ONS eleva projeção de crescimento da carga para 2,3% em julho e reduz expectativa para reservatórios do Sudeste

Revisão do PMO aponta demanda mais forte no SIN, afluências abaixo da média no Sudeste/Centro-Oeste e CMO de R$ 176,11/MWh nos principais subsistemas

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) revisou para cima a projeção de crescimento da carga no Sistema Interligado Nacional (SIN) em julho. De acordo com o Programa Mensal da Operação (PMO) referente à semana operativa entre 11 e 17 de julho, a demanda nacional deverá avançar 2,3% na comparação com o mesmo período do ano passado, alcançando carga média de 78.009 MWmed.

A nova estimativa supera a expansão de 1,7% projetada na revisão anterior e sinaliza a continuidade do crescimento do consumo elétrico no país, impulsionado principalmente pelas regiões Norte e Nordeste.

Afluências menores pressionam reservatórios do Sudeste

Apesar do avanço da carga, o principal sinal de atenção do PMO está no comportamento hidrológico do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, responsável pela maior capacidade de armazenamento do país.

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O ONS reduziu a projeção de armazenamento para a região ao final de julho de 65,6% para 64,3% da capacidade máxima, refletindo a deterioração das afluências observadas nas principais bacias hidrográficas do subsistema.

A estimativa de Energia Natural Afluente (ENA) para o Sudeste/Centro-Oeste caiu de 97% para 92% da Média de Longo Termo (MLT). O Nordeste também apresentou nova redução, passando de 62% para 61% da MLT, enquanto a região Norte permaneceu em 64% da média histórica.

Na direção oposta, o Sul segue como principal suporte hidrológico do sistema, com previsão de afluências equivalentes a 154% da MLT no mês.

Norte e Nordeste lideram expansão da demanda

A análise regional da carga, considerando a contribuição da micro e minigeração distribuída (MMGD), mostra crescimento significativamente superior no Norte e Nordeste.

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A região Nordeste deverá registrar expansão de 8,2%, atingindo demanda média de 13.467 MWmed, enquanto o Norte apresenta crescimento estimado de 7,6%, com carga de 8.663 MWmed. Já os dois maiores centros consumidores do país mostram estabilidade. O Sudeste/Centro-Oeste deve crescer apenas 0,2%, totalizando 42.187 MWmed, enquanto o Sul registra alta de 0,3%, chegando a 13.692 MWmed.

CMO permanece estável e despacho térmico supera 8,6 GW médios

No mercado de curto prazo, o Custo Marginal de Operação (CMO) permaneceu equalizado em R$ 176,11/MWh nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul e Nordeste. A exceção continua sendo o Norte, onde o indicador foi fixado em R$ 289,25/MWh para todos os patamares de carga.

Para garantir o atendimento ao sistema, o ONS programou despacho térmico total de 8.622 MW médios ao longo da semana operativa. Desse volume, 6.242 MWmed correspondem à inflexibilidade declarada pelos geradores, enquanto 2.380 MWmed serão despachados por ordem de mérito econômico.

O custo esperado da operação do SIN foi estimado em R$ 390,2 milhões para a semana em curso, com redução para uma média de R$ 341,8 milhões semanais até o encerramento do mês.

Para comercializadores, consumidores livres e geradores, os números reforçam um cenário de demanda aquecida, reservatórios ainda confortáveis, porém em trajetória de desaceleração no principal subsistema hidrelétrico do país, aumentando a relevância do acompanhamento das próximas revisões hidrológicas do ONS.

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