País se consolida com uma das matrizes mais limpas do mundo, amplia políticas públicas voltadas à segurança e justiça energética e mira protagonismo internacional na descarbonização
Dez anos após a assinatura do Acordo de Paris, o Brasil apresenta resultados expressivos em sua jornada rumo a uma economia de baixo carbono. O país se consolida entre os líderes mundiais na transição energética, com uma matriz composta majoritariamente por fontes renováveis, como hidrelétrica, eólica, solar e biomassa, e políticas públicas robustas que reforçam o compromisso com a neutralidade climática e a justiça social.
Esses avanços são destacados no Fact Sheet “Brasil e a Transição Energética – 10 anos após o Acordo de Paris”, que reúne dados, análises e perspectivas sobre o papel brasileiro no cenário global da descarbonização. O documento ressalta a evolução das políticas energéticas e ambientais, o crescimento da geração limpa e os desafios ainda presentes na inclusão social e no combate à pobreza energética.
Marco regulatório e metas de neutralidade
A Resolução CNPE nº 5/2024 consolidou o conceito de transição energética no Brasil como “o processo de transformação da infraestrutura, da produção e do consumo de energia, com foco na neutralidade das emissões líquidas de gases de efeito estufa (GEE)”. Essa definição reforça o alinhamento do país às metas assumidas no Acordo de Paris, além de servir como diretriz para novas políticas e investimentos no setor.
Com cerca de 50% da oferta interna de energia proveniente de fontes renováveis, o Brasil mantém uma posição de destaque global, a média mundial não ultrapassa 15%. A expansão da geração solar e eólica, aliada à modernização do setor elétrico, mostra o potencial do país em conciliar crescimento econômico, segurança energética e sustentabilidade.
Energia limpa e acesso universal: o desafio da justiça energética
Apesar dos avanços, o documento destaca que a transição energética brasileira não pode se limitar à descarbonização. A busca por uma matriz limpa deve vir acompanhada de um compromisso com a equidade e o acesso.
“A transição precisa ser justa e inclusiva. Não basta ser limpa; é necessário garantir que todos os brasileiros tenham acesso à energia de forma segura e sustentável”, aponta o documento.
O conceito de justiça energética ganha força ao integrar a agenda de inclusão social às metas climáticas. O Brasil ainda enfrenta bolsões de vulnerabilidade energética, especialmente em comunidades isoladas e regiões com baixa infraestrutura elétrica. Superar essas desigualdades é essencial para que a transição seja, de fato, completa.
Oportunidade de liderança global
Com abundância de recursos naturais, um sistema elétrico interligado e políticas públicas em evolução, o Brasil está em posição estratégica para assumir protagonismo na transição energética mundial. O relatório ressalta que o país pode se tornar referência na integração de tecnologias limpas e na criação de modelos sustentáveis de desenvolvimento.
Segundo o documento, “o Brasil tem condições de liderar globalmente iniciativas de transição energética, desde que combine inovação tecnológica, políticas públicas integradas e ações voltadas à inclusão social”.
Esse equilíbrio entre inovação, segurança e justiça energética será determinante para o sucesso da agenda nacional de descarbonização.
O papel das políticas públicas e da inovação tecnológica
Nos últimos anos, o governo brasileiro tem reforçado programas voltados à eficiência energética, mobilidade elétrica, modernização da infraestrutura e estímulo à geração distribuída. Iniciativas como o Programa Nacional de Hidrogênio, a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) e o Plano de Expansão da Geração Solar e Eólica mostram o empenho em acelerar a transição com base na inovação e no investimento em novas tecnologias.
Além disso, o Brasil vem ampliando parcerias internacionais para captação de recursos e transferência de conhecimento, buscando integrar a agenda climática à estratégia de desenvolvimento industrial e social.
Caminho para uma transição justa e sustentável
Ao completar uma década de compromissos pós-Acordo de Paris, o Brasil mostra que a transição energética não é apenas uma meta ambiental, mas uma estratégia de Estado. O desafio para os próximos anos será garantir que os benefícios da energia limpa cheguem a toda a população, com equilíbrio entre competitividade, segurança e inclusão.
O futuro da energia brasileira dependerá da capacidade de integrar inovação, governança e justiça social, três pilares que consolidam o país como uma das maiores potências sustentáveis do mundo.



