Certame prevê mais de 2 mil km de linhas no SIN, reforço da confiabilidade elétrica e geração de quase 29 mil empregos em sete estados
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deu início a mais uma etapa estratégica para a expansão da infraestrutura elétrica brasileira ao abrir consulta pública para o Leilão de Transmissão nº 4/2026. O certame prevê investimentos da ordem de R$ 11,3 bilhões e reforça o movimento de ampliação da rede básica do Sistema Interligado Nacional.
A iniciativa ocorre em um momento de crescente demanda por capacidade de escoamento de energia, especialmente diante da expansão acelerada das fontes renováveis no país, como solar e eólica, que exigem uma malha de transmissão mais robusta e confiável.
Projetos ampliam capacidade e confiabilidade do sistema elétrico
O pacote de empreendimentos previsto no leilão contempla a construção de 2.069 quilômetros de novas linhas de transmissão, além de seccionamentos e a instalação de 13.564 MVA em capacidade de transformação.
Esses ativos são considerados essenciais para garantir maior estabilidade operativa ao sistema elétrico, reduzindo riscos de sobrecarga, melhorando a qualidade do fornecimento e ampliando a segurança energética em diferentes regiões do país.
A expansão da transmissão é um dos pilares estruturais do setor elétrico brasileiro, permitindo a integração entre regiões e o aproveitamento eficiente de recursos energéticos distribuídos geograficamente.
Impacto econômico: geração de empregos e dinamização regional
Além dos benefícios técnicos, o leilão também apresenta impacto econômico relevante. As estimativas da Agência Nacional de Energia Elétrica indicam a criação de aproximadamente 28,9 mil empregos diretos e indiretos durante a fase de implantação dos projetos.
Os prazos de execução variam entre 36 e 60 meses após a assinatura dos contratos de concessão, o que garante um ciclo prolongado de investimentos e geração de renda nos estados contemplados.
Esse tipo de empreendimento costuma mobilizar cadeias produtivas locais, incluindo construção civil pesada, indústria de equipamentos elétricos e serviços especializados, contribuindo para o desenvolvimento regional.
Sete estados serão beneficiados com novos empreendimentos
Os projetos do Leilão de Transmissão nº 4/2026 estão distribuídos por sete estados brasileiros: Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo.
A distribuição geográfica dos empreendimentos reforça o caráter sistêmico do planejamento da transmissão, com foco na redução de gargalos regionais e na melhoria da integração entre subsistemas.
Em especial, regiões com forte crescimento de geração renovável tendem a se beneficiar diretamente da ampliação da capacidade de escoamento.
Consulta pública e próximos passos do leilão
A Consulta Pública nº 006/2026 ficará aberta entre os dias 9 de abril e 25 de maio, período no qual agentes do setor, investidores e a sociedade poderão apresentar contribuições à minuta do edital.
Após essa etapa, as sugestões serão analisadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica, podendo resultar em ajustes no texto final. O edital consolidado será então submetido à deliberação da diretoria da Agência e, posteriormente, encaminhado ao Tribunal de Contas da União.
Esse rito regulatório é fundamental para garantir transparência, segurança jurídica e previsibilidade ao processo, fatores considerados decisivos para atrair investidores em projetos de infraestrutura de grande porte.
Transmissão como vetor da transição energética
A expansão da rede de transmissão é condição indispensável para sustentar o crescimento da matriz elétrica brasileira, especialmente diante da interiorização da geração renovável.
Projetos como o Leilão nº 4/2026 reforçam o papel da infraestrutura de transmissão como elo entre a geração e o consumo, viabilizando a integração de novas fontes, reduzindo perdas e aumentando a eficiência do sistema elétrico.
Com um pipeline robusto de investimentos, o Brasil sinaliza ao mercado sua continuidade no planejamento de longo prazo, um elemento-chave para consolidar a transição energética com segurança, confiabilidade e competitividade.



