Safra recorde de cana e milho derruba preço do etanol em 24 estados em junho

Com recuo em 24 estados e no DF, biocombustível amplia competitividade frente à gasolina; óleo diesel e derivados fósseis acompanham trajetória de baixa no mercado nacional

O balanço do mercado de combustíveis líquidos no encerramento do primeiro semestre de 2026 consolidou uma trajetória de deflação generalizada nos postos de abastecimento do país. Impulsionado por fatores estruturais de oferta no complexo sucroenergético e no refino, o preço médio do etanol hidratado recuou 4,19% em junho na comparação com o mês anterior, registrando retração em 24 estados e no Distrito Federal. O movimento de baixa também se estendeu aos derivados de petróleo, com quedas consecutivas nas cotações da gasolina e do óleo diesel (comum e S-10), desenhando um cenário de maior competitividade para o planejamento logístico e corporativo nacional.

Os dados foram apurados pelo Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL). O indicador pondera o comportamento real de preços a partir do processamento de transações em uma malha de 21 mil postos credenciados no território nacional, servindo de termômetro para os custos operacionais de frotas comerciais e de passeio. De acordo com a série histórica do índice, o preço médio nacional do etanol fechou o período liquidado a R$ 4,35 por litro, ante os R$ 4,54 verificados em maio.

Tabela: Evolução dos preços médios nacionais (Mai/2026 vs. Jun/2026)

CombustívelPreço Médio Maio (R$)Preço Médio Junho (R$)Variação Percentual
Etanol4,5404,350-4,19%
Diesel Comum7,1306,980-2,10%
Diesel S-107,3207,220-1,36%
Gasolina6,8206,800-0,29%
Fonte: Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL)

Safra recorde e expansão do etanol de milho direcionam mercado interno

A retração expressiva nas bombas responde diretamente ao pico de moagem da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul e à consolidação de novas plantas industriais de processamento de milho. Essa combinação elevou a liquidez do biocombustível nos canais de distribuição regionais e forçou uma correção de preços nas usinas, com reflexo imediato no varejo.

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Ao analisar os fundamentos de mercado que ditaram a dinâmica de preços no período, o Diretor de Unidades de Negócio da Edenred Mobilidade, Vinicios Fernandes, correlacionou o avanço produtivo ao posicionamento do combustível na matriz energética: “A queda do etanol reflete um cenário cada vez mais favorável ao biocombustível no mercado interno. A oferta recorde da safra, aliada ao avanço da produção de etanol de milho, ampliou a disponibilidade do combustível, aumentando sua competitividade frente à gasolina e fortalecendo sua participação na matriz de abastecimento nacional.”

O redirecionamento do consumo em direção ao biocombustível também gera desdobramentos de ordem macroeconômica. A maior autonomia energética diminui a necessidade de acionamento de janelas de importação de derivados claros em portos nacionais, otimizando o fluxo cambial.

O diretor da Edenred Mobilidade complementou a avaliação apontando os impactos estruturais desse vetor de abastecimento para o ambiente de negócios do país: “Esse movimento fortalece a cadeia produtiva nacional, reduz a dependência de combustíveis fósseis importados, amplia as opções competitivas para o consumidor e contribui positivamente para a balança comercial brasileira.”

Assimetrias regionais expõem gargalos de infraestrutura logística

Apesar do viés deflacionário global, a análise regional do IPTL evidencia discrepâncias profundas nos preços finais praticados ao consumidor, balizadas por custos de frete rodoviário e alíquotas tributárias estaduais. O complexo logístico da Região Norte permaneceu como o mais oneroso do país. No fechamento de junho, a média regional do diesel comum e do diesel S-10 fixou-se em R$ 7,65 por litro, enquanto a gasolina e o etanol atingiram marcas médias de R$ 7,23 e R$ 5,35, respectivamente. Isolado na análise por estados, Roraima computou os patamares mais elevados do país, com a gasolina cotada a R$ 7,82 e o diesel comum batendo a linha de R$ 8,36.

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No extremo oposto da eficiência de escoamento, a Região Sul registrou as menores médias operacionais para o diesel comum (R$ 6,46), diesel S-10 (R$ 6,75) e para a gasolina (R$ 6,56), com o Rio Grande do Sul liderando a gasolina mais barata do mercado interno a R$ 6,43.

Para o mercado de etanol, a maior vantagem econômica concentrou-se no cinturão produtor do Sudeste, que registrou preço médio de R$ 4,21, seguido de perto pelo Centro-Oeste com R$ 4,25. O estado de São Paulo preservou o posto de menor valor nominal para o biocombustível, comercializado a R$ 4,02 por litro, o que representou uma deflação de 4,74% frente aos registros de maio.

As maiores oscilações de baixa em junho foram distribuídas de forma descentralizada. Alagoas capitaneou o recuo do diesel comum com queda expressiva de 7,61%. Já o estado do Amazonas liderou as correções para baixo do diesel S-10 (-3,35%) e da gasolina (-3,66%). No segmento do etanol hidratado, o estado de Mato Grosso apresentou a retração mais contundente do país, cedendo 7,61% e reduzindo o valor de balcão de R$ 4,47 para R$ 4,13.

Descarbonização de frotas e a paridade de consumo nas bombas

A consolidação de sucessivos recuos nos preços do etanol melhora o indicador de paridade de consumo em relação à gasolina, que tradicionalmente adota o patamar de 70% de eficiência energética por litro, tornando o abastecimento do combustível de fonte renovável vantajoso em um número crescente de estados da federação.

Ao encerrar o balanço de comportamento de mercado, Vinicios Fernandes ressaltou a relevância do atual ciclo de preços para a transição energética corporativa e cumprimento de metas ESG: “Além da economia proporcionada pelos preços mais baixos, o etanol oferece importantes benefícios ambientais por emitir menos poluentes do que os combustíveis fósseis, contribuindo diretamente para a redução da pegada de carbono da frota brasileira.”

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