MODEC testa no pré-sal tecnologias inéditas que podem reduzir em até 50% as emissões de plataformas offshore

Companhia desenvolve projetos com captura de carbono, células a combustível e inteligência artificial para aumentar a eficiência energética e reduzir a pegada de carbono dos FPSOs no Brasil

A MODEC está testando no pré-sal brasileiro uma nova geração de tecnologias voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa em plataformas offshore. As iniciativas incluem células a combustível capazes de reduzir em até 50% as emissões em comparação às turbinas a gás convencionais, sistemas de captura de carbono em gases pós-combustão, inteligência artificial aplicada à otimização operacional e soluções voltadas à redução da queima de gases em FPSOs.

Parte das tecnologias já está em operação ou em fase de comissionamento nas unidades da companhia instaladas no Brasil, reforçando a estratégia da empresa de incorporar soluções de descarbonização ao desenvolvimento de novos projetos offshore.

O diretor técnico da MODEC, Fernando Siqueira, destaca que a companhia tem adotado uma abordagem antecipada no desenvolvimento de tecnologias para gestão de emissões: “Não esperamos as condições ideais, do ponto de vista econômico ou regulatório, para avançar e ter um design sempre à frente do mercado. É uma pegada que veio para ficar.”

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O executivo acrescenta que os investimentos realizados fazem parte da estratégia de longo prazo da companhia: “Trabalhamos em todas as nossas condições, mesmo que ao nosso custo, para desenvolver soluções e manter a nossa competitividade.”

Células a combustível podem cortar emissões pela metade

Entre os projetos mais avançados está a parceria firmada com a empresa norueguesa Eld Energy para testar células a combustível de óxido sólido (Solid Oxide Fuel Cells – SOFCs) em uma embarcação da frota da MODEC que opera no pré-sal brasileiro.

A tecnologia gera eletricidade sem combustão e apresenta potencial para reduzir em até 50% as emissões de gases de efeito estufa quando comparada às turbinas a gás tradicionalmente utilizadas nas plataformas offshore. Segundo a companhia, a unidade brasileira será a primeira instalação offshore do mundo a receber uma planta piloto baseada nessa solução.

A empresa também concluiu a contratação de um projeto-piloto de captura de carbono utilizando a tecnologia CycloneCC, desenvolvida pela Carbon Clean. A solução prevê a instalação inédita de um módulo de captura de CO₂ em um FPSO em operação no Brasil, ampliando o portfólio de iniciativas voltadas à descarbonização das operações offshore.

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Inteligência artificial e gestão inteligente do flare ganham espaço nas operações

A digitalização dos processos operacionais também faz parte da estratégia da MODEC. Desenvolvido pela Shape Digital, spin-off da companhia, o software Shape Aura utiliza inteligência artificial, machine learning e modelos de engenharia para otimizar, em tempo real, parâmetros operacionais dos FPSOs, reduzindo o consumo energético e as emissões associadas.

De acordo com a empresa, os resultados obtidos nas unidades onde a tecnologia já foi implementada apontam para uma redução entre 3% e 5% das emissões de gases de efeito estufa. Outra solução em operação é o Smart Flare Analysis System, implementado desde janeiro de 2025 no FPSO Almirante Barroso MV32. O sistema utiliza mais de 450 sensores para classificar automaticamente eventos relacionados ao flare em categorias como rotina, segurança e não rotina, seguindo as diretrizes da Global Flaring and Methane Reduction Partnership (GFMR).

A ferramenta permite identificar causas operacionais em até 20 subcategorias distintas e deverá ser expandida para outras unidades da frota. A companhia também trabalha no desenvolvimento de um modelo preditivo capaz de antecipar eventos operacionais com base em padrões históricos.

Eficiência energética complementa estratégia de descarbonização

A MODEC também investe em tecnologias voltadas ao aumento da eficiência energética de suas unidades offshore. Entre elas está a geração de energia em ciclo combinado (Gas Turbine Combined Cycle – GTCC), capaz de produzir cerca de 30% mais eletricidade em comparação aos sistemas convencionais baseados em turbinas a gás.

Outra iniciativa é o Vent Recovery, sistema de recuperação de vapores dos tanques de carga que apresenta potencial para reduzir em até 90% as emissões associadas ao processo, além do Closed Flare, desenvolvido para minimizar as emissões provenientes da queima de gases nas plataformas.

No pré-sal, a companhia também testa a tecnologia Deep Seawater Intake, que utiliza água do mar captada em maiores profundidades nos sistemas de resfriamento dos FPSOs. A redução da temperatura da água em aproximadamente 2°C a 3°C diminui a demanda energética do processo e pode evitar a emissão de cerca de 500 toneladas de CO₂ equivalente por ano em uma única unidade.

Fernando Siqueira ressalta que a companhia busca consolidar uma abordagem integrada para a gestão de emissões em suas operações offshore: “Estamos construindo as bases para uma gestão cada vez mais proativa, preventiva e integrada das emissões. Esse é um passo importante na jornada da MODEC rumo a soluções operacionais mais inteligentes e sustentáveis.”

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