Em conferência nos EUA, CEO da Atlas Lithium defende o potencial de Minas Gerais como fornecedor estratégico para a cadeia de baterias e transição energética
O mercado global de minerais críticos acompanha de perto a reconfiguração das cadeias de suprimentos para a transição energética, e o Brasil tenta consolidar sua posição como um dos portos seguros para o suprimento de lítio nas Américas. Em Washington, D.C., durante a Benchmark Giga USA 2026, conferência focada na cadeia de baterias realizada nos dias 9 e 10 de junho, a relevância geopolítica da produção nacional ganhou destaque nas discussões de agentes públicos, investidores e representantes da indústria internacional.
A defesa do protagonismo brasileiro ficou a cargo de Marc Fogassa, CEO e chairman da Atlas Lithium, que apresentou painel voltado à contribuição do país para cadeias mais resilientes em setores estratégicos como eletrificação, defesa e descarbonização. O pano de fundo do debate é a busca de grandes economias, sobretudo a norte-americana, por fornecedores de minerais estratégicos que reduzam a dependência excessiva de rotas tradicionais de refino dominadas pela Ásia.
Atratividade internacional e números do Projeto Neves
O principal argumento para colocar o país nessa equação atende pelo nome de Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, região que concentra o Projeto Neves, principal ativo da mineradora. A Atlas Lithium detém cerca de 557 km² em direitos minerais de lítio, o que representa o maior portfólio do país entre as companhias listadas em bolsa (NASDAQ: ATLX).
A viabilidade financeira do empreendimento tem atraído a atenção do capital estrangeiro devido a indicadores agressivos de retorno. O estudo de viabilidade definitivo do projeto aponta uma Taxa Interna de Retorno (TIR) de 145% e um tempo de recuperação do capital investido (payback) estimado em apenas 11 meses.
Esse desempenho financeiro projetado converteu-se em aportes práticos. A gigante japonesa Mitsui & Co. realizou um investimento de US$ 30 milhões na companhia, chancelando a atratividade do ativo mineiro no cenário externo. Em termos operacionais, os passos mais recentes para a implantação da mina envolveram o desembarque da planta modular de processamento em solo brasileiro, etapa considerada crucial para o início das operações de lavra e beneficiamento.
Marc Fogassa aponta as vantagens estruturais que fundamentam a tese de investimento no país: “O Brasil é um componente cada vez mais relevante na equação global de minerais críticos. O Projeto Neves exemplifica como o país pode oferecer lítio de alta qualidade, com potencial de produção eficiente em mina a céu aberto e em um ambiente regulatório favorável, além de gerar benefícios econômicos e sociais para as comunidades locais.”
Além do lítio: a expansão em terras raras e grafite
A estratégia de posicionamento na cadeia de transição não se restringe ao metal das baterias. O ecossistema mineral do país envolve outras frentes de alta tecnologia que começam a demandar escala comercial e garantias de fornecimento para os mercados ocidentais.
Nesse sentido, a mineradora mantém uma participação de aproximadamente 20% na Atlas Critical Minerals Corporation (NASDAQ: ATCX). Trata-se de um braço operacional com exposição direta a ativos de terras raras, titânio e grafite. Esses insumos são considerados críticos por estarem diretamente associados a indústrias de defesa, supercondutores, turbinas eólicas e ligas metálicas avançadas de alto valor agregado, complementando o portfólio de descarbonização ancorado pelo lítio.



