ANEEL aprova transferência de controle da Roraima Energia para a Âmbar Energia

Decisão do colegiado ratifica saída do Grupo Oliveira e consolida expansão do Grupo J&F no segmento de distribuição da Região Norte; operação inclui quatro usinas térmicas estratégicas em Boa Vista.

A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) deu anuência oficial, em reunião pública realizada nesta terça-feira (7/4), para a transferência do controle societário da Roraima Energia à Âmbar Energia, braço de energia do Grupo J&F. A decisão marca o encerramento do ciclo de gestão da Oliveira Energia na distribuidora roraimense, repetindo o movimento de consolidação já observado anteriormente no estado vizinho, o Amazonas.

O processo teve como relator o diretor Gentil Nogueira, cujo voto favorável à operação foi acompanhado pela maioria do colegiado. A deliberação só não contou com a participação do diretor Fernando Mosna, que declarou suspeição para atuar no caso. A aprovação ocorre meses após o anúncio inicial do acordo, firmado em outubro do ano passado, e sinaliza uma busca por maior robustez financeira para a operadora de um dos sistemas mais isolados do país.

Consolidação regional e sucessão da Oliveira Energia

A aquisição da Roraima Energia é o segundo movimento de grande porte da Âmbar Energia na região. A empresa já havia assumido a Amazonas Energia, também adquirida do Grupo Oliveira, após um processo administrativo e jurídico complexo que envolveu discussões sobre o equilíbrio econômico-financeiro da concessão amazonense.

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Com este novo passo, o Grupo J&F assume a responsabilidade por um mercado consumidor com desafios logísticos singulares, dado que Roraima é o único estado brasileiro ainda não interligado ao Sistema Interligado Nacional (SIN), dependendo majoritariamente de geração térmica local e da expectativa de conclusão do Linhão de Tucuruí (Manaus-Boa Vista).

Ativos de geração térmica integram o pacote

A operação aprovada pela agência reguladora não se limita ao ativo de distribuição. A transação envolve um portfólio estratégico de geração térmica, essencial para o abastecimento da capital roraimense. Ao assumir o controle, a Âmbar passa a operar as usinas:

  • Distrito
  • Floresta
  • Monte Cristo Sucuba
  • Monte Cristo

Todas as plantas estão localizadas em Boa Vista e desempenham um papel crítico na segurança energética do estado. A integração vertical entre geração e distribuição na região é vista por analistas como uma tentativa de mitigar riscos operacionais e otimizar a cadeia de suprimentos em um sistema isolado.

Próximos passos e desafios regulatórios

O voto do relator Gentil Nogueira, que pautou a decisão unânime, destacou a conformidade da proposta com os requisitos de governança e capacidade técnica da nova controladora: “O voto do relator, diretor Gentil Nogueira, foi seguido pelos demais diretores na reunião, com exceção do diretor Fernando Mosna, que declarou suspeição.”

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A expectativa agora recai sobre os planos de investimento da Âmbar para a Roraima Energia. O estado enfrenta desafios históricos de qualidade do serviço e inadimplência, além da pressão pela substituição da matriz térmica por fontes mais limpas e baratas à medida que a integração física com o restante do país avança. A transferência de controle deve ser formalizada nas próximas semanas após o cumprimento das condicionantes previstas na decisão da ANEEL.

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