Copel reforça plano de contingência para Super El Niño e amplia medidas de resiliência da rede elétrica

Distribuidora mobiliza equipes técnicas, amplia ações preventivas e monitora projeções climáticas que indicam chuvas intensas e tempestades no Sul do país a partir do último quadrimestre de 2026

A Copel iniciou o alinhamento de suas ações operacionais para enfrentar os impactos do Super El Niño, fenômeno climático que poderá elevar a ocorrência de eventos extremos no Sul do Brasil nos próximos meses. A companhia reuniu, nesta terça-feira (28), em Curitiba, meteorologistas e profissionais das áreas de operação, infraestrutura e gestão de bases de campo para definir estratégias de contingência voltadas ao restabelecimento do fornecimento de energia elétrica e à proteção da infraestrutura da rede no Paraná.

O trabalho integra o planejamento da distribuidora para o último quadrimestre de 2026, período em que as projeções meteorológicas indicam maior probabilidade de tempestades severas, chuvas volumosas, ventos intensos, granizo e enchentes na região Sul do país.

A iniciativa antecede o Workshop de Eventos Extremos, programado para o próximo dia 12 de agosto, e o seminário promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), no dia 20 de agosto, que discutirá os impactos do Super El Niño sobre a resiliência do setor elétrico brasileiro.

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Distribuidora amplia capacidade operacional para eventos climáticos

A preparação da companhia envolve o fortalecimento da coordenação logística das equipes, investimentos em tecnologia e ampliação dos recursos operacionais utilizados no atendimento às ocorrências provocadas por eventos climáticos.

O diretor de Operação e Manutenção da Copel, Gustavo Theodor Carvalho, destacou que a antecipação das medidas é fundamental para minimizar os impactos sobre o sistema elétrico e acelerar o restabelecimento do serviço: “Estamos discutindo as melhores práticas para nos preparar para uma sequência de eventos climáticos extremos projetados para o último quadrimestre deste ano. A antecipação de ações de equipes multidisciplinares da Copel e a coordenação operacional e logística são fundamentais para os trabalhos de restabelecimento da energia e demais serviços essenciais.”

A companhia informou que utiliza ferramentas tecnológicas capazes de auxiliar no planejamento do deslocamento de equipes e materiais, além de investir na ampliação do efetivo que atua em todo o estado. No primeiro semestre deste ano, a Copel inspecionou aproximadamente 571 mil árvores e realizou 257 mil serviços de poda em sua área de concessão, um crescimento de 12% em relação ao mesmo período do ano passado. Atualmente, a distribuidora conta com 552 equipes pesadas dedicadas aos serviços de reconstrução de rede, reunindo mais de 3 mil profissionais em operação no Paraná.

O histórico recente de eventos extremos também tem servido como referência para o planejamento operacional da companhia. Durante o tornado de categoria F5 que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, em novembro de 2025, foram mobilizados cerca de 200 profissionais distribuídos em 40 equipes de trabalho, que substituíram 350 postes danificados e reconstruíram 11 quilômetros de rede elétrica em apenas quatro dias.

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“O Super El Niño projeta uma frequência maior de eventos extremos. Podemos vir a ter, simultaneamente, ocorrências severas como a do tornado de Rio Bonito do Iguaçu, registrado em novembro passado. Buscamos eficiência, em coordenação com demais atores desse processo. Estamos olhando pessoas, material, tecnologia e sistemas para que possamos ter qualidade no restabelecimento de energia”, explica Theodor.

Super El Niño poderá intensificar chuvas e tempestades no Sul do Brasil

As projeções climáticas apresentadas pela Climatempo durante o encontro apontam que o fenômeno El Niño poderá atingir intensidade classificada como “Muito Forte”, com aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial de até 3,6°C acima da média histórica.

Segundo os modelos climáticos, os meses de setembro, outubro e novembro deverão registrar os principais impactos do fenômeno no Brasil. Enquanto regiões do Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste poderão enfrentar períodos mais prolongados de estiagem, os estados do Sul devem registrar aumento significativo do volume de chuvas e maior ocorrência de tempestades severas.

“A modelagem climática nos indica que os meses de setembro, outubro e novembro no Brasil possam ser influenciados por esse El Niño com intensidade muito forte”, observa o coordenador da Climatempo, Gustavo Verardo.

O especialista ressalta que os efeitos esperados para a região Sul incluem enchentes, ventos fortes, granizo e possibilidade de tornados, associados à combinação entre maior disponibilidade de umidade e temperaturas elevadas: “São esperados eventos mais intensos em todo o País. Enquanto nas regiões Centro-Oeste em direção ao Norte e ao Nordeste é esperada grande estiagem, de São Paulo em direção à região Sul os efeitos devem ser de chuva acumulada com possibilidade de enchentes nos três estados e a liberação de calor por tempestades acompanhadas de ventos fortes, com granizo e possibilidade de tornados.”

Os meteorologistas da Climatempo avaliam que novembro deverá concentrar os maiores volumes de precipitação no Paraná, com acumulados que podem superar 200 milímetros acima da média histórica em algumas regiões do estado. Vinícius Lucyrio afirma que o fenômeno tem potencial para figurar entre os eventos mais intensos já registrados nas últimas décadas: “Há a tendência de que esse fenômeno se torne muito forte, com possibilidade de figurar entre os grandes eventos históricos de El Niño.”

Resiliência climática ganha espaço no planejamento das distribuidoras

O avanço dos eventos climáticos extremos tem levado as distribuidoras brasileiras a ampliar investimentos em manutenção preventiva, monitoramento meteorológico, digitalização das redes e protocolos de resposta rápida. A preparação para o Super El Niño reforça uma tendência que vem ganhando relevância no setor elétrico: a incorporação da resiliência climática como elemento estratégico da operação das concessões de distribuição de energia.

Para as distribuidoras, a capacidade de antecipar riscos e mobilizar recursos operacionais tornou-se um dos principais fatores para reduzir o tempo de interrupção do serviço e garantir maior confiabilidade no fornecimento de energia em cenários climáticos cada vez mais severos.

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