Porto do Açu atinge saldo hídrico positivo e viabiliza hub de hidrogênio verde

Complexo no Norte Fluminense repõe 55% mais água doce do que capta e afasta riscos de competição hídrica para projetos de amônia verde e geração eólica offshore

A segurança hídrica e a gestão sustentável de mananciais consolidaram-se como ativos críticos para a atração de investimentos estruturantes em infraestrutura e descarbonização industrial. Um estudo técnico conduzido pela consultoria internacional Waterplan comprovou que o Porto do Açu, complexo porto-indústria localizado em São João da Barra, no Norte Fluminense, alcançou um balanço hídrico superavitário em suas operações. De acordo com o levantamento, o empreendimento devolve à Bacia Hidrográfica do Baixo Paraíba do Sul um volume de água doce significativamente maior do que o total captado para suas atividades industriais e logísticas.

O balanço operacional detalhado aponta que o complexo utilizou 1,75 milhão de metros cúbicos de água, enquanto injetou 2,73 milhões de metros cúbicos de volta à bacia hidrográfica regional. Esse superávit hídrico representa uma reposição 55% superior ao volume consumido, o equivalente ao abastecimento anual regular de uma área urbana de aproximadamente 43 mil habitantes. Um dos fatores regulatórios essenciais do arranjo é que o suprimento do distrito industrial é feito por meio de infraestrutura própria de adução e distribuição, eliminando qualquer vetor de competição com as redes de saneamento público ou com o abastecimento da população local.

Engenharia ambiental e macrodrenagem inteligente na Reserva Caruara

O superávit verificado pela auditoria internacional decorre de um plano integrado de engenharia ambiental e manejo de ecossistemas costeiros. O projeto envolve o monitoramento e a conservação da Lagoa de Iquipari, além da operação de um sistema de macrodrenagem inteligente implementado ao longo do distrito industrial. Essa estrutura de escoamento foi projetada para reter as águas pluviais, mitigando o escoamento superficial rápido e favorecendo a infiltração controlada no solo, o que alimenta de forma natural os aquíferos subterrâneos da região.

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Paralelamente às soluções de engenharia civil, a Reserva Caruara atua como o principal sorvedouro e regulador hídrico do complexo. A unidade protege uma extensão de 4.000 hectares de ecossistema de restinga e recebeu aportes que ultrapassam R$ 50 milhões desde a sua criação, em 2012. O espaço conta com um corpo técnico de 80 colaboradores diretos composto integralmente por profissionais locais.

O papel da área de preservação dentro da governança de ativos do grupo é analisado por Caio Cunha, gerente de Relações Portuárias e da Reserva Caruara: “Não se trata apenas de uma área protegida, mas também um ativo estratégico do território e uma unidade de negócios voltada a ampliar o impacto positivo do Porto.”

O plano diretor do complexo prevê a resiliência de longo prazo para dar suporte ao pipeline de projetos de hidrogênio verde, amônia de baixo carbono e geração eólica offshore previstos para o hub. Atualmente, mais de 70% da demanda de água do porto é suprida por fontes alternativas, como reúso e aproveitamento pluvial, índice que o planejamento estratégico projeta elevar para 90% até o horizonte de 2030.

Conexão com metas globais e atração de capital ESG

O modelo de balanço hídrico positivo está inserido na “Ambição 2050”, plataforma que norteia o planejamento de longo prazo do porto frente aos desafios globais de transição energética e finanças sustentáveis. Como parte desse posicionamento regulatório, o Açu formalizou sua adesão aos movimentos Ambição Net Zero e +Água, chancelados pela Rede Brasil do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), que estabelecem metas rigorosas para a governança corporativa da água e neutralidade climática.

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O alinhamento socioeconômico dessas metas ambientais reflete-se na consolidação do ecossistema de negócios do Norte Fluminense. O porto-indústria abriga hoje 30 empresas instaladas e registrou a movimentação de 89 milhões de toneladas de carga. A operação logística e industrial sustenta mais de 7.600 postos de trabalho diretos, dos quais 75% são preenchidos por trabalhadores da região, além de apresentar uma expansão de 23% na sua cadeia de fornecedores locais e registrar mais de 51 mil pessoas cobertas pelas ações integradas de sua Agenda Social.

O direcionamento institucional da companhia em equilibrar a eficiência privada com o desenvolvimento do entorno é ressaltado por Gustavo Vianna, gerente geral de Sustentabilidade do Porto do Açu: “Nosso compromisso vai além da eficiência operacional. Nosso objetivo é gerar valor para a sociedade enquanto ampliamos as oportunidades de crescimento e preparamos a região para receber novos investimentos e gerar empregos.”

O executivo pondera ainda sobre a perenidade das ações e o impacto dos investimentos no tecido social e econômico regional: “Acreditamos que o desenvolvimento só faz sentido quando gera valor compartilhado. Por isso, investimos na qualificação de profissionais, no fortalecimento de fornecedores locais, no empreendedorismo, na inovação e no diálogo com as comunidades. Queremos que o crescimento do complexo se traduza em um legado positivo para as próximas gerações.”

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