Relatório destaca a importância do segmento de distribuição para a Celesc e projeta aumento de investimentos até 2026, visando eficiência e crescimento operacional
Em relatório divulgado em 7 de novembro de 2024, a Fitch Ratings reafirmou o rating de longo prazo ‘AA(bra)’ da Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A. (Celesc) e de suas subsidiárias, Celesc Distribuição S.A. (Celesc D) e Celesc Geração S.A. (Celesc G). A perspectiva dos ratings permanece estável, refletindo a importância do segmento de distribuição para o grupo, que responde por aproximadamente 90% do EBITDA consolidado, e os desafios e investimentos necessários para sustentar o crescimento e a eficiência operacional no futuro.
Segundo o relatório, a Celesc se beneficia do monopólio na área de concessão do segmento de distribuição, o que confere certa estabilidade operacional e baixa exposição a riscos hidrológicos. No entanto, a Celesc D enfrenta o desafio de elevar sua eficiência operacional, atualmente abaixo da média dos concorrentes. Com planos de investimentos de cerca de R$ 1,2 bilhão anuais até 2026, a empresa visa reduzir custos e aumentar a eficiência, sobretudo no segmento de pessoal, materiais, serviços e outros (PMSO). Estes esforços são críticos para manter o EBITDA acima do regulatório, mesmo com desafios como despesas atuariais e provisões.
Importância do Segmento de Distribuição para o Grupo
A análise da Fitch ressalta que o segmento de distribuição é o principal negócio da Celesc, com representatividade de 90% do EBITDA consolidado. A Celesc D opera como monopólio na sua área de concessão, beneficiando-se da estabilidade regulatória. Entretanto, o negócio está exposto ao risco de demanda e à volatilidade no fluxo de caixa, especialmente devido à baixa densidade populacional da região de concessão, o que impõe desafios adicionais para alcançar maiores ganhos de eficiência.
O relatório aponta que a Fitch espera que a Celesc D mantenha as perdas de energia abaixo do limite regulatório e aumente sua eficiência em PMSO a partir de 2024, reduzindo indenizações e custos excedentes que ultrapassam o limite coberto nas tarifas. O cenário base prevê um crescimento de mercado de 6% para 2024, alinhado com o Produto Interno Bruto (PIB), e uma moderação desse crescimento para 2% nos anos seguintes.
Investimentos Estratégicos e Desafios Operacionais
Para fortalecer sua capacidade operacional, a Celesc projeta um investimento anual de R$ 1,2 bilhão até 2026, com maior foco na Celesc D. Esses investimentos buscam modernizar a infraestrutura e melhorar a eficiência da distribuidora, essenciais para fortalecer o fluxo de caixa e a posição de mercado do grupo. A expectativa da Fitch é que a base de ativos da Celesc D cresça significativamente, atingindo aproximadamente R$ 8 bilhões até 2026, frente aos atuais R$ 5,5 bilhões.
Com o aumento do capital investido, o EBITDA da Celesc D deverá se manter em torno de 20% da base de ativos, patamar inferior ao de seus pares no setor, que gira em torno de 25%. Este investimento visa preparar a empresa para a revisão tarifária prevista para 2026, o que deverá impactar positivamente a geração de caixa da distribuidora.
Alavancagem e Liquidez
A Fitch projeta um aumento na alavancagem financeira da Celesc devido aos fluxos de caixa negativos estimados para os próximos anos. A dívida líquida do grupo deverá crescer de R$ 2,3 bilhões em 2023 para aproximadamente R$ 4,2 bilhões em 2025, com alavancagem líquida atingindo um pico de 2,5 vezes em 2025. Esse nível de endividamento se deve ao aumento dos investimentos e à política de distribuição de dividendos, que representa 40% do lucro líquido.
Ainda assim, a Fitch destaca que a Celesc mantém uma estrutura financeira sólida, beneficiando-se de amplo acesso ao mercado para rolagem de dívidas e financiamento de investimentos. O grupo tem acesso a instituições multilaterais que oferecem recursos de longo prazo, com custo competitivo e garantias do Estado de Santa Catarina e da União. Em julho de 2024, a empresa fortaleceu sua posição de liquidez com a emissão de debêntures no valor de R$ 1,2 bilhão, com vencimento em 10 anos e carência de 5,5 anos para início de amortização.
Estratégias para Melhoria de Eficiência e Expansão
Os investimentos visam não apenas a expansão da base de ativos, mas também a redução da diferença de eficiência entre a Celesc D e outras concessionárias do setor. A distribuidora projeta uma maior eficiência operacional, buscando manter as perdas de energia abaixo do limite regulatório e otimizar o PMSO, que representa um custo elevado.
A Fitch espera que esses esforços se traduzam em um aumento do EBITDA da Celesc D, que deve se manter acima do regulatório nos próximos anos. Isso é importante para suportar o fluxo de caixa livre da companhia, que deverá começar a melhorar após a revisão tarifária de 2026.
Desafios e Oportunidades
Apesar dos esforços para alcançar maior eficiência, o relatório da Fitch destaca que a Celesc ainda possui uma base de ativos limitada e uma diversificação de negócios menor em comparação a outras empresas do setor. Diferentemente de concessionárias classificadas com o rating ‘AAA(bra)’, como a Cemig e a Copel, a Celesc concentra suas operações em um único segmento de distribuição, o que a expõe a riscos operacionais e regulatórios concentrados.
O relatório conclui que o rating da Celesc reflete um perfil de crédito sólido, com uma estrutura de capital robusta e boas perspectivas de melhoria operacional. Contudo, o desafio de reduzir custos e alcançar a média de eficiência do setor permanece uma prioridade para o grupo.



