Crédito lastreado em contratos físicos avança no setor elétrico diante de juros elevados

Modelo integra financiamento e operação comercial, amplia liquidez e reduz dependência do crédito bancário tradicional

A combinação de juros elevados e maior seletividade bancária está acelerando a adoção de estruturas de crédito lastreadas em contratos físicos entre agentes do setor elétrico e de commodities. O modelo utiliza a entrega futura de energia ou produtos físicos como garantia da operação, conectando financiamento, gestão de risco e execução comercial.

A alternativa ganha espaço principalmente entre comercializadoras, geradoras e grandes consumidores do Mercado Livre de Energia, ao oferecer maior previsibilidade de caixa e menor pressão sobre o balanço das empresas.

Crédito passa a acompanhar a operação comercial

Diferentemente das linhas corporativas tradicionais, o crédito estruturado é desenhado a partir do fluxo operacional do contrato, alinhando desembolsos, garantias e geração de receita. A Tria Trading é um dos exemplos desse movimento. Nos últimos dois anos, a empresa estruturou mais de 30 operações nesse formato, movimentando mais de R$ 250 milhões.

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Ao analisar a evolução desse mercado, o cofundador e diretor de Novos Negócios da companhia, Heloy Rudge, destaca a integração entre capital e operação: “Essa lógica rompe com o financiamento bancário convencional. O crédito deixa de ser uma operação fria e isolada para se tornar parte da própria engrenagem comercial e estratégica da companhia. Capital, contrato e entrega caminham em absoluta simbiose.”

O executivo também destaca o alinhamento entre financiadores e tomadores proporcionado pela estrutura: “Quando o financiamento nasce organicamente do próprio contrato comercial, o alinhamento de interesses entre todas as partes é total.”

Mercado de capitais amplia participação

A expansão desse tipo de operação acompanha o crescimento dos instrumentos de crédito estruturado no país. Dados da ANBIMA mostram que o patrimônio dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) já supera R$ 600 bilhões, enquanto os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) seguem registrando novas emissões.

Para o setor elétrico, o movimento reforça a busca por mecanismos capazes de combinar liquidez, previsibilidade financeira e proteção contra a volatilidade dos preços de energia, especialmente em um ambiente de maior complexidade comercial e regulatória.

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