Com alta de até 19% na indústria, Aneel reajusta tarifas da RGE e Energisa

Impacto na RGE Sul chega a 16,06% impulsionado por passivo da crise climática de 2024; em Minas e Rio, Energisa Minas Rio terá revisão média de 11,27% nas tarifas.

A diretoria colegiada da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) homologou, nesta terça-feira (16), dois importantes processos tarifários que pressionarão os custos de energia para indústrias e consumidores residenciais no Sul e no Sudeste. Durante a 12ª Reunião Pública Ordinária da diretoria, o regulador chancelou o Reajuste Tarifário Anual (RTA) de 2026 da RGE Sul e a Revisão Tarifária Periódica (RTP) da Energisa Minas Rio (EMR). Ambos os processos foram severamente impactados pelo aumento dos custos não gerenciáveis (Parcela A) e por componentes financeiros de ciclos anteriores.

No Rio Grande do Sul, a RGE Sul, concessionária do Grupo CPFL que atende cerca de 3,19 milhões de unidades consumidoras a partir de sua sede em São Leopoldo (RS), teve um efeito médio homologado de 16,06%. As novas tarifas entram em vigor nesta sexta-feira, 19 de junho. Já no caso da Energisa Minas Rio, que distribui energia para 621 mil clientes em municípios de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, o efeito médio geral será de 11,27%, com vigência a partir do dia 22 de junho.

Indústria gaúcha absorve maior impacto no reajuste da RGE Sul

O desenho do reposicionamento tarifário da RGE Sul onerará de forma mais acentuada o parque fabril e os suprimentos comerciais de grande capacidade conectados em média e alta tensão. Para este segmento, o índice médio fixado pela agência reguladora foi de 19,02%.

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Na baixa tensão, que engloba o comércio de menor porte e o mercado residencial, o reajuste médio apurado ficou em 14,93%. Os consumidores da classe B1 (residencial convencional) experimentarão uma elevação de 14,97% em suas faturas.

Abaixo, a configuração dos novos índices da distribuidora gaúcha:

Classe de Consumo / Categoria (RGE Sul)Índice Aprovado pela Aneel
Consumidores Residenciais (B1)14,97%
Média para Baixa Tensão14,93%
Média para Alta Tensão (Indústria)19,02%
Efeito Médio Geral ao Consumidor16,06%

Os principais vetores de pressão sobre a Parcela A da distribuidora envolveram os desembolsos voltados ao pagamento de encargos setoriais obrigatórios, além da elevação dos custos associados às atividades de transporte de energia e compra de suprimento de geração junto aos leilões regulados.

O peso do passivo regulatório da calamidade de 2024 no RS

O certame tarifário da RGE Sul traz o início da fatura de longo prazo das medidas de socorro adotadas pelo setor elétrico durante a crise climática que assolou o Rio Grande do Sul em 2024. Naquele período de calamidade pública, o regulador implementou uma engenharia financeira excepcional: manteve congeladas as tarifas vigentes de 2023 entre junho e agosto de 2024 e, posteriormente, estruturou um reajuste com variação média nula que perdurou até junho de 2025.

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Para garantir o fluxo de caixa da distribuidora e viabilizar a proteção emergencial à população, a autarquia constituiu um passivo financeiro setorial de grande porte em favor da empresa. O voto do colegiado detalhou as regras de transição para a quitação desta conta, determinando que a recomposição deveria ocorrer.

A amortização programada deste ativo regulatório, somada aos custos correntes do Sistema Interligado Nacional (SIN), explica o patamar de dois dígitos do reajuste de 2026, evidenciando como os custos de mitigação de eventos extremos continuam a exercer pressão sobre a modicidade tarifária regional.

Baixa tensão lidera as altas na Energisa Minas Rio

Diferente do cenário gaúcho, o processo de Revisão Tarifária Periódica da Energisa Minas Rio concentrou o maior impacto financeiro na baixa tensão, que registrará uma alta média de 12,80%. A classe residencial B1 sofrerá o maior aumento individual, estabelecido em 12,93%.

Em contrapartida, os clientes industriais e comerciais de grande porte atendidos em alta tensão absorverão um reajuste significativamente menor, fixado em média em 5,23%.

A tabela a seguir consolida os índices homologados para a área de concessão da distribuidora do Grupo Energisa:

Classe de Consumo / Categoria (Energisa Minas Rio)Índice Aprovado pela Aneel
Consumidores Residenciais (B1)12,93%
Média para Baixa Tensão12,80%
Média para Alta Tensão (Indústria)5,23%
Efeito Médio Geral ao Consumidor11,27%

De acordo com a equipe técnica da Aneel, a revisão da Energisa Minas Rio foi impulsionada pela elevação nos custos de transporte de energia, investimentos na própria rede de distribuição e o peso crescente dos encargos setoriais incidentes sobre a conta de luz. Esses ativos e passivos regulatórios acumulados de períodos anteriores foram incorporados ao atual ciclo financeiro, impactando diretamente o cálculo da tarifa base para o próximo período regulatório.

O processo da Energisa Minas Rio foi precedido por ritos de controle social por meio da Consulta Pública nº 4/2026, aberta entre 1º de abril e 15 de maio de 2026. A agência também promoveu uma audiência pública presencial em Cataguases (MG) para colher subsídios técnicos e detalhar a metodologia de cálculo diretamente à sociedade civil antes da homologação final dos índices.

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