Com recuo de 6,25% nas contas de luz, grupo Habitação lidera alívio inflacionário de 0,40% em agosto e recoloca taxa em 12 meses dentro do teto da meta.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) registrou deflação de 0,40% em agosto, revertendo a alta de 0,06% apurada em julho. O resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), representa a primeira leitura negativa do indicador em 12 meses, a última deflação havia sido registrada em agosto de 2025 (-0,14%). Com a queda, o acumulado em 12 meses recuou de 4,52% para 4,24%, voltando a operar abaixo do teto da meta do Banco Central (4,50%) pela primeira vez desde abril.
O alívio inflacionário do mês superou as estimativas de mercado, que projetavam recuo de 0,30% no mês e 4,34% em 12 meses. A desaceleração ocorre em meio ao ciclo de ajuste monetário, no qual o Banco Central promoveu cortes na taxa Selic até o patamar de 14,00% ao ano, mantendo o ambiente de restrição para convergência à meta de 3%.
Bônus de Itaipu e impacto no setor elétrico
A energia elétrica residencial exerceu o maior peso individual de baixa sobre o índice geral. O grupo Habitação apresentou deflação de 1,41%, impulsionado diretamente pela queda de 6,25% na fatura de energia das famílias.
A retração no custo da eletricidade decorre da incorporação do bônus de Itaipu nas contas de luz emitidas em agosto. O crédito anual é repassado a consumidores residenciais e rurais a partir do saldo positivo apurado na conta de comercialização da energia gerada pela usina binacional no exercício anterior. O alívio nas faturas absorveu o custo adicional da bandeira tarifária amarela, mantida em vigor no mês com taxa extra de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
Alimentos e combustíveis reforçam recuo do índice
Além do setor elétrico, a trajetória deflacionária foi reforçada pelos grupos Transportes (-1,0%) e Alimentos e Bebidas (-0,57%). Em transportes, o recuo reflete a redução nos preços das passagens aéreas (-13,30%) e dos combustíveis (-1,43%), com quedas no etanol (-3,63%), gasolina (-1,23%) e óleo diesel (-0,71%).
Na alimentação no domicílio (-0,97%), os destaques negativos ficaram com produtos in natura e commodities, como tomate (-27,38%), batata-inglesa (-25,14%), cenoura (-17,05%) e café moído (-2,31%). Apesar do arrefecimento do IPCA-15, analistas monitoram riscos de médio prazo associados à resiliência do mercado de trabalho, estímulos fiscais ao consumo e os impactos climáticos do El Niño sobre a produção agrícola e a geração hídrica nos próximos meses.



