Eneva expande geração térmica em 46% no 2T26 impulsionada por despacho no mérito e nova dinâmica do SIN

Geração bruta consolidada da companhia cresceu 35% no trimestre, atingindo 2.537 GWh. Modelo Newave híbrido e transição para o período seco elevam papel estratégico do portfólio a gás.

A Eneva (B3: ENEV3) registrou uma expansão robusta em suas operações de geração de energia no segundo trimestre de 2026. A geração bruta total da companhia atingiu 2.537 GWh no período, o que representa um avanço de 35% em relação ao volume registrado no mesmo intervalo do ano anterior. O principal motor desse crescimento foi o segmento de geração termelétrica, que saltou 46% no comparativo anual, alcançando 2.230 GWh líquidos.

O desempenho reflete diretamente o aumento das convocações por ordem de mérito no Sistema Interligado Nacional (SIN), em um período marcado pelo início da transição para a estação seca e por ajustes regulatórios na formação de preços de energia no país.

Nova dinâmica de preços e aversão ao risco no SIN

O comportamento do setor elétrico no segundo trimestre foi fortemente influenciado pela consolidação do Modelo Newave híbrido, adotado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para a gestão do SIN. Com regras que tratam os reservatórios hídricos de forma individualizada e aplicam critérios mais rigorosos de aversão ao risco, o sistema passou a reagir de maneira mais célere a qualquer sinalização de piora na hidrologia.

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Essa mecânica regulatória aproximou os preços calculados pelo modelo ao Custo Marginal de Operação (CMO). O resultado prático foi a manutenção de patamares de Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) que mantiveram usinas térmicas de menor custo variável no mérito, reduzindo a necessidade de despachos excepcionais fora da ordem de mérito que marcaram o ano de 2024.

Alta performance operacional de usinas a gás e upstream integrado

O modelo de negócios integrado (Reservoir-to-Wire – R2W) da Eneva demonstrou alta eficiência diante das demandas do operador. O despacho médio ponderado dos ativos supridos por gás próprio da companhia atingiu 48% no trimestre. O Complexo Parnaíba (MA) registrou despacho médio de 47%, enquanto a UTE Jaguatirica II (RR) operou com despacho médio de 60%.

A tabela a seguir detalha a produção física de energia líquida e o respectivo direcionamento comercial da geração da companhia no trimestre:

Ativo / ComplexoGeração no Mérito (CVU) (GWh) PDFGeração no Mercado de Curto Prazo (PLD) (GWh) PDFExportação (GWh) PDFInflexibilidade Operativa (GWh) PDFTotal Líquido Gerado (GWh) PDF
UTE Parnaíba I60116719786
UTE Parnaíba II30127327
UTEs Parnaíba III e VI761072745255
UTE Parnaíba IV42732
UTE Parnaíba V31110523439
UTE Jaguatirica II157157
UTE Azulão I9494
UTE Itaqui (Carvão)12315

Para suportar esse volume de geração térmica, a produção de gás natural da companhia somou 0,47 bilhão de metros cúbicos (bcm) no trimestre, sendo 0,42 bcm extraídos na Bacia do Parnaíba e 0,05 bcm na Bacia do Amazonas. A Eneva encerrou o período com 46,5 bcm de reservas provadas e prováveis (2P) de gás natural.

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Restrições na rede impactam geração solar em Futura 1

Enquanto o braço termelétrico operou em ritmo acelerado, o Complexo Solar Futura 1 (692,4 MWac), localizado no Nordeste, enfrentou os desafios clássicos de transmissão da região. Além da menor irradiância solar típica do segundo trimestre, o parque sofreu com cortes significativos de geração (curtailment) impostos pelo ONS.

A geração frustrada por restrição na rede atingiu 87 GWh no trimestre, superando os 69 GWh registrados no mesmo período do ano anterior. Como consequência, a geração líquida de Futura 1 recuou para 294 GWh no trimestre, gerando custos adicionais com a necessidade de compra de energia no mercado para honrar contratos de autoprodução do parque em momentos de não geração.

Comissionamento em Azulão I e novos contratos comerciais no horizonte

A companhia prepara incrementos de capacidade e receita para o segundo semestre de 2026. A UTE Azulão I concluiu com sucesso as fases de testes (First Fire e teste de 96 horas de operação contínua), gerando 97 GWh brutos no trimestre durante o processo de comissionamento. A previsão da companhia é de que a operação comercial (COD) e o início do contrato regulado da planta ocorram em 1º de agosto de 2026.

Adicionalmente, em julho entrou em vigor o Contrato de Reserva de Capacidade (CRCAP) da UTE Luiz Oscar Rodrigues de Melo (LORM), fortalecendo as receitas reguladas e fixas da companhia no mercado de capacidade do SIN.

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