Escalada das tensões no Oriente Médio mantém auxílio de R$ 0,44 por litro aos combustíveis; agronegócio e indústria sucroenergética cobram retomada da competitividade do biocombustível.
A alta dos preços internacionais do petróleo, impulsionada pela retomada das tensões no Oriente Médio, levou o governo federal a adiar o encerramento das subvenções aos combustíveis fósseis. A decisão, já esperada pelo mercado, preserva temporariamente o subsídio à gasolina, cuja retirada estava prevista para esta semana.
O movimento evidencia o difícil equilíbrio entre controle inflacionário, responsabilidade fiscal e os interesses dos setores ligados aos biocombustíveis, que defendem o fim imediato do benefício concedido ao combustível fóssil.
Governo mantém estratégia de retirada gradual
A manutenção do pacote de apoio foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante entrevista à Rádio Gaúcha e posteriormente em declarações à imprensa. O ministro afirmou que o governo continuará reagindo às mudanças do cenário internacional, mas descartou ampliar os incentivos atualmente em vigor: “Mantemos a nossa estratégia de reagir com prontidão às mudanças no cenário geopolítico. No momento, o governo não discute a ampliação do pacote de ajuda, mas sim a sua retirada, o que será feito de forma cautelosa.”
Atualmente, o programa garante um subsídio de R$ 0,44 por litro para produtores e importadores de gasolina. Embora a equipe econômica mantenha a intenção de encerrar o benefício, a volatilidade do mercado internacional de petróleo reduziu a margem para uma retirada imediata do apoio.
Durigan informou que a situação será reavaliada na próxima semana e reiterou o desejo de concluir o processo de eliminação gradual da ajuda ao combustível.
Setor de etanol aumenta pressão política
A decisão de manter o subsídio ampliou a insatisfação entre produtores de etanol e representantes do agronegócio, que argumentam que a política reduz a competitividade do biocombustível nas bombas e distorce os sinais econômicos do mercado de combustíveis.
A pressão também chegou ao Congresso Nacional. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reconheceu que o cenário internacional exige cautela, mas reafirmou o compromisso do governo com o encerramento da medida: “Em função do cenário geopolítico, a retirada do subsídio à gasolina ainda vai levar algum tempo.”
Para o setor energético, a definição sobre o cronograma de retirada dos subsídios será determinante para distribuidoras, importadores e produtores de biocombustíveis, especialmente em um momento em que o mercado acompanha simultaneamente a evolução do conflito no Oriente Médio e o comportamento das cotações internacionais do petróleo.



