ONS melhora projeções hidrológicas para o SIN e reduz pressão sobre geração térmica até outubro

Recuperação dos reservatórios no Sul e níveis mais robustos no Sudeste/Centro-Oeste reforçam cenário de segurança energética para o período seco de 2026

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) uma revisão mais favorável das condições hidrológicas e de atendimento eletroenergético do Sistema Interligado Nacional (SIN) até outubro de 2026. A atualização indica melhora relevante das afluências, principalmente na região Sul, além de projeções mais robustas para os níveis de armazenamento no Sudeste/Centro-Oeste, subsistema responsável por cerca de 70% da capacidade de reservação do país.

Os novos cenários apresentados ao CMSE sinalizam redução da pressão operacional sobre o sistema durante o período seco, mesmo diante da expectativa de queda da Energia Natural Afluente (ENA) ao longo dos próximos meses. A avaliação do operador reforça uma percepção de maior conforto energético em comparação com os estudos prospectivos anteriores, sobretudo após a recuperação parcial dos reservatórios do Sul impulsionada pela atuação de frentes frias em abril.

O tema ganha relevância em um momento em que o setor elétrico acompanha de perto o comportamento hidrológico do segundo semestre, considerado decisivo para a formação dos estoques hídricos e para o acionamento termelétrico no país.

- Advertisement -

Sul apresenta recuperação hidrológica após avanço das frentes frias

O principal destaque da atualização do ONS foi a melhora das afluências na região Sul. As precipitações registradas nas bacias dos rios Jacuí, Paranapanema e na incremental da usina hidrelétrica de Itaipu contribuíram para elevar os níveis dos reservatórios, reduzindo parte das preocupações observadas no início do ano.

Os reservatórios da bacia do rio Iguaçu já apresentam trajetória consistente de recuperação, com expectativa de melhora gradual ao longo de maio e junho. O mesmo comportamento começa a ser observado na bacia do rio Uruguai, embora ainda sob monitoramento mais rigoroso do operador.

Ao analisar o cenário hidrológico regional, o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, destacou que o sistema segue em acompanhamento permanente diante da volatilidade climática observada nos últimos ciclos hidrológicos: “Na região Sul, embora as condições de afluência tenham apresentado melhora, o ONS segue monitorando de perto as condições do Sul e de outras relevantes bacias do SIN, de modo a adotar as medidas necessárias para pleno atendimento eletroenergético do país.”

A leitura predominante entre agentes do setor é que a recuperação parcial do Sul reduz o risco de deterioração mais intensa dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, tradicionalmente mais pressionados durante o período seco.

- Advertisement -

Sudeste/Centro-Oeste mantém trajetória confortável para armazenamento

Os estudos prospectivos do ONS indicam que o subsistema Sudeste/Centro-Oeste poderá encerrar outubro de 2026 em condição superior à observada no mesmo período do ano passado, tanto no cenário mais conservador quanto na hipótese otimista.

No cenário inferior, considerando afluências equivalentes a 80% da Média de Longo Termo (MLT), a Energia Armazenada (EAR) do Sudeste/Centro-Oeste deve atingir 47,5% ao final de outubro. Já na projeção mais favorável, com ENA de 107% da MLT, o armazenamento pode alcançar 57,2%.

Na prática, isso representaria um nível até 12,9 pontos percentuais superior ao registrado em outubro de 2025, caso o cenário hidrológico mais positivo se confirme.

Para o SIN como um todo, a projeção otimista aponta armazenamento de 61,6% ao final de outubro, enquanto o cenário mais restritivo indica 53,6%. Ambos os casos permanecem acima dos níveis observados no mesmo período do ano anterior.

Geração térmica adicional segue prevista, mas sem despacho pleno

Mesmo com a melhora das condições hidrológicas, o ONS manteve a previsão de utilização complementar de geração térmica para garantir segurança operacional e atendimento da demanda nos horários de maior carga.

Entretanto, o operador ressaltou que não há necessidade, neste momento, de utilização plena do parque termelétrico disponível, o que reduz pressões adicionais sobre o custo marginal de operação (CMO) e sobre os encargos setoriais repassados aos consumidores.

O comportamento da ENA continuará sendo determinante para o equilíbrio operacional do sistema nos próximos meses. Para maio, o cenário mais favorável prevê:

  • Sudeste/Centro-Oeste: 82% da MLT
  • Sul: 128% da MLT
  • Nordeste: 53% da MLT
  • Norte: 83% da MLT

Já no cenário menos otimista, as projeções apontam:

  • Sudeste/Centro-Oeste: 78% da MLT
  • Sul: 48% da MLT
  • Nordeste: 53% da MLT
  • Norte: 80% da MLT

Caso o cenário inferior se confirme, o período entre maio e outubro de 2026 seria classificado como o 14º menor da série histórica de 96 anos. Por outro lado, a hipótese mais favorável colocaria o ciclo atual como o 29º melhor do histórico.

CVaR e impacto do LRCAP entram na agenda do CMSE

Outro ponto relevante da reunião do CMSE foi o avanço das discussões sobre os parâmetros de aversão ao risco do modelo CVaR (Conditional Value at Risk), utilizado na definição da política operativa do sistema.

O comitê solicitou que o ONS e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) aprofundem análises sobre os impactos do Leilão de Reserva de Capacidade de 2026 (LRCAP) nos critérios de risco hidrológico e de despacho térmico. O tema ganhou centralidade nas últimas semanas em meio aos debates sobre expansão de térmicas fósseis, segurança energética e custo sistêmico do suprimento no médio prazo.

A expectativa do mercado é que os estudos possam influenciar futuras decisões sobre despacho termelétrico estrutural, critérios de formação de preço e necessidade de contratação adicional de potência para os próximos ciclos operativos.

Para agentes do setor elétrico, o cenário apresentado pelo ONS reforça uma percepção de maior estabilidade operacional para 2026, mas mantém o alerta sobre a importância do monitoramento contínuo das condições climáticas e do equilíbrio entre segurança energética, custo operacional e expansão da oferta.

Destaques da Semana

GD + Armazenamento + Mercado Livre: o triângulo que pode redesenhar a tarifa

Por Marcelo Figueiredo, CEO da Iquira Energy Innovation O debate...

Lula endurece discurso contra Enel durante renovação de concessões e amplia pressão regulatória sobre distribuidora

Presidente acusa companhia italiana de descumprir compromissos assumidos com...

Artigos

Últimas Notícias