Companhia contrata BTG Pactual para estruturar potencial oferta de ações preferenciais e convoca AGE para flexibilizar capital autorizado e viabilizar captação
A ISA Energia Brasil deu o primeiro passo para uma nova captação de recursos no mercado de capitais. A transmissora informou nesta sexta-feira (3) que avalia a realização de uma oferta pública subsequente de ações (follow-on) com distribuição primária de papéis preferenciais. A operação é estimada pelo mercado em aproximadamente R$ 650 milhões e ocorre em um momento de forte demanda por capital para execução de projetos estruturais de escoamento energético.
Para conduzir os estudos da operação de equity, a ISA Energia Brasil contratou o BTG Pactual como assessor financeiro exclusivo. O banco de investimento ficará responsável pela modelagem da potencial oferta, avaliação das condições de liquidez e estruturação financeira da captação. Caso o processo avance, os atuais acionistas terão direito de preferência na subscrição das novas ações, reduzindo os efeitos de diluição. A controladora ISA Capital, detentora de 35,81% do capital social da transmissora, já manifestou interesse preliminar em acompanhar a emissão de forma proporcional à sua participação.
AGE prepara reestruturação do capital da companhia
Como parte da estratégia de preparação para a eventual emissão, o Conselho de Administração convocou uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para o próximo dia 24 de julho. A reunião terá como principal objetivo alterar dispositivos do estatuto social e ampliar a flexibilidade financeira da companhia.
Entre as propostas submetidas aos acionistas está o aumento do limite do capital autorizado, permitindo futuras emissões de ações ordinárias e preferenciais sem a necessidade de manutenção da atual proporcionalidade entre as classes de papéis. A companhia também pretende obter autorização para emitir outros instrumentos de dívida e de patrimônio dentro do novo teto, além de formalizar a consolidação estatutária da conversão de ações ordinárias em preferenciais, medida aprovada pelo colegiado em abril deste ano.
Na prática, as alterações ampliam a agilidade da transmissora para acessar o mercado em futuras operações de financiamento corporativo, em um cenário de expansão do sistema de transmissão e crescente demanda por infraestrutura elétrica de alta tensão.
Captação pode reforçar caixa após ciclo de grandes obras
Embora a companhia não tenha detalhado a destinação específica dos recursos, a potencial oferta é vista pelo mercado como uma ferramenta de fortalecimento da posição de liquidez após um período de intensa execução de projetos de engenharia. Nos últimos anos, a ISA Energia Brasil concentrou seus esforços na entrega de empreendimentos considerados estratégicos para o Sistema Interligado Nacional (SIN), ao mesmo tempo em que adotou uma postura mais conservadora nos leilões promovidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Entre os principais ativos concluídos está o Projeto Piraquê, empreendimento localizado entre Minas Gerais e Espírito Santo, composto por mais de mil quilômetros de linhas de transmissão voltadas ao escoamento da geração renovável produzida no Norte de Minas. Outro destaque é o Projeto Riacho Grande, em São Paulo, entregue em março deste ano após investimentos de R$ 1,1 bilhão. O empreendimento abriga o maior sistema de linhas de transmissão subterrâneas em operação no país, com 44,6 quilômetros de circuitos de alta tensão.
Disciplina financeira e foco na execução
A possibilidade de uma oferta de ações está alinhada à estratégia de disciplina financeira defendida pela administração. Em apresentações recentes ao mercado, a diretoria reiterou que a prioridade é concluir a robusta carteira de projetos em andamento, fortalecer a estrutura de balanço e preservar indicadores de alavancagem em níveis saudáveis.
A companhia ressaltou, entretanto, que ainda não existe uma decisão definitiva sobre a realização do follow-on. O volume final da emissão, o cronograma e as condições de precificação dependerão da evolução do cenário macroeconômico, da volatilidade do mercado e do apetite de investidores locais e estrangeiros. Caso seja confirmada, a operação poderá se consolidar como uma das principais captações de equity do setor elétrico em 2026.



