Com aporte de R$ 1,3 bilhão, projeto no Rio Iguaçu elevará capacidade da maior hidrelétrica da companhia para 2.536 MW aproveitando engenharia da década de 1970
A Companhia Paranaense de Energia (Copel) deu início às primeiras intervenções de campo para consolidar um dos projetos mais estratégicos de expansão de ativos de geração hidrelétrica do Sul do país. A concessionária concluiu as etapas de limpeza técnica e manejo de fauna na casa de força da Usina Governador Bento Munhoz da Rocha Neto (Foz do Areia), localizada no Rio Iguaçu, no município de Pinhão (PR). A atividade pavimenta o caminho regulatório e operacional para a montagem e o comissionamento de duas novas unidades geradoras, que se somarão às quatro turbinas já em operação comercial.
O empreendimento demandará um aporte de capital de R$ 1,3 bilhão, com o início das obras civis pesadas programado para setembro deste ano. Do ponto de vista do balanço energético do Sistema Interligado Nacional (SIN), o projeto adicionará 860 megawatts (MW) de potência ao ativo, elevando a capacidade instalada da maior planta geradora da Copel de 1.676 MW para 2.536 MW, um incremento de aproximadamente 50% na oferta de energia firme e na capacidade de modulação de ponta da usina.
Aproveitamento de engenharia da década de 1970 evita impacto ambiental
O grande diferencial de engenharia e viabilidade financeira da expansão de Foz do Areia reside no planejamento de longo prazo estruturado no século passado. A ampliação da planta aproveitará integralmente os poços das turbinas e as estruturas civis remanescentes previstos no projeto conceitual original da usina, elaborado ainda na década de 1970. Naquela oportunidade, o corpo de engenharia já havia reservado áreas físicas e canais hidráulicos blindados para uma futura expansão da capacidade instalada.
Ao reativar esse planejamento dinâmico, a Copel consegue injetar uma expressiva quantidade de energia renovável na matriz nacional com custos de CAPEX proporcionalmente menores e impactos socioambientais mínimos. A otimização dos blocos de fundação existentes elimina a necessidade de alteração na cota do Rio Iguaçu, dispensando o alteamento do barramento de concreto ou a formação de novas áreas de reservatório, o que confere alta eficiência de licenciamento e agilidade regulatória ao projeto.
Mitigação de impacto e preparação dos condutos de descarga
Os trabalhos executados nesta semana concentraram-se nos canais de restituição de concreto armado situados abaixo das futuras unidades geradoras. Essas estruturas, que possuem cerca de 27 metros de comprimento na base, abrigarão os tubos de sucção metálicos responsáveis por direcionar o fluxo hídrico de volta ao leito do rio após a passagem pelas pás das turbinas. Por se tratarem de galerias inundadas, o cronograma técnico exigiu o isolamento hidráulico e a remoção da lâmina de água de fundo para permitir o acesso seguro das equipes de inspeção civil.
O cumprimento dos condicionantes ambientais exigidos pelos órgãos licenciadores foi conduzido por uma equipe técnica especializada, que operou o resgate da fauna aquática remanescente confinada nos canais de descarga. Os peixes e demais espécimes capturados foram submetidos a triagem, avaliação biológica e biometria antes de serem translocados e devolvidos em condições seguras ao reservatório principal da hidrelétrica.
Para assegurar a continuidade dos trabalhos de engenharia civil sem novos incidentes ecológicos, o planejamento técnico previu a instalação imediata de barreiras físicas e telas de exclusão mecânica na saída dos canais, impedindo de forma definitiva o reingresso de peixes nas áreas de obras durante o período de montagem eletromecânica dos novos grupos geradores.


