Ex-presidente da CCEE e quadro técnico de carreira assume o comando da estatal mineira com foco em digitalização, resiliência climática e mercado livre.
A Cemig oficializou, nesta segunda-feira (11), a posse de Alexandre Ramos Peixoto como o novo presidente da companhia. A cerimônia, realizada em Belo Horizonte, marca uma mudança estratégica na governança da estatal: o retorno de um quadro técnico e servidor de carreira ao posto mais alto da diretoria executiva.
Eleito pelo Conselho de Administração, Ramos assume a liderança em um momento de transformação estrutural para a maior distribuidora de energia do país em extensão de rede. O novo presidente terá o desafio de conduzir o maior ciclo de investimentos da história da empresa, com aportes previstos de R$ 70 bilhões até 2030, focados em modernização, resiliência climática e expansão da infraestrutura.
Digitalização e o novo papel do consumidor
Com uma trajetória de 36 anos no setor, Alexandre Ramos chega à presidência com o discurso alinhado às tendências de descentralização e empoderamento do usuário final. Ao projetar os rumos da concessionária diante das rupturas tecnológicas e regulatórias, o executivo destacou a necessidade de adaptação rápida: “O mundo está em permanente mudança e o setor de energia é o que mais rapidamente se transforma. A transição energética, a digitalização, a descentralização da geração e o protagonismo do consumidor inevitavelmente redesenharão o nosso papel.”
O governador de Minas Gerais, Mateus Simões, reforçou que a escolha do executivo representa um compromisso com a eficiência operacional da estatal. Durante o ato de posse, Simões sublinhou a confiança na experiência de Ramos para garantir a continuidade do crescimento da empresa: “Alexandre representa o que conversa mais de perto com a identidade da Cemig. Ele tem a oportunidade de construir, ao lado do Governo do Estado, o futuro de Minas Gerais com a condução desta companhia. Foi uma escolha acertada que, com trabalho sério e competente, trará ainda mais prosperidade.”
Trajetória técnica: da base ao topo do setor
A experiência de Alexandre Ramos percorre os principais pilares do setor elétrico brasileiro. Ingressou na Cemig como engenheiro em 1989 e ocupou cargos de relevância na Aneel, no Ministério de Minas e Energia (MME) e na EPE. Sua gestão recente à frente do Conselho de Administração da CCEE (2023-2026) foi fundamental para consolidar a abertura do mercado livre.
Ao retornar à empresa, Ramos enfatizou o vínculo institucional: “Hoje é um dia memorável. Retorno à minha casa, uma instituição mineira que tanto amamos e da qual tanto nos orgulhamos. É o momento de aplicar toda essa visão sistêmica do setor em prol da evolução da Cemig.”
Modernização e competitividade no Mercado Livre
A gestão de Ramos será testada pela complexidade da modernização regulatória. O Brasil vive a transição para um modelo de mercado onde a Cemig precisa equilibrar sua robustez tradicional com a agilidade exigida pela comercialização varejista.
Sobre este cenário, o executivo analisou a magnitude das mudanças em curso: “Estamos vivendo um dos momentos mais importantes da história do setor elétrico brasileiro. A abertura do mercado, a inserção acelerada das fontes renováveis e a necessidade de um mercado mais aberto e competitivo exigirão capacidade de adaptação e visão de longo prazo.”
Para além das questões macro-regulatórias, a Cemig mantém seu papel como indutora do desenvolvimento econômico mineiro. A execução do plano decenal de investimentos é vista como vital para atrair indústrias e melhorar os indicadores de continuidade (DEC e FEC), assegurando que a inovação tecnológica se traduza em qualidade de serviço na ponta para o consumidor.



