Expansão da Unidade Santa Luzia, em Mato Grosso do Sul, marca entrada da companhia no segmento de milho e reforça estratégia de integração energética, segurança operacional e descarbonização da matriz brasileira
A corrida pela diversificação energética no setor sucroenergético brasileiro ganhou um novo capítulo com o anúncio da Atvos de sua primeira operação dedicada à produção de etanol de milho. A companhia confirmou a ampliação da Unidade Santa Luzia, em Mato Grosso do Sul, consolidando uma estratégia voltada à produção contínua de biocombustíveis, integração industrial e aumento da competitividade em um mercado cada vez mais orientado pela transição energética.
O movimento posiciona a empresa entre os grupos que buscam reduzir a dependência da sazonalidade da cana-de-açúcar, transformando o milho em uma alternativa complementar para manter as usinas operando ao longo dos 12 meses do ano. Na prática, a decisão amplia a previsibilidade operacional da companhia, melhora a diluição de custos fixos e fortalece a oferta de combustíveis renováveis em um momento de pressão global por descarbonização dos transportes.
A nova planta terá capacidade para processar 642 mil toneladas de milho anualmente. A expectativa é produzir cerca de 273 mil metros cúbicos de etanol por ano, além de 183 mil toneladas de DDG (Distillers Dried Grains), utilizado na nutrição animal, e 13 mil toneladas de óleo de milho.
Modelo integrado reduz sazonalidade e aumenta eficiência industrial
A entrada da Atvos no mercado de etanol de milho segue uma tendência que vem ganhando força no Centro-Oeste brasileiro. O modelo conhecido como “flex” permite que as usinas combinem diferentes matérias-primas na mesma estrutura industrial, reduzindo períodos de ociosidade e elevando a eficiência operacional.
No caso da Unidade Santa Luzia, o projeto foi desenhado dentro de uma lógica de economia circular. O bagaço da cana-de-açúcar será utilizado na cogeração de energia que abastecerá parte relevante do consumo térmico e elétrico da produção de etanol de milho, reduzindo custos energéticos e a intensidade de carbono da operação.
A estratégia também amplia a capacidade da companhia de responder às oscilações do mercado internacional de commodities agrícolas e energéticas, preservando competitividade mesmo em cenários mais voláteis.
Ao detalhar os objetivos do investimento, o CEO da Atvos, Bruno Serapião, destacou que o projeto representa um avanço estrutural na estratégia da companhia: “Este investimento está alinhado à nossa visão de longo prazo e à estratégia de crescimento sustentável da Atvos. O etanol de milho amplia nossa capacidade produtiva e fortalece nossa atuação como plataforma integrada de biocombustíveis, contribuindo para a segurança energética do Brasil e para uma oferta mais robusta de energia renovável para o mundo.”
Etanol de milho ganha espaço na agenda da transição energética
A expansão ocorre em um momento de consolidação do etanol de milho como um dos principais vetores de crescimento do setor de biocombustíveis no Brasil. O avanço da produção no Centro-Oeste acompanha o aumento da demanda global por soluções de menor intensidade de carbono, especialmente para segmentos considerados difíceis de descarbonizar, como transporte pesado, aviação e navegação.
Além do mercado doméstico, o combustível renovável também ganha relevância nas discussões sobre SAF (Sustainable Aviation Fuel) e combustíveis avançados de baixa emissão, ampliando o interesse de investidores internacionais no setor brasileiro de bioenergia.
A diversificação da matriz produtiva da Atvos também reforça uma tendência observada entre grandes grupos do setor sucroenergético: ampliar portfólio para além do etanol tradicional e da cogeração elétrica, incorporando novas rotas energéticas ligadas ao milho, biometano e combustíveis sustentáveis.
Bruno Serapião ressaltou que o atual estágio financeiro e operacional da empresa cria condições para acelerar essa agenda de expansão: “Com uma base operacional e financeira sólida, também ganhamos previsibilidade para avançar nessa agenda mesmo em cenários globais mais desafiadores.”
Mato Grosso do Sul amplia protagonismo na bioenergia
O investimento reforça o papel estratégico de Mato Grosso do Sul como um dos principais polos de bioenergia do país. Nos últimos anos, o estado consolidou um ambiente favorável para projetos ligados à biomassa, etanol de milho, biogás e combustíveis renováveis, atraindo aportes bilionários de grandes grupos nacionais e internacionais.
A localização da Unidade Santa Luzia também favorece o acesso à produção agrícola da região, reduzindo custos logísticos e ampliando a competitividade do negócio no longo prazo.
Além do impacto energético, a expansão deverá movimentar a economia regional durante a fase de implantação. A expectativa da companhia é gerar aproximadamente 2 mil empregos no período de construção da nova unidade.
Para o setor elétrico e de combustíveis, o avanço da integração entre cana e milho reforça uma transformação mais ampla da indústria energética brasileira, que passa a operar com maior flexibilidade de matérias-primas, diversificação de receitas e foco crescente em eficiência de carbono.



