Atlas Lithium obtém licença ambiental e prepara entrada em operação do Projeto Neves no Vale do Lítio

Ampliação do empreendimento em Minas Gerais libera avanço das obras e reforça estratégia da companhia para produzir concentrado de lítio destinado à cadeia global de baterias e mobilidade elétrica

A Atlas Lithium deu um passo decisivo para colocar em operação seu principal empreendimento de lítio no Brasil. A companhia anunciou a obtenção da licença ambiental que autoriza a ampliação do Projeto Neves, localizado no Vale do Jequitinhonha (MG), etapa considerada fundamental para o início da produção comercial do ativo.

A autorização permite o avanço da implantação das estruturas previstas no projeto e representa um marco regulatório para um dos empreendimentos inseridos no chamado Vale do Lítio, região que concentra investimentos voltados à produção de minerais estratégicos para a transição energética. O projeto foi estruturado para fornecer concentrado de lítio de alta pureza, matéria-prima utilizada principalmente na fabricação de baterias para veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia.

A licença também permite que a empresa avance na execução do plano operacional definido em seu Estudo de Viabilidade Definitivo (Definitive Feasibility Study – DFS), validado pela SGS Canada, documento que reúne os parâmetros técnicos, econômicos e operacionais do empreendimento.

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Projeto combina alta rentabilidade e baixo custo operacional

As projeções financeiras divulgadas pela Atlas Lithium colocam o Projeto Neves entre os ativos de maior retorno potencial do segmento de lítio de rocha dura. Segundo a companhia, a unidade deverá produzir cerca de 146 mil toneladas anuais de concentrado de lítio. O estudo de viabilidade estima uma Taxa Interna de Retorno (TIR) pós-impostos de 145%, enquanto o prazo de recuperação do investimento é calculado em aproximadamente 11 meses.

Outro indicador destacado pela empresa é o custo operacional projetado de US$ 489 por tonelada de concentrado, valor significativamente inferior às referências recentes utilizadas no estudo econômico, próximas de US$ 2.200 por tonelada. Embora esses indicadores estejam sujeitos às condições futuras do mercado internacional de lítio, caracterizado por elevada volatilidade nos preços nos últimos anos, eles reforçam a competitividade esperada para o empreendimento caso as premissas econômicas sejam confirmadas durante a operação.

Ao comentar a obtenção da licença, o CEO e chairman da Atlas Lithium, Marc Fogassa, destacou o significado do avanço regulatório para o desenvolvimento do projeto: “A autorização para ampliar o Projeto Neves representa um passo decisivo para transformar nosso potencial mineral em operação, com geração de empregos, desenvolvimento regional e um modelo de produção alinhado às exigências ambientais e de competitividade do mercado brasileiro.”

Obras entram em nova fase de implantação

Com a licença emitida, a companhia iniciou a mobilização das empresas responsáveis pela implantação da infraestrutura industrial. Entre os contratos já anunciados estão as empresas Promon Engenharia, TSX Engineering, Cerne Construções e Alfa Engenharia, que atuarão nas etapas de engenharia, montagem e construção da planta.

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A Atlas Lithium informou ainda que os módulos do sistema de processamento por separação em meio denso (Dense Media Separation – DMS) já chegaram ao Brasil e serão instalados nas próximas fases da implantação. Esse tipo de tecnologia é amplamente utilizado na indústria de lítio por permitir maior eficiência na concentração do minério antes das etapas de beneficiamento.

Projeto aposta em rejeito a seco e recirculação de água

Além da estratégia operacional, a empresa busca diferenciar o empreendimento pela adoção de tecnologias voltadas à redução de impactos ambientais. O Projeto Neves foi concebido para operar com sistema fechado de recirculação de água, reduzindo a necessidade de captação hídrica durante o processamento mineral.

Outro diferencial anunciado pela companhia é a adoção do método de empilhamento a seco dos rejeitos (dry stacking), tecnologia que elimina a necessidade de barragens convencionais para disposição de resíduos do beneficiamento. Nos últimos anos, esse modelo vem sendo adotado por diversos projetos minerários como alternativa para reduzir riscos operacionais e atender às exigências ambientais cada vez mais rigorosas aplicadas ao setor.

Expansão fortalece posição da empresa no Vale do Lítio

A entrada em operação do Projeto Neves integra uma estratégia mais ampla de consolidação da Atlas Lithium no Vale do Jequitinhonha. Segundo a companhia, seu portfólio reúne aproximadamente 557 quilômetros quadrados em direitos minerários voltados à exploração de lítio, formando uma das maiores áreas sob controle de uma empresa de capital aberto dedicada ao mineral no Brasil.

A expansão dos ativos também despertou interesse internacional. Em 2024, a japonesa Mitsui & Co. realizou um investimento de US$ 30 milhões na Atlas Lithium, passando a integrar a base acionária da empresa e reforçando sua estratégia de inserção na cadeia global de fornecimento de minerais críticos.

Além dos projetos de lítio, a companhia mantém participação de 20% na Atlas Critical Minerals Corporation, empresa que reúne ativos brasileiros voltados à exploração de terras raras, grafite e titânio, minerais considerados estratégicos para segmentos como eletrificação, armazenamento de energia, indústria eletrônica e fabricação de equipamentos de alta tecnologia.

Com o avanço regulatório obtido em Minas Gerais, a Atlas Lithium passa a concentrar esforços na conclusão das obras e na preparação da planta para iniciar a produção comercial, em um momento em que o Brasil busca ampliar sua participação no mercado global de minerais críticos para a transição energética.

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