Parcela governamental alcança 244 mil barris por dia em maio, impulsionada pelo avanço dos contratos de partilha e pelo desempenho dos campos de Mero e Sépia
A produção de petróleo pertencente à União nos contratos do pré-sal atingiu um novo recorde histórico em maio, consolidando a expansão da participação governamental na exploração das reservas brasileiras de hidrocarbonetos. Dados divulgados pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) mostram que a parcela de petróleo da União alcançou média de 244 mil barris por dia (bpd) no período, maior volume já registrado desde a criação do regime de partilha de produção.
O resultado representa crescimento de aproximadamente 30% em relação ao mês anterior e avanço de 90,6% na comparação com maio de 2025, refletindo a entrada em operação de novos sistemas produtivos e a ampliação da participação governamental nos principais ativos do pré-sal brasileiro.
Atualmente, a PPSA administra a parcela da União em nove contratos de partilha e em quatro Acordos de Individualização da Produção (AIPs), instrumentos utilizados para disciplinar a exploração de reservatórios compartilhados entre áreas sob diferentes regimes contratuais.
Contratos de partilha lideram expansão da produção
A maior parte do crescimento registrado em maio teve origem nos contratos de partilha, responsáveis por 226 mil barris diários do total produzido pela União. O avanço mensal de 31% foi impulsionado principalmente pelo aumento da produção nos campos de Mero, Norte de Carcará e Sépia, considerados alguns dos ativos mais estratégicos da nova fronteira petrolífera brasileira.
A evolução desses projetos reforça as projeções de crescimento da produção do pré-sal ao longo desta década, em um movimento que deverá ampliar a geração de receitas governamentais por meio da comercialização do óleo pertencente ao Estado.
Ao analisar as perspectivas de médio prazo para os contratos sob sua gestão, a PPSA destaca que a trajetória de expansão ainda está longe do seu ponto máximo: “Com previsão de expansão nos volumes de produção até o começo da década de 2030, o pré-sal consolida sua relevância para a arrecadação federal. No acumulado histórico desde 2017, o volume de óleo de direito da União atingiu a marca de 139,9 milhões de barris.”
Mero concentra produção nos acordos de individualização
Além dos contratos de partilha, os Acordos de Individualização da Produção também registraram crescimento em maio. Nessas áreas, a produção destinada à União atingiu 19 mil barris por dia, volume 23% superior ao observado em abril. Entre os ativos que compõem essa carteira, o campo de Mero consolidou posição dominante, respondendo praticamente sozinho pelo desempenho operacional dos acordos de individualização.
A PPSA destaca a relevância do ativo dentro desse segmento específico de produção: “O Acordo de Individualização da Produção (AIP) de Mero foi o principal vetor desse resultado, respondendo por 88% do volume total, com uma média de 16 mil barris diários.”
O desempenho reflete a elevada produtividade dos reservatórios da Bacia de Santos e a continuidade das campanhas de desenvolvimento conduzidas pelos consórcios responsáveis pela operação da área.
Produção de gás natural avança e amplia exportações
O crescimento da parcela da União não se limitou ao petróleo. Em maio, a produção de gás natural pertencente ao governo federal alcançou 383 mil m³/dia, registrando expansão de 167% frente ao mês anterior e crescimento de 261,3% na comparação anual.
Os contratos de partilha responderam por 332 mil m³/dia, com o campo de Sépia concentrando aproximadamente 65% desse volume. O aumento da produção também foi acompanhado pela expansão das exportações de gás natural da União, movimento que reforça a importância crescente do pré-sal para a estratégia brasileira de monetização dos recursos energéticos.
De acordo com a estatal, o fluxo destinado ao mercado externo continuou avançando ao longo do período analisado: “No segmento de gás natural, o volume da União e os consórcios destinado à exportação sob partilha de produção registrou média de 6,5 milhões de m³ por dia, desempenho 16% superior ao verificado no mês antecedente.”
Pré-sal amplia relevância fiscal e energética
A aceleração da produção administrada pela PPSA ocorre em um momento em que o pré-sal se consolida como principal vetor de crescimento da indústria brasileira de petróleo e gás.
Além de ampliar a participação do país na oferta global de petróleo leve de alta qualidade, o avanço da parcela da União fortalece a arrecadação pública e amplia o potencial de geração de receitas para fundos governamentais e políticas públicas financiadas pelos recursos do setor.
Com novos FPSOs previstos para entrar em operação até o início da próxima década, a expectativa do mercado é que a produção da União continue avançando de forma consistente, acompanhando a expansão dos grandes projetos da Bacia de Santos e consolidando o pré-sal como o principal eixo energético brasileiro nos próximos anos.



