4 horas, uma melhora sensível frente às 16,24 horas de 2024. No critério do DEC Regulatório, métrica utilizada pela Aneel para fins de fiscalização e governança, a Cemig atingiu a marca histórica de 8,97 horas. Com a redução adicional de 10% no tempo médio de restabelecimento, a empresa sinaliza ao mercado e ao regulador que a eficiência operacional tornou-se o pilar central de sua gestão de ativos.



