ONS projeta crescimento de 4,8% na carga de energia em agosto e prevê afluências de 183% da média histórica no Sul

Demanda do SIN deve alcançar 81.580 MW médios no mês; reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste permanecem acima de 60%, enquanto Norte e Nordeste seguem com vazões abaixo da média histórica

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) projeta crescimento de 4,8% na carga de energia do Sistema Interligado Nacional (SIN) em agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. A previsão consta no Boletim de Carga e Afluências do Programa Mensal da Operação (PMO), divulgado nesta sexta-feira (31), que estima uma demanda de 81.580 megawatts médios (MWmed) ao longo do mês.

O avanço da carga ocorre em um cenário hidrológico assimétrico entre os subsistemas, com destaque para a região Sul, que deverá registrar Energia Natural Afluente (ENA) equivalente a 183% da Média de Longo Termo (MLT), consolidando o desempenho observado ao longo de julho e contribuindo para o reforço do armazenamento local.

Sul mantém cenário hidrológico favorável

As projeções do ONS indicam que a região Sul continuará sendo o principal destaque hidrológico do sistema em agosto. O volume de chuvas acima da média histórica deverá assegurar afluências significativamente superiores ao padrão climatológico do período, ampliando a disponibilidade hídrica para a operação do subsistema.

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O desempenho do Sul tem sido um importante fator para o equilíbrio energético do SIN em um momento em que outras regiões enfrentam condições menos favoráveis de precipitação. A manutenção desse cenário contribui para reduzir pressões operativas e oferece maior flexibilidade ao despacho dos recursos energéticos do sistema.

Sudeste/Centro-Oeste mantém reservatórios acima de 60%

No subsistema Sudeste/Centro-Oeste, responsável pela maior capacidade de armazenamento e regularização energética do país, a expectativa é de afluências próximas da média histórica para agosto.

Segundo as projeções do PMO, os reservatórios equivalentes da região deverão encerrar o mês com 61,1% da capacidade máxima de armazenamento. Atualmente, os níveis encontram-se próximos de 63%, evidenciando um cenário considerado confortável para o período seco do ano.

A manutenção dos reservatórios acima da marca de 60% reforça as condições operativas do principal subsistema do país e reduz a necessidade de medidas adicionais para garantir a segurança energética no curto prazo.

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Norte e Nordeste seguem com afluências abaixo da média

Em contrapartida, os subsistemas Norte e Nordeste deverão continuar registrando vazões inferiores aos níveis históricos durante agosto.

As estimativas do ONS apontam que a Energia Natural Afluente no Norte deverá alcançar apenas 64% da Média de Longo Termo, enquanto o Nordeste deverá registrar 60% da MLT. Os números refletem a persistência do período seco nas principais bacias hidrográficas dessas regiões, cenário típico desta época do ano, mas que exige monitoramento contínuo por parte do operador.

Embora as projeções indiquem condições menos favoráveis nesses subsistemas, o atual nível de armazenamento do sistema e o desempenho positivo do Sul contribuem para manter o equilíbrio operacional do SIN.

Crescimento da demanda reforça atenção do operador

A previsão de expansão da carga em agosto reforça a retomada do consumo de energia observada ao longo de 2026. O crescimento de 4,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior demonstra a continuidade do aumento da demanda elétrica nacional, acompanhando a atividade econômica e a expansão do consumo nos diversos segmentos do mercado.

Do ponto de vista operacional, a combinação entre crescimento da carga, diferenças hidrológicas regionais e elevados níveis de armazenamento no principal subsistema do país deverá orientar as estratégias de despacho e gestão dos recursos energéticos ao longo do mês.

O Boletim do PMO de agosto confirma um cenário de segurança energética no curto prazo, sustentado pelo bom desempenho hidrológico do Sul e pela manutenção dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste em patamares robustos, mesmo diante das condições menos favoráveis observadas no Norte e no Nordeste.

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