ABSOLAR propõe 8 GW de baterias e 18 GW de novas usinas solares até 2030

Agenda apresentada ao governo federal prevê leilões anuais de capacidade, medidas para reduzir curtailment e expansão da geração para atender indústria, data centers e projetos de hidrogênio verde

A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) apresentou ao governo federal uma agenda para o setor elétrico no período de 2027 a 2030 que prevê a contratação de 8 GW em sistemas de armazenamento por baterias, a instalação de 18 GW de novas usinas solares de grande porte e o atendimento de 3 milhões de unidades consumidoras com soluções renováveis.

Apresentada durante a Intersolar South America, a proposta está estruturada em três frentes, Bateria Brasil, Energia que Emprega e Sol para Todos, e estabelece medidas voltadas à expansão da geração solar, ao aumento da flexibilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) e à criação de novas cargas para absorver o crescimento da oferta renovável.

ABSOLAR propõe leilões anuais para baterias

No eixo Bateria Brasil, a entidade defende a realização de leilões anuais de reserva de capacidade com neutralidade tecnológica, permitindo que sistemas de armazenamento disputem a contratação de potência com outras tecnologias.

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A associação também propõe a equiparação tributária das baterias às fontes renováveis. De acordo com a ABSOLAR, a carga tributária incidente sobre os sistemas de armazenamento pode chegar a 84,8%, o que representa uma barreira para a expansão dessa tecnologia no país.

Outra medida é a ampliação da hibridização entre usinas solares e sistemas de armazenamento, tanto em empreendimentos existentes quanto em novos projetos. A utilização de baterias permitiria deslocar parte da geração para períodos de maior necessidade do sistema e reduzir cortes de produção renovável, conhecidos como curtailment.

A presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, Bárbara Rubim, apontou o armazenamento de energia como uma infraestrutura indispensável para acompanhar a expansão das fontes renováveis no país. A executiva ressaltou que a utilização de baterias é fundamental para conferir flexibilidade ao sistema elétrico, mitigar o desperdício de geração e reforçar a segurança energética, criando um ambiente propício para a atração de novos investimentos.

A proposta ganha relevância diante do aumento da participação de fontes variáveis na matriz elétrica. Com maior capacidade de armazenamento, parte da energia produzida em momentos de excedente poderia ser deslocada para períodos de maior demanda ou utilizada para prestar serviços de flexibilidade ao sistema.

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Solar mira indústria, data centers e hidrogênio verde

O segundo eixo, denominado Energia que Emprega, relaciona a expansão da geração renovável à atração de novas cargas eletrointensivas. A ABSOLAR estima a necessidade de 18 GW em novas usinas solares de grande porte para atender segmentos como indústria de baixo carbono, data centers, projetos de hidrogênio verde e iniciativas de eletrificação do setor produtivo.

A associação defende que esse crescimento ocorra sem novos subsídios, com planejamento integrado entre geração, transmissão e localização das cargas. A estratégia busca transformar a disponibilidade de eletricidade renovável em um fator de competitividade para a atração de investimentos industriais e tecnológicos.

O CEO da ABSOLAR, Rodrigo Sauaia, enfatizou o potencial competitivo da matriz elétrica brasileira para impulsionar a transição energética e o desenvolvimento do país. De acordo com o executivo, a elevada participação de fontes renováveis confere ao Brasil uma posição estratégica única, permitindo converter a abundância de oferta limpa em vetor de crescimento econômico por meio da atração de investimentos em data centers, indústrias eletrointensivas e projetos de hidrogênio verde, além de viabilizar a exportação de energia renovável para países vizinhos na América Latina.

Para viabilizar a expansão, a entidade aponta a transmissão como um dos principais pontos de atenção. O planejamento da rede, na avaliação da ABSOLAR, deve acompanhar tanto a expansão da geração quanto a instalação de novos consumidores, reduzindo restrições de escoamento e aproximando oferta e demanda.

Agenda prevê 3 milhões de consumidores atendidos

O terceiro eixo, Sol para Todos, estabelece a meta de atender 3 milhões de unidades consumidoras com soluções de geração fotovoltaica e armazenamento até 2030. Desse total, 500 mil unidades estariam localizadas em sistemas isolados. Para essas regiões, a ABSOLAR propõe a realização de certames anuais específicos, com exigência mínima de 50% de participação de fontes renováveis.

A agenda também prevê a substituição de 100 mil geradores a diesel por sistemas baseados em fontes renováveis e armazenamento. A medida busca reduzir a dependência do diesel em localidades remotas e diminuir os custos associados à geração convencional nos sistemas isolados. A proposta da associação é que a substituição seja realizada sem a criação de novos encargos para os consumidores.

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