Busca por autonomia no agronegócio e na infraestrutura crítica impulsiona sistemas híbridos e off-grid; tecnologia LFP consolida-se em projetos industriais.
Os resultados e as interações registradas durante a Intersolar sinalizam uma transição no comportamento de consumo no mercado de geração distribuída e sistemas isolados no Brasil. A busca por soluções de armazenamento de energia em baterias (BESS), sistemas híbridos e arquiteturas off-grid vem ultrapassando a demanda por kits fotovoltaicos tradicionais conectados à rede (grid-tied), impulsionada por gargalos na confiabilidade do fornecimento elétrico e por necessidades operacionais de setores estratégicos.
O movimento acompanha o desempenho do segmento de equipamentos de controle e armazenamento, que registrou avanço de 26% nas vendas no primeiro semestre de 2026. A expansão é puxada por aplicações no agronegócio, indústrias, infraestrutura crítica, telecomunicações e instalações hospitalares.
De backup básico à gestão ativa de energia
A evolução do mercado reflete uma mudança conceitual: o armazenamento passa a ser integrado ao planejamento de infraestrutura e Capex corporativo, deixando de ser tratado como mero item suplementar para falhas pontuais.
Ao analisar o perfil dos compradores finais e integradores frente às instabilidades da rede distribuidora, o gerente nacional da Victron Energy, Edimar Prumucena, destaca a mudança na prioridade do consumidor: “O que percebemos na Intersolar foi que o cliente já chega muito mais preparado. Ele não está procurando somente um equipamento ou um sistema fotovoltaico. Ele quer saber como manter a energia disponível quando a rede falhar, como aumentar sua autonomia e como ter mais controle sobre o consumo.”
No segmento off-grid, a demanda consolidou-se em áreas rurais e comunidades isoladas onde a expansão da rede básica é inviável técnica ou economicamente. Esse cenário impulsionou parcerias estruturadas no mercado fornecedor, como a integração entre a WEG e a Victron para o fornecimento de kits off-grid completos contendo módulos, inversores, controladores MPPT e baterias, buscando padronizar a oferta de sistemas isolados.
Nesse contexto, Prumucena enfatiza que o mercado nacional transita da simples geração para a garantia de suprimento, transformando o armazenamento em componente central da infraestrutura operacional para evitar perdas de produção.
Arquitetura de microredes e consolidação do LFP
No campo das soluções industriais e de grande porte, o mercado nacional começa a absorver arquiteturas modulares de microredes (microgrids) escaláveis até 400 kW. A tecnologia baseia-se em unidades independentes (Power Banks) interligadas por barramento em corrente alternada (CA) e gerenciamento via software, o que permite manutenção contínua sem a interrupção total da carga.
Na avaliação técnica de componentes, a química de fosfato de ferro-lítio (LFP) firma-se como o padrão dominante para projetos comerciais e industriais no Brasil, impulsionada pela redução internacional de custos do lítio e pelo número de ciclos de vida útil.
Sobre a avaliação econômica dessa tecnologia, o executivo pondera que o investimento deve considerar o ciclo total de vida do ativo: “A bateria não deve ser analisada apenas pelo preço de aquisição. É preciso considerar quantos ciclos ela entrega, sua vida útil, eficiência e o custo total do sistema. Quando olhamos para todo o período de operação, a tecnologia LFP apresenta características muito interessantes para o mercado brasileiro.”



