Assinados no Palácio da Alvorada, atos bilaterais abrangem desde a modernização do setor elétrico até o refino local de terras raras, lítio e níquel essenciais para a transição energética.
O Brasil e a República da Coreia deram um passo decisivo para adensar a tecnologia do setor elétrico brasileiro e garantir investimentos na cadeia de suprimentos de baixo carbono. Em cerimônia realizada nesta segunda-feira (27) no Palácio da Alvorada, com a presença dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Lee Jae-myung, as duas nações formalizaram dois acordos de cooperação internacional focados no fortalecimento da infraestrutura de energia e no aproveitamento sustentável do subsolo.
A articulação consolida os desdobramentos das tratativas diplomáticas iniciadas durante a visita da comitiva brasileira a Seul em fevereiro. O primeiro pacto estabelece um memorando de entendimento com vigência de cinco anos e renovação automática, cobrindo frentes estratégicas do setor elétrico como expansão de energias renováveis, eficiência energética, transmissão e distribuição, redes inteligentes (smart grids), além de projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e intercâmbio de especialistas.
Projetos-piloto e convergência regulatória na energia elétrica
Para além das diretrizes operacionais de infraestrutura, a parceria visa alinhar os marcos de governança e mercado para acompanhar a crescente digitalização e descentralização do Sistema Interligado Nacional (SIN).
As diretrizes do Ministério de Minas e Energia (MME) apontam que o texto abrange iniciativas integradas de inovação e atuação geopolítica conjunta: “O termo também estimula a troca de informações científicas, técnicas e regulatórias, a criação de projetos-piloto e a atuação coordenada em fóruns internacionais do setor de energia.”
O intercâmbio regulatório e o desenvolvimento de plantas-piloto devem atuar como catalisadores para a atração de capital sul-coreano e para a incorporação de sistemas avançados de automação e gerenciamento de rede, conferindo maior flexibilidade operativa ao sistema elétrico brasileiro.
Agregação de valor e refino local de minerais estratégicos
Complementando o avanço na infraestrutura elétrica, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o ministro do Comércio, Indústria e Energia da Coreia do Sul, Jung-Kwan Kim, assinaram um acordo específico voltado aos minerais críticos essenciais para as transições energética e digital, como lítio, terras raras, níquel e grafita.
O instrumento atende a uma demanda histórica da indústria nacional ao incentivar que as etapas de processamento, refino e agregação de valor ocorram nas proximidades das jazidas de extração no Brasil, evitando a mera exportação de matéria-prima bruta. A cooperação prioriza investimentos nas fases intermediárias e finais do processamento mineral, associados à criação de mecanismos permanentes de transferência tecnológica e ao respeito à soberania das políticas públicas de cada país.
A aproximação com o ecossistema industrial da Coreia do Sul, referência mundial na fabricação de baterias, veículos elétricos e semicondutores, cria um ambiente favorável para consolidar o Brasil como hub regional na cadeia global de suprimentos limpos.



