Com investimentos de R$ 323,3 milhões em novas linhas de transmissão, iniciativa descarboniza a matriz local e garante segurança energética para 60 mil paraenses
O Ministério de Minas e Energia (MME) consolidou mais uma etapa estratégica para a descarbonização dos Sistemas Isolados na região Norte do país. Por meio do Programa Energias da Amazônia, o governo federal concluiu as obras de interligação dos municípios de Aveiro e Porto de Moz, no estado do Pará, ao Sistema Interligado Nacional (SIN). A medida estende a rede elétrica básica a mais de 60 mil habitantes, substituindo a geração térmica local por uma matriz majoritariamente renovável.
A iniciativa ataca um dos principais gargalos estruturais da região: a dependência de usinas movidas a óleo diesel. Historicamente, essas localidades operavam de forma autônoma, vulneráveis à volatilidade dos custos de combustíveis e aos impactos ambientais da geração fóssil, custeada em grande parte pelos consumidores de todo o país via Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).
Aporte milionário expande infraestrutura de transmissão no Pará
A engenharia de expansão para conectar as localidades demandou investimentos robustos em linhas de escoamento de alta tensão, superando os desafios logísticos geográficos da bacia amazônica.
Em Aveiro, o aporte financeiro foi de R$ 56,1 milhões para viabilizar a implantação de 129 quilômetros de linhas de distribuição e transmissão, o que estabiliza o atendimento eletroenergético de 19 mil moradores.
Por sua vez, o projeto de maior complexidade técnica ocorreu em Porto de Moz. O empreendimento recebeu R$ 267,2 milhões em recursos para erguer 189 quilômetros de circuitos em classe de 138 kV. A infraestrutura de alta tensão foi dimensionada para suportar o crescimento da demanda industrial e residencial de 44.121 habitantes, eliminando o risco de subtensão e apagões crônicos na região.
Transição energética e sustentabilidade nos Sistemas Isolados
A conexão dos municípios paraenses ao SIN altera profundamente o perfil de emissões do setor elétrico na região Norte. Ao integrar a ponta do consumo à malha nacional, cujo grid é composto por mais de 90% de fontes limpas, como hídrica, eólica e solar, o programa mitiga toneladas de gases de efeito estufa (GEE) anualmente.
Além da vertente climática, a chegada da energia do SIN funciona como indutor socioeconômico. A estabilidade de tensão atrai novos investimentos em comércio, serviços e agroindústria local, áreas antes severamente limitadas pelas restrições de capacidade das usinas a diesel. O MME projeta que a redução do uso de combustíveis fósseis nos sistemas isolados trará, no médio prazo, maior eficiência alocativa para os subsídios do setor.
Vetor de desenvolvimento social e econômico na Amazônia
Os impactos do avanço regulatório e de infraestrutura extrapolam os indicadores técnicos de continuidade do fornecimento, como DEC e FEC, consolidando a energia como direito fundamental e motor de cidadania para as populações tradicionais e urbanas da Amazônia Legal.
O escopo do projeto reafirma a diretriz de utilizar a expansão do Sistema Interligado Nacional como ferramenta de equidade regional: “O Programa Energias da Amazônia reafirma o papel da infraestrutura energética como vetor de inclusão social, desenvolvimento econômico e melhoria da qualidade de vida das populações amazônicas, conectando comunidades, promovendo oportunidades e impulsionando um futuro mais sustentável para a região.”



