Cemig lança edital de R$ 50 milhões para integrar solar e baterias no agronegócio de Minas Gerais

Nova fase do Programa de Eficiência Energética prevê bônus mínimo de 60% para produtores rurais investirem em sistemas BESS e geração fotovoltaica com foco em segurança de suprimento.

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) deu início ao processo de transição tecnológica voltado ao atendimento da carga rural em sua área de concessão. A distribuidora mineira abriu oficialmente as inscrições para o edital do Programa Cemig Agro Solar 24h, uma chamada pública que destinará até R$ 50 milhões para viabilizar a implantação de sistemas de geração solar fotovoltaica acoplados a bancos de armazenamento de energia em baterias (BESS, na sigla em inglês).

O foco da iniciativa é mitigar os gargalos de qualidade do fornecimento e ampliar a resiliência operacional de atividades agropecuárias eletrointensivas que demandam alta confiabilidade na rede, como a suinocultura, a avicultura de corte, a cadeia leiteira e os sistemas de irrigação automatizados. Financiar esse modelo por meio do Programa de Eficiência Energética (PEE), que é regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em articulação com o portfólio de serviços do Cemig Agro, permite que a concessionária atue na modernização da infraestrutura de fim de linha.

As regras do certame estabelecem que os projetos selecionados garantirão aos consumidores rurais beneficiados um subsídio financeiro expressivo: um bônus mínimo de 60% sobre o custo total de aquisição e instalação dos ativos de microgeração e armazenamento. A estratégia desenhada busca acelerar a curva de adoção de sistemas híbridos no campo, reduzindo o custo de capital (Capex) para o produtor e viabilizando o uso de tecnologias de armazenamento que, em condições puras de mercado, ainda enfrentam barreiras de preço para o cliente final.

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Foco em BESS e estabilidade operacional no campo

O arranjo tecnológico proposto pelo edital representa uma evolução no modelo tradicional de geração distribuída fotovoltaica. Ao associar os painéis solares aos sistemas de armazenamento em baterias de escala compacta, o programa soluciona a intermitência natural da fonte solar, garantindo o deslocamento da curva de carga e o suporte de potência nos momentos de distúrbios na rede de distribuição primária.

O gerente de Eficiência Energética da Cemig, Thiago Batista, aponta o alinhamento do projeto com as tendências globais de descarbonização e descentralização do setor elétrico: “O armazenamento de energia em baterias é uma das tecnologias mais promissoras da transição energética. Ao associar a geração solar aos sistemas de armazenamento, conseguimos oferecer ao produtor rural mais autonomia, segurança operacional e eficiência energética. Isso é especialmente importante para atividades que não podem sofrer interrupções, como irrigação, produção de leite, avicultura, suinocultura e agroindústrias.”

O desenho do programa prevê o credenciamento de propostas estruturadas por empresas de engenharia especializadas, companhias de serviços de conservação de energia (ESCOs), além de consórcios, associações e entidades públicas ou privadas capacitadas a executar as obras no padrão técnico exigido pela distribuidora.

Competitividade e metas de descarbonização da distribuidora

Além do impacto direto na modicidade de custos operacionais das propriedades rurais, o programa atua como um vetor de sustentabilidade corporativa para a própria distribuidora, que acumula indicadores robustos de redução de demanda no sistema de distribuição de energia.

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Ao projetar os impactos de longo prazo da inserção dessas novas tecnologias no portfólio setorial do estado, Thiago Batista reforça o papel do programa na transformação do perfil de consumo rural: “Além dos ganhos econômicos, o programa contribui para a modernização do campo e para a adoção de tecnologias alinhadas às práticas de sustentabilidade. Estamos criando condições para que cada vez mais produtores tenham acesso a soluções energéticas modernas, capazes de aumentar a competitividade do agronegócio mineiro.”

O aporte se soma ao histórico do PEE da Cemig, que em mais de duas décadas de operação já direcionou montantes superiores a R$ 1,1 bilhão em projetos de otimização energética nos 774 municípios sob sua concessão. O balanço consolidado dessas ações aponta para uma economia acumulada superior a 7.500 GWh na rede, volume equivalente ao atendimento de 4,8 milhões de unidades consumidoras residenciais pelo período de um ano, além de evitar o lançamento de 525 mil toneladas de dióxido de carbono na atmosfera.

Cronograma e submissão de propostas

Os desenvolvedores de projetos interessados em disputar a fatia do orçamento de R$ 50 milhões têm até o dia 26 de junho de 2026 para formalizar o envio das propostas técnicas e da documentação de habilitação jurídica e financeira. A equipe técnica da Cemig conduzirá a avaliação dos projetos com base nos critérios de custo-benefício energético estipulados pela regulamentação do PEE/Aneel, com a publicação do resultado final do processo seletivo agendada para o dia 31 de agosto de 2026.

O edital completo, os manuais de orientação tarifária e os anexos para submissão eletrônica estão disponíveis no canal oficial de contratações da companhia.

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