Com alta de 36% no lucro líquido, companhia consolida estratégia de integração gás-energia e avança em novos hubs após leilão de reserva de capacidade.
A Eneva (ENEV3) iniciou o ano de 2026 com indicadores operacionais e financeiros robustos, consolidando sua posição como peça-chave na segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN). O lucro líquido da companhia atingiu R$ 522,7 milhões no primeiro trimestre (1T26), um crescimento de 36% em relação aos R$ 384,4 milhões apurados no mesmo período de 2025.
O desempenho reflete a estratégia de diversificação do portfólio e a capacidade de resposta ao cenário hidrológico e regulatório. O EBITDA consolidado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 1,69 bilhão, o maior valor já registrado pela empresa para um primeiro trimestre, representando um avanço de 10,7% na comparação anual.
Despacho Térmico e Expansão do Portfólio
O principal motor dos resultados foi a intensificação do despacho termelétrico, especialmente no Complexo Parnaíba, onde a geração bruta totalizou 3.942 GWh — patamar três vezes superior ao 1T25. Além do despacho por mérito, a entrada em vigor dos contratos regulados do Leilão de Reserva de Capacidade de 2021 (LRCAP 2021) para as UTEs Viana, Geramar I e II e Parnaíba IV injetou fôlego novo ao balanço, compensando o encerramento dos contratos do Procedimento Competitivo Simplificado (PCS).
A eficiência operacional também foi destaque na disponibilidade das usinas. No trimestre, a companhia concluiu reparos críticos nas UTEs Parnaíba V e Pecém II, reestabelecendo 100% da capacidade operacional desses ativos. No Amazonas, a UTE Jaguatirica II manteve despacho de 77%, reforçando a relevância do sistema isolado de Roraima.
Avanço na Comercialização e Gás Off-Grid
A Eneva tem colhido frutos de sua expansão para além da geração pura. O segmento de comercialização de gás “Off-Grid” contribuiu com um EBITDA de R$ 82,5 milhões, impulsionado pelo ramp-up das plantas de liquefação e aumento no volume de GNL vendido.
Já o Hub Sergipe apresentou crescimento de R$ 109,2 milhões no EBITDA, sustentado por operações estruturadas da Mesa de Gás e arbitragens no mercado de GNL. No âmbito corporativo, a empresa celebrou um acordo decisivo para o futuro: a venda da UTE Pecém II para a Diamante Geração de Energia, operação avaliada em R$ 872,3 milhões. O movimento permite que a Eneva detenha 100% dos direitos para o desenvolvimento do Hub Ceará, focando em um terminal de GNL próprio.
Gestão Financeira e Endividamento
O plano de expansão, que inclui o ambicioso projeto Azulão 950 e o desenvolvimento de novos campos, elevou o volume de investimentos para R$ 2,05 bilhões no trimestre. Como consequência natural da fase de crescimento (“growth”), a dívida líquida consolidada subiu para R$ 18,5 bilhões, com alavancagem medida pela relação dívida líquida/EBITDA em 2,77x.
A estrutura de capital foi reforçada pela 14ª Emissão de Debêntures, que captou R$ 2,4 bilhões com prazos de até 15 anos, garantindo fôlego para os compromissos assumidos no Leilão de Reserva de Capacidade de 2026 (LRCAP 2026). Nesse certame, a Eneva contratou 3,65 GW de potência nova, garantindo uma receita fixa de R$ 161 bilhões entre 2026 e 2046.



