NDCs 3.0: Última Chance para Triplicar as Energias Renováveis e Dobrar a Eficiência Energética até 2030, Alerta IRENA

Na COP29, especialistas apontam que uma ação decisiva dos países, especialmente do G20, é essencial para alcançar as metas climáticas de 1,5 °C e garantir uma transição justa e equilibrada

Durante a COP29, realizada em Baku, Azerbaijão, o cenário de urgência para as metas climáticas globais foi reforçado. Em seu novo World Energy Transitions Outlook 2024, a Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA) alerta para a importância das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) 3.0, atualizadas até 2025, como uma oportunidade crucial para que os países alcancem as metas de triplicar a capacidade de energia renovável e dobrar a eficiência energética até 2030. Estes são marcos essenciais para que o mundo consiga limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C e reduzir drasticamente as emissões de CO₂.

Apesar dos compromissos assumidos até o momento, a lacuna entre os anúncios de metas e a implementação de políticas efetivas é preocupante. O relatório da IRENA destaca que, mesmo se todos os compromissos climáticos fossem plenamente implementados, ainda haveria uma diferença significativa nas emissões de CO₂, tornando-se necessário um esforço adicional até 2050 para alcançar as metas de zero líquido de emissões.

A Ambição Necessária: Triplicar a Capacidade de Energias Renováveis até 2030

As atuais promessas de redução de emissões estabelecidas pelos países são insuficientes para um cenário de transição energética bem-sucedido. Segundo o relatório, o caminho para uma economia global de baixo carbono deve incluir um aumento expressivo da capacidade de energia renovável, que deve triplicar até 2030, e uma ampliação da eficiência energética em todos os setores. Contudo, os planos e metas nacionais, como estão atualmente, só entregariam metade do necessário para a expansão das energias renováveis até a próxima década. Isso significa que, sem uma ação coordenada e um compromisso mais forte, as metas globais podem não ser atingidas.

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O diretor-geral da IRENA, Francesco La Camera, destacou na COP29 que as NDCs 3.0 representam uma “última oportunidade nesta década” para os países intensificarem suas ambições. O alinhamento das NDCs aos compromissos globais de triplicar a capacidade renovável e duplicar a eficiência energética até 2030 é essencial para manter a meta de 1,5 °C viva. A adoção de metas quantificáveis de financiamento climático e a cooperação internacional são elementos críticos para que essa transição ocorra de maneira justa e equilibrada.

A Importância do G20 e da Cooperação Internacional

As maiores economias globais, que compõem o G20, são responsáveis por mais de 70% das emissões de CO₂ e, por isso, têm um papel central na transição energética. A IRENA aponta que, para alcançar as metas de 1,5 °C, o G20 precisa triplicar sua capacidade instalada de energias renováveis até 2030 e aumentar essa capacidade sete vezes até 2050. Esse aumento de capacidade seria fundamental para que essas economias avancem de forma efetiva para um sistema de energia descarbonizado.

A desigualdade geográfica nos investimentos em energia renovável é outra preocupação do relatório. Embora o financiamento tenha aumentado em várias economias, ele ainda está concentrado em países desenvolvidos, deixando para trás muitas nações do Sul Global. Para uma transição justa, será essencial aumentar o financiamento destinado às economias emergentes e aos países mais vulneráveis. A proposta de um imposto global sobre a riqueza, defendido pelo G20, pode servir como uma nova fonte de financiamento para mitigar o risco de projetos de energia renovável em regiões de alto risco e promover uma transição energética globalmente equitativa.

Mudança no Mix Energético: O Papel das Renováveis e o Declínio dos Combustíveis Fósseis

Para atingir o cenário de 1,5 °C até 2050, o uso de energias renováveis deverá responder por 68% da matriz energética global em 2030 e 91% em 2050. Isso representaria uma transformação profunda nos setores de energia e uso final, que ainda dependem fortemente de combustíveis fósseis. No entanto, o processo requer não apenas a substituição dos combustíveis fósseis, mas também o fortalecimento das redes de distribuição, a implementação de sistemas de armazenamento e o gerenciamento da demanda.

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Segundo o relatório da IRENA, é esperado que os combustíveis fósseis caiam de uma participação de 61% no mix global de energia hoje para 24% até 2030 e apenas 4% em 2050. Essa transição exigirá investimentos significativos em infraestrutura de rede, incluindo sistemas de armazenamento de energia e tecnologias que integrem de forma eficiente fontes de energia renovável e não renovável. O armazenamento de energia, em especial, é visto como um fator crucial para viabilizar um sistema de energia 100% renovável.

NDCs Alinhadas com Net-Zero e Planejamento Nacional

A terceira rodada de NDCs, prevista para 2025, será decisiva para que os países ajustem suas metas com os planos de energia nacionais e com o compromisso global de alcançar a neutralidade de carbono. A IRENA já trabalha com mais de 100 partes do Acordo de Paris para implementar NDCs atualizadas e realistas. Esse alinhamento não apenas facilita a transparência e atrai investimentos, como também acelera a transição para uma economia de baixo carbono e resiliente.

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