Cemig investe R$ 51 milhões em subestação para eliminar restrições de rede no Campo das Vertentes

Com 15 MVA de potência instalada, subestação São Tiago mitiga restrições operacionais, eleva a confiabilidade sistêmica e atende à demanda agroindustrial de quatro municípios mineiros.

A consolidação da infraestrutura elétrica como vetor de expansão econômica ganhou um novo marco na região do Campo das Vertentes, em Minas Gerais. A Cemig e o Governo do Estado realizaram uma visita técnica à recém-implantada subestação São Tiago. O empreendimento demandou um aporte de aproximadamente R$ 51 milhões, configurando uma intervenção estratégica para readequar o perfil de atendimento de uma região caracterizada pela forte expansão da demanda agroindustrial.

A instalação cumpre a função de descentralizar o atendimento local, beneficiando diretamente cerca de 50 mil clientes distribuídos entre os municípios de São Tiago, São João del Rei, Ritápolis e Conceição da Barra de Minas. O ativo eleva a flexibilidade operativa da rede e amplia as margens de potência instalada, mitigando os riscos de interrupções e oscilações no suprimento de energia em cenários de pico de carga.

Descentralização operativa e incremento de potência firme

Com uma potência nominal instalada de 15 MVA, a estrutura representa a primeira unidade de transformação de alta para média tensão construída no município de São Tiago. Sob a perspectiva de engenharia de sistemas de potência, o projeto corrige uma vulnerabilidade histórica da configuração de rede local: anteriormente, o abastecimento da cidade dependia de forma exclusiva da Subestação São João del-Rei 2.

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A introdução deste novo nó de conexão reduz de forma expressiva o comprimento físico dos circuitos de distribuição, encurtando o raio de atendimento e, por consequência, minimizando as perdas técnicas inerentes ao transporte de energia em longas distâncias. O novo arranjo topológico confere maior redundância operacional ao sistema regional, assegurando que o crescimento da carga industrial e comercial não resulte em sobrecarga dos ativos remotos.

O direcionamento corporativo por trás do projeto foi detalhado pelo presidente da concessionária, Alexandre Ramos, que enfatizou o papel da expansão de rede como indutora do desenvolvimento de polos produtivos regionais: “A subestação São Tiago representa um investimento estratégico para fortalecer a infraestrutura elétrica da região e criar condições para o crescimento econômico sustentável. Além de aumentar a confiabilidade do fornecimento para milhares de clientes, a obra amplia a capacidade de atendimento da rede e prepara o sistema elétrico para acompanhar a expansão das atividades produtivas e a atração de novos investimentos.”

Resiliência para o polo agropecuário e de panificação

Os desdobramentos técnicos da nova subestação refletem-se diretamente na segurança jurídica e operacional do setor produtivo do Campo das Vertentes. Grandes demandantes de energia da região, a exemplo do Grupo Fortmais, Jeitinho de Minas, Trigo de Ouro, Bao Dimais, Biscoito e Prosa e Extrativa Fertilizantes, passam a usufruir de níveis mais rigorosos de qualidade de energia, mensurados pelos indicadores de continuidade equivalentes (DEC e FEC) estipulados pela agência reguladora.

A modernização atende com precisão ao ecossistema econômico de São Tiago, considerado um dos principais polos agropecuários do estado e referência mineira na indústria de panificação e biscoitos artesanais. A eletrificação robusta atua como premissa básica para a automação das linhas de produção e instalação de novos maquinários, viabilizando ganhos de escala e estimulando a geração de emprego e renda no mercado local.

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Plano decenal projeta R$ 70 bilhões em investimentos estruturais

A energização da subestação integra o macroplano plurianual da distribuidora, estruturado para fazer frente aos desafios contemporâneos da transição energética, da proliferação da geração distribuída (GD) e da crescente incidência de eventos climáticos extremos. No horizonte que compreende o período entre 2019 e 2029, a Cemig executa o maior ciclo de investimentos de sua história institucional, com uma projeção de investimento global de R$ 70 bilhões direcionados à expansão, modernização e digitalização de seus ativos de rede.

O pipeline decenal abrange metas físicas robustas, incluindo a construção e ampliação de 200 subestações em todo o território de concessão, a digitalização completa de unidades de controle estratégico e a implementação de 1,5 milhão de medidores inteligentes (AMI). O plano contempla ainda a expansão de redes trifásicas rurais, a instalação progressiva de religadores automáticos com tecnologia de recomposição imediata (self-healing) e a aplicação de inteligência artificial voltada à gestão preditiva de ativos e telecomunicações próprias.

Eficiência energética e sustentabilidade no consumo local

De forma paralela ao reforço físico do sistema de distribuição, a concessionária tem aportado recursos voltados à otimização da demanda em São Tiago, via Programas de Eficiência Energética (PEE) chancelados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Historicamente, o município captou mais de R$ 700 mil por meio da iniciativa. Desse montante, mais de R$ 300 mil foram injetados estritamente nos últimos cinco anos, financiando projetos de alta relevância social e operacional.

O portfólio de eficiência energética local incluiu a eficientização de 100% da iluminação do Hospital São Vicente de Paulo, a conversão do parque de iluminação pública municipal para a tecnologia LED e a instalação de uma usina solar fotovoltaica para suprimento da referida unidade de saúde.

Ao analisar a convergência entre os aportes em alta tensão e as frentes de eficiência energética na ponta do consumo, o vice-presidente de Distribuição da Cemig, Ernando Antunes Braga, sintetizou a visão de longo prazo da companhia para o mercado de distribuição: “Esse conjunto de iniciativas reposiciona a Cemig como uma empresa preparada para o futuro da energia. Mais do que ampliar a capacidade da rede, os investimentos aumentam a resiliência do sistema elétrico, melhoram a qualidade do fornecimento, reduzem o tempo de atendimento às ocorrências e criam as condições necessárias para integrar novas tecnologias, fontes renováveis e modelos de consumo que transformarão o setor elétrico nos próximos anos.”

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