MME e CNPE ampliam rede nacional de testes com aporte de R$ 30 milhões do FNDCT para acelerar avaliação veicular de misturas superiores ao B15.
O governo federal deu mais um passo para ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz de transportes brasileira. O Ministério de Minas e Energia (MME), com respaldo do Conselho Nacional de Política Engenharia (CNPE), iniciou uma nova fase de testes para viabilizar o aumento gradual da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel fóssil, com potencial de alcançar até 25% (B25), conforme previsto nas metas da Lei do Combustível do Futuro.
A iniciativa prevê investimentos de R$ 30 milhões, oriundos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), destinados à expansão da infraestrutura nacional de ensaios mecânicos e físico-químicos. O objetivo é garantir que futuras decisões sobre a elevação dos teores de biodiesel sejam baseadas estritamente em evidências técnicas, assegurando desempenho, durabilidade e confiabilidade para motores, montadoras, distribuidoras e consumidores finais.
Infraestrutura de testes será ampliada em escala nacional
Os recursos aprovados pelo governo permitirão um salto significativo na capacidade brasileira de avaliação técnica de combustíveis de baixo carbono. A estrutura de ensaios passará de dois para 16 laboratórios mecânicos e físico-químicos credenciados, enquanto o número de bancadas de testes, plataformas dinâmicas que simulam as condições reais de operação e desgaste dos motores, será ampliado de duas para seis unidades operacionais.
Os ensaios, iniciados no último dia 20 de maio no Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), marcam o início da etapa prática de validação das misturas superiores ao patamar de 15% (B15). As análises laboratoriais incluem testes severos de desempenho, curvas de consumo, níveis de emissões gasosas, durabilidade de componentes de injeção e a compatibilidade química do combustível renovável com diferentes gerações de tecnologias veiculares pesadas.
A ampliação desse ecossistema técnico busca reduzir assimetrias de informação, mitigar incertezas regulatórias e oferecer maior previsibilidade aos agentes econômicos, especialmente aos fabricantes de motores (frequentemente preocupados com o comportamento de altos teores de éster no motor), produtores de biodiesel e operadores logísticos.
Segurança regulatória orienta avanço do Programa Combustível do Futuro
A elevação dos percentuais de biodiesel no diesel comercializado nos postos dependerá diretamente dos laudos técnicos obtidos durante os ensaios e da posterior homologação do CNPE. O modelo adotado estabelece uma trajetória gradual e parametrizada, desenhada para evitar impactos mecânicos na frota rodoviária em circulação e salvaguardar a padronização do combustível.
Ao destacar a importância da nova etapa de testes, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reforçou o compromisso de conciliar a agenda verde com a segurança operacional: “O avanço dos biocombustíveis no Brasil precisa ser conduzido com responsabilidade e previsibilidade. Por isso, seguimos rigorosamente o plano de testes aprovado, garantindo segurança jurídica e regulatória ao setor, preservando a qualidade do combustível que chega ao consumidor e assegurando que a evolução das misturas ocorra sem impactos para a frota brasileira. Nosso objetivo é pavimentar o caminho definitivo rumo ao B25.”
A estratégia faz parte da implementação da Lei nº 14.993/2024, que instituiu o Programa Combustível do Futuro e desenhou o arcabouço para impulsionar os combustíveis renováveis e a mobilidade sustentável no país.
Biodiesel ganha relevância na agenda de descarbonização
O aumento da participação do biodiesel é considerado um dos principais instrumentos de curto prazo para mitigar as emissões de gases de efeito estufa no transporte rodoviário de cargas, segmento que responde pela maior parcela do consumo de óleo diesel no território nacional.
Além dos ganhos ambientais óbvios, o adensamento do biodiesel reduz a vulnerabilidade externa do país ao diminuir a dependência de importação de diesel fóssil refinado. O avanço da mistura também injeta dinamismo na economia agrícola regional, gerando demanda incremental para o complexo de esmagamento de oleaginosas, como a soja, e fomentando a cadeia de suprimentos da agroindústria.
Comitê técnico coordenará avaliações e próximos passos
A governança e coordenação dos estudos estão a cargo do Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro (CTP-CF), colegiado interministerial criado por lei para supervisionar as políticas públicas de mitigação de carbono nos transportes.
O plano de testes detalhado foi estruturado pelo Subcomitê de Avaliação da Viabilidade Técnica de Misturas de Altos Teores de Biocombustíveis, que definiu os protocolos de ensaios e calibração de motores. O grupo atua de forma transversal, reunindo quadros do governo federal, institutos de pesquisa científica, associações automotivas e representantes do setor produtivo de biocombustíveis. Os relatórios parciais consolidarão a base de dados científica necessária para balizar os próximos decretos do CNPE.



