Ex-diretor técnico da ABEEólica assume cargo executivo na geradora, que inicia processo de recomposição de seu Conselho de Administração.
A Renova Energia oficializou mais uma movimentação em sua estrutura de governança corporativa. O Conselho de Administração da companhia elegeu Sandro Kyoshi Yamamoto para ocupar o cargo de Diretor sem designação específica. A nomeação, divulgada ao mercado via Fato Relevante, reforça a estratégia da geradora de atrair lideranças com sólida bagagem técnica e trânsito institucional no segmento de geração renovável.
Simultaneamente à chegada do novo executivo, a companhia passa a lidar com alterações em seu principal órgão de deliberação. Na mesma reunião de conselho, foram homologadas as renúncias de Daniel Teruo Famano e Ana Amélia Campos Toni aos cargos de membros do Conselho de Administração da empresa.
As mudanças ocorrem em um momento estratégico para a Renova, pioneira na viabilização de projetos eólicos de grande porte no país e que vem consolidando etapas de sua reestruturação operacional.
Perfil técnico e interlocução regulatória
A eleição de Sandro Yamamoto traz para o corpo executivo da geradora um profissional com histórico expressivo no desenvolvimento do mercado livre e regulado de energia. Engenheiro de formação com foco em infraestrutura, Yamamoto consolidou sua projeção no setor elétrico durante sua trajetória na Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica), onde atuou ativamente como diretor técnico no diálogo com órgãos reguladores, planejadores e agentes de mercado.
Sua experiência cobre áreas críticas como planejamento energético, regulação setorial, conexões de transmissão e desenvolvimento de negócios. Embora a Renova não tenha especificado uma pasta de atuação imediata para o cargo de Diretor sem designação, a expectativa de analistas do setor é de que o executivo colabore diretamente na gestão de ativos, no posicionamento estratégico da geradora perante o mercado de capitais e na interlocução institucional.
Transição e recomposição do colegiado
A saída de Daniel Teruo Famano e Ana Amélia Campos Toni reduz temporariamente o número de assentos ativos no Conselho de Administração. A partir de agora, a companhia deverá acionar os ritos societários previstos em seu Estatuto Social e nas diretrizes da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para preencher as vacâncias.
A diretoria da geradora formalizou seu posicionamento de agradecimento aos antigos membros do conselho no documento enviado aos acionistas: “A Companhia agradece aos conselheiros renunciantes pela contribuição e dedicação durante o exercício de seus mandatos e manterá seus acionistas e o mercado devidamente informados sobre eventuais medidas relativas à recomposição do Conselho de Administração, na forma das normas legais e regulatórias aplicáveis.”
A indicação dos novos conselheiros deve ocorrer nos próximos meses, podendo ser conduzida por cooptação interna do próprio conselho de administração ou por meio da convocação de uma Assembleia Geral de Acionistas (AGA).
Próximos passos e contexto de mercado
A transparência nas movimentações atende aos requisitos do artigo 157 da Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/76) e da Resolução CVM nº 44. No setor elétrico brasileiro, reestruturações na alta administração de empresas geradoras são acompanhadas de perto pelo mercado, pois frequentemente sinalizam ajustes em diretrizes de comercialização de energia, alocação de capital ou gestão de passivos.
A Renova Energia segue focada na eficiência operacional de seus ativos de geração. Os próximos passos da nova diretoria e do conselho recomposto ocorrerão sob um cenário setorial complexo, marcado pela discussão de restrições de escoamento de transmissão (curtailment) e pela necessidade de otimização de portfólios de energia renovável no ambiente de contratação livre.



